Parlamento espanhol avança com comissão de inquérito às cheias na região de Valência

O parlamento espanhol aprovou hoje a criação de uma comissão de inquérito sobre as cheias em Valência em 29 de outubro do ano passado, em que morreram mais de 220 pessoas.

© LUSA/Biel Aliño

A constituição da comissão foi aprovada por 176 deputados, incluindo os dos dois partidos que estão na coligação do Governo de Espanha: o partido Socialista (PSOE) e a a plataforma de esquerda Somar.

Votaram contra a comissão o Partido Popular (PP, direita), que está à frente do governo regional de Valência, assim como o Vox.

Esta é a terceira comissão parlamentar sobre as inundações constituída em Espanha, depois das formadas no parlamento autonómico de Valência e no Senado espanhol, onde o PP tem maioria absoluta, ao contrário do que acontece no Congresso dos Deputados (o parlamento ou câmara baixa das Cortes de Espanha).

Os partidos que hoje avançaram com a constituição da comissão de inquérito no Congresso consideraram que, ao contrário das outras duas, esta não estará “sequestrada pelo PP”.

Além das comissões parlamentares, a gestão das cheias está a ser alvo de uma investigação judicial para apurar eventuais responsabilidades políticas pelas mortes causadas pelo temporal.

A juíza que tutela a investigação chamou na segunda-feira dois ex-membros do governo regional valenciano para prestarem declarações, naquela que foi a primeira convocatória de duas pessoas na qualidade de “investigados” no processo.

Foram chamados a ex-conselheira (equivalente a ministra num governo nacional) responsável pela proteção civil, Salomé Pradas, e o seu adjunto, Emilio Argüeso.

A juíza excluiu, para já, chamar o presidente do governo regional da Comunidade Valenciana, Carlos Mazón (PP), que tem sido o principal alvo de críticas por parte da oposição e em sucessivas manifestações de protesto pela gestão das cheias.

Por causa do cargo que ocupa, só o Tribunal Superior de Justiça da Comunidade Valenciana poderia chamar e ouvir Carlos Mazón, mas a juíza que tutela a instrução do processo poderia encaminhar um parecer ou pedido nesse sentido à instância superior, o que descartou fazer para já.

A juíza justificou que Salomé Pradas, que Mazón substituiu no governo regional poucas semanas após as inundações, era a “máxima autoridade” para adotar medidas de proteção da população e que o alerta enviado pela proteção civil às 20:11 “foi tardio e errado”.

A magistrada considerou ainda que a convocatória do Centro de Coordenação de Emergências às 17:00 “foi feita com grande demora” e que a tomada de decisões por parte do governo regional com vista a alertar a população para o temporal foi feita “com atraso ainda maior”.

Para a juíza, o problema no dia das cheias não foi a “falta de informação”, mas a informação disponível ter sido “ignorada” ou “as decisões relevantes não terem sido tomadas por quem tinha poder de decisão”.

Este processo investiga possíveis responsabilidades na gestão do temporal e das inundações que atingiram o leste e o sul de Espanha em 29 de outubro e em que morreram pelo menos 232 pessoas, 224 das quais na Comunidade Valenciana. Três pessoas permanecem desaparecidas em Valência.

A maioria das vítimas em Valência morreu antes de ser enviado o alerta da proteção civil para os telemóveis da população, segundo o primeiro relatório da investigação judicial, conhecido em 26 de fevereiro.

Com base em 60 testemunhos de familiares de vítimas, a juíza concluiu já nesse primeiro relatório que “a ausência flagrante de avisos à população” pode ter causado um “número avassalador de mortos”.

O alerta da proteção civil foi enviado às 20:11, horas depois de, ao início da manhã do mesmo dia, ter sido emitido um aviso vermelho (o mais grave) pelos serviços de meteorologia espanhóis.

A demora no envio do alerta da proteção civil (responsabilidade do Governo regional da Comunidade Valenciana) é das maiores críticas que são feitas desde 29 de outubro às autoridades.

Últimas do Mundo

A Europol avisou hoje que o nível de ameaça terrorista e de extremismo violento no território da UE é atualmente considerado elevado, devido à guerra no Médio Oriente, e advertiu que o risco de ciberataques também deverá aumentar.
O Sistema de Alerta Rápido da União Europeia (UE) para produtos não alimentares perigosos registou, em 2025, um número recorde de 4.671 alertas sobre bens como cosméticos, brinquedos e aparelhos elétricos, anunciou hoje a Comissão Europeia.
Um esquema que terá durado 20 anos está agora em tribunal em Valladolid. A acusação diz que uma funerária retirava os caixões antes da cremação e voltava a vendê-los a outras famílias.
Três pessoas morreram e 14 ficaram feridas após um tiroteio ocorrido num bar em Austin, no estado do Texas, informaram as autoridades policiais.
Mais de 70 casos de 'chikungunya' em viajantes regressados das Seychelles foram registados desde novembro por 10 países europeus, mas o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças afirma que a transmissão local na Europa continental é improvável.
A Europa investiu cerca de 45 mil milhões de euros em novos projetos eólicos em 2025, aproximadamente 21 gigawatts (GW), mas o ritmo de implementação permanece "aquém do necessário" face aos objetivos, incluindo em Portugal, segundo um estudo.
O historiador de arte e até aqui presidente do Palácio de Versalhes, Christophe Leribault, vai ser o próximo responsável máximo pelo Museu do Louvre, em Paris, anunciou hoje o Governo francês.
Uma perfuração supostamente causada pelo impacto de uma bala foi descoberta na fuselagem de um avião da American Airlines que fez a ligação entre Medellín, na Colômbia, e Miami, Estados Unidos.
As autoridades belgas abriram uma investigação após a descoberta de pornografia infantil na cela do pedófilo belga Marc Dutroux, em prisão perpétua pela violação de seis raparigas e homicídio de quatro delas, confirmou o Ministério Público local.
O antigo ministro trabalhista britânico Peter Mandelson foi detido hoje em Londres sob suspeita de má conduta em cargo público, anunciou a Polícia Metropolitana.