Em declarações na conferência internacional SECURE, em Bydgoszcz, no norte da Polónia, o ministro polaco dos Assuntos Digitais Gawkowski revelou que o ciberataque maciço às bases de dados do partido liderado pelo primeiro-ministro Donald Tusk “não foi realizado de forma improvisada” e alertou para o facto de “qualquer partido político e qualquer instituição estatal” poder ser a próxima vítima deste tipo de ações.
No ataque foram visados os gabinetes dos deputados e dos membros do partido governamental, adiantou o ministro durante o evento organizado pelo Ministério da Digitalização, com foco na cibersegurança, no âmbito da Presidência polaca do Conselho da União Europeia.
De acordo com Gawkowski, o objetivo da Rússia é “roubar as eleições à Polónia e aos polacos” através de campanhas de desinformação, influência nas redes sociais e, como no caso de quarta-feira, ciberataques, especialmente numa altura em que o país se prepara para uma importante eleição presidencial dentro de seis semanas.
Além de explicar os pormenores de um “guarda-chuva eleitoral” que terá como objetivo evitar qualquer tipo de “desestabilização da Internet” durante a campanha eleitoral, o Ministro Gawkowski anunciou um plano ambicioso para melhorar a ciberdefesa dos sistemas civis e militares “com o orçamento mais elevado da história da Polónia” para este efeito.
O responsável pelos assuntos digitais sublinhou que o seu país “é um dos países mais atacados do mundo no espaço digital”, embora, segundo ele, “99,9% dos ataques falhem”.
A guerra híbrida, da qual os ciberataques fazem parte, segundo o ministro, “é apenas um aviso e devem ser retiradas conclusões preventivas antes que possa ocorrer um conflito convencional”.
O primeiro-ministro Donald Tusk descreveu o ataque de quarta-feira como “interferência estrangeira nas eleições”.
Na terça-feira, o governo polaco assinou um acordo de cooperação com o gigante tecnológico norte-americano Oracle para “reforçar as capacidades do país em áreas como a inteligência artificial e as infraestruturas na nuvem”, nas palavras do ministro da Defesa, Władysław Kosiniak-Kamysz.
“Queremos ser os melhores e os mais seguros do mundo, por isso estamos a assinar acordos com as melhores empresas do mundo”, sublinhou o ministro da Defesa.
Este acordo segue-se a um semelhante assinado pelo Governo polaco há um mês com a Google.
O primeiro-ministro Donald Tusk, que lidera o Governo de coligação Cívica descreveu o ataque de quarta-feira como “interferência estrangeira nas eleições” e disse que os autores estavam “a apontar para leste”.
Em 01 de abril a Comissão Europeia apresentou um documento intitulado de estratégia para a segurança interna dos países da União Europeia (UE) que, entre várias prioridades, realça a “construção de resiliência contra ameaças híbridas”.
A Polónia, com eleições presidenciais na Polónia marcadas para 18 de maio, prepara-se para uma corrida que ditará o fim da presidência de Andrzej Duda, do partido nacionalista Lei e Justiça (PiS), que cumpre o seu último mandato.
O Coligação Cívica de Tusk nomeou como seu candidato o presidente da Câmara de Varsóvia, Rafal Trzaskowski, que é atualmente considerado o favorito na corrida.
Já o PiS escolheu o historiador Karol Nawrocki como seu candidato e sucessor de Duda.