Proteção Civil admite constrangimentos na coordenação territorial no combate a incêndios

O presidente da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), José Manuel Moura, admitiu hoje constrangimentos na resposta operacional aos incêndios devido à combinação de diferentes organizações territoriais das estruturas.

© Facebook da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil

Em causa está o facto de o dispositivo da proteção civil e dos bombeiros assentar nas divisões sub-regionais e regionais — integradas com o mapa das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) – e de outras organizações obedecerem a divisões distritais, explicou hoje José Manuel Moura, perante os deputados da Comissão Eventual para Avaliar o Sistema de Proteção Civil e a Prevenção e Combate aos Incêndios.

“Há um constrangimento que está na ordem do dia”, disse, referindo-se a um “ofício dos comandantes dos bombeiros de Aveiro” sobre a “divisão territorial em que assentam os comandos sub-regionais e regionais”.

A lei orgânica que definia os mapas dos comandos foi alterada em 2018 e só foi implementada no ano passado, um dispositivo que só “foi verdadeiramente testado” nos incêndios de 2024.

“O sistema antigo acabava por estar assente em soluções estandardizadas”, mas outras partes, como o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), PSP ou GNR, “têm uma divisão diferente”, assente em estruturas distritais.

“De todos os agentes que concorrem para o sistema [de proteção civil] só a autoridade implementou os comandos regionais”, afirmou.

A deputada Isabel Oneto recordou que a decisão de organizar o país a partir das regiões plano (correspondente às CCDR), com estruturas sub-regionais, intermunicipais e municipais, foi do Governo de Passos Coelho (PSD).

“Em 2013, o país entendeu que deveria ter esta base de organização do território”, salientou.

Contudo, segundo José Manuel Moura, essa transformação ainda está em curso, dando o exemplo dos planos distritais de emergência, que ainda persistem e foram ativados durante os incêndios de setembro de 2024, que causou vítimas mortais.

“A nossa lei de bases mantém a figura dos distritos”, salientou.

Numa apresentação sobre os incêndios de 2024, José Manuel Moura destacou o impacto das alterações climáticas, que provocaram situações extremas, como sucedeu na terceira semana de setembro, mas destacou que o país aprendeu várias lições após a morte de mais de uma centena de pessoas em 2017.

“Houve um sobressalto cívico depois de Pedrógão Grande” e “vamos ter de reconquistar esse espaço [de confiança] que já nos pertenceu”, disse o dirigente.

Moura salientou que, entretanto, muitas coisas mudaram, dando o exemplo da maior rapidez na retirada de pessoas, no aumento do uso de máquinas de rasto ou no facto de a função do coordenador municipal estar “mais agilizada” na articulação da resposta.

Em 2024, 40% das ignições de incêndios florestais foram noturnas, algo que o presidente da ANEPC considera suspeito.

No que respeita aos constrangimentos detetados em 2024, Moura elencou alguns problemas, como a indisponibilidade dos helicópteros de coordenação, dificuldade na gestão dos combustíveis, perda de capacidade de análise do número de apoio à decisão, mas também “a simultaneidade de muitos incêndios que comprometeu a resposta inicial”.

Confrontado com a autonomia da proteção civil da Madeira e Açores, recordando a demora do pedido de apoio aéreo ao continente pelas autoridades do Funchal nos incêndios do ano passado, José Manuel Moura disse que representantes das duas regiões passaram a ter lugar nas reuniões nacionais, para que “possa fluir melhor a informação”.

Sobre o uso de gel e espumas retardantes, questão colocada pelo deputado do Chega Nuno Gabriel, o presidente da ANEPC explicou que a compra desses recursos está contemplada num dos “concursos que está a decorrer para os meios aéreos” para este ano.

“Durante alguns anos, [estes recursos] foram descartados porque eram químicos” que contaminavam o meio ambiente, mas agora existe “uma nova geração de espumíferos” que pode ser utilizada, explicou.

Últimas do País

A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou, até 30 de maio deste ano, 2.921 incêndios florestais, enquanto no mesmo período de 2025 foram registados 795, fez 109 detenções e mais de 11.800 sinalizações de terrenos por falta de limpeza.
A PSP deteve na quinta-feira no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, um homem procurado por Israel por suspeita de ter desviado fundos de uma sociedade de serviços financeiros, anunciou hoje a força policial.
A plataforma de viagens MyAzoresHome lançou uma nova ferramenta digital gratuita para ajudar os turistas e os residentes a "interpretar melhor" o tempo nas nove ilhas dos Açores, sem substituir as previsões oficiais, foi hoje divulgado.
Uma investigação iniciada pelo Núcleo de Investigação Criminal da GNR de Pombal culminou com a detenção de quatro pessoas e com a apreensão de cerca de 20 mil doses de cocaína e haxixe, anunciou hoje aquela polícia.
Estudo financiado pelos dois órgãos de comunicação diz que os eleitores do CHEGA são os mais mal vistos pelos restantes partidos.
O porta-voz da União de Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL) disse hoje que os criadores de gado "estão no limite da pouca paciência que lhes resta" por ausência das medidas de reforço da proteção do lobo.
As autoridades portuguesas verificaram que as pessoas que correm mais riscos de serem vítimas de tráfico humano são portugueses de contextos socioeconómicos desfavorecidos, segundo um relatório do Conselho da Europa divulgado. No entanto, os casos de exploração sexual infantil acontecem sobretudo no arquipélago da Madeira.
O homem suspeito de ter matado um cidadão em situação de sem-abrigo, em Coimbra, vai aguardar o desenvolvimento do inquérito em prisão preventiva, disse hoje à Lusa fonte da Diretoria do Centro da Polícia Judiciária (PJ).
Um novo mapa de satélite, pensado para a previsão de incêndios e inserido numa ferramenta tecnológica ligada à propriedade rústica, permite verificar qual o território mais suscetível ao fogo este verão, ao nível das freguesias de Portugal continental.
O homem que fugiu do Tribunal de Ponte de Sor e depois se entregou às autoridades, encontrando-se em prisão preventiva, está indiciado de 20 crimes, cinco deles de tentativa de homicídio, divulgou o Ministério Público (MP).