Barragens do Algarve com quase 80% e água para quase três anos de consumo

As barragens do Algarve estão em média a 79% da sua capacidade total de armazenamento, depois das últimas chuvas, o que significa “quase três anos de consumo” da região, segundo o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente”.

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“Esta situação permite-nos trabalhar com alguma tranquilidade na execução dos projetos em curso para dar maior resiliência à região”, disse Pimenta Machado à agência Lusa.

Estes números ainda não tomam em conta a passagem esta semana da depressão Martinho, que provocou “mais vento do que chuva”.

O responsável da APA sublinhou a necessidade de nos próximos anos a região se manter focada em executar os projetos já em curso, como combater as perdas de água na atual rede de distribuição ou acelerar o processo de passar a usar a água das ETAR (Estações de Tratamento de Águas Residuais) para regar os campos de golfe e os jardins.

“Isto é uma questão fundamental. Não faz sentido usar a água que nós temos para regar golfe, nem jardins”, insistiu Pimenta Machado.

O presidente da APA também referiu os projetos em curso de reforço do armazenamento de água, como o da construção da central de dessalinização no concelho de Albufeira e a obra de captação de água no Pomarão, no concelho de Mértola (Alentejo), e a construção de uma conduta até à albufeira de Odeleite, no concelho de Castro Marim (Algarve).

Quanto ao Barlavento (oeste) algarvio, está a ser estudada uma ligação, via Santa Clara, no Alentejo, “para dar uma maior resiliência” a esse lado do Algarve.

Outros projetos em curso incluem o estudo da eventual construção da barragem de Alportel ou do projeto para a nova barragem de Foupana.

“O Algarve neste momento está muito mais tranquilo, mas é neste momento em que está mais tranquilo que temos de tomar boas decisões para nos prepararmos para os anos futuros”, disse o presidente da APA.

Pimenta Machado referiu que o Algarve armazenou nos últimos meses mais 200 hectómetros cúbicos de água em comparação com o ano passado, tendo agora reservas para “quase três anos”.

Quanto às barragens que até há pouco tinham menos água, a da Bravura está agora a 49% da sua capacidade, quando em dezembro estava a 11%, e a do Arade com 58%, quando há poucos meses era a única do país abaixo dos 10%, referiu o dirigente da APA.

Pimenta Machado adiantou ainda que devem ser suspensas “muito em breve as descargas preventiva” feitas nos últimos dias nas barragens de Odeleite (97%) e Beliche (92%).

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