Falta de pastores jovens está a reduzir o efetivo do cordeiro mirandês

A falta de jovens que se interessem pela pastorícia está a deixar uma das emblemáticas raças de ovinos do Nordeste Transmontano -- o cordeiro mirandês - com um efetivo de animais insuficiente para satisfazer o mercado neste período da Páscoa.

© D.R

O cordeiro, ou canhono mirandês, é uma espécie de ovino cuja carne é muito procurada neste período da Páscoa, mas não há efetivo suficiente para alimentar o mercado, e esse é um dos fatores que faz com que o seu preço duplique por esta altura do ano.

Os pastores do Planalto Mirandês afiançam que a carne de cordeiro de raça churra mirandesa, espécie de ovinos autóctones com chancela de Denominação de Origem Protegida (DOP), é bem paga, mas o efetivo é escasso porque as gerações mais novas não querem dar continuidade a este trabalho.

Andrea Cortinhas, secretária técnica da Associação Nacional de Cordeiros de Raça Churra Mirandesa, reiterou à Lusa que falta um pouco de tudo para continuar a criação desta raça, principalmente pastores jovens, o que contribui para a perda de efetivo pecuário.

“É preciso reverter a situação. Para isso, é preciso gente nova que se queira dedicar à pecuária e à profissão de pastor. A profissão de pastor é digna e está a ser valorizada, principalmente nas raças autóctones, mas é preciso interessados”, lembrou.

Segundo a técnica, o efetivo desta raça vai-se mantendo “graças ao trabalho dos pastores mais idosos, com oscilações ao longo do ano”, mas os mais velhos, “devido às suas limitações físicas, vão abandonando a atividade”.

“Trata-se de uma património genético único a nível nacional e internacional, já que [a carne deste cordeiro] tem as suas características próprias devido ao seu maneio no Planalto Mirandês, sendo importante olhar para o setor de forma criativa”, disse Andrea Cortinhas.

Acrescentou que o efetivo pecuário dos ovinos de raça churra galega mirandesa ronda atualmente as 5.500 cabeças e recordou que “há 10 anos eram 6.900 animais que compunham o efetivo desta raça autóctone”.

“No último meio ano há um registo de nascimento de cordeiros a rondar os 2.700. Para satisfazer o mercado, precisaríamos de mais do dobro”, salientou.

Por seu lado, os produtores de cordeiro de raça churra ainda no ativo garantiram à agência Lusa que o aumento do preço se deve a uma maior procura desta carne nesta altura do ano, que é superior à oferta.

Bento dos Santos Pires contou que “está tudo caro”. “É o combustível e é o aumento dos fatores de produção, o que leva os mais novos a afastarem-se deste trabalho, porque consideram que não é rentável”, disse.

“No Natal os cordeiros até saíram bem, porque estavam na idade e no peso certo, agora é mais difícil, porque os animais cresceram muito e quanto mais peso tiverem os animais, menor é o preço pago por quilo”, indicou.

Já Francisco Pires, outro pastor mirandês, disse que preço pago ao lavrador ronda este ano os nove a 10 euros por quilo, mas nos supermercados ou nos talhos pode chegar aos 20 euros por quilo.

“O lucro fica sempre nos intermediários”, indicou o pastor.

Este pastor disse ainda que “houve tempos em que vendia 15 a 16 cordeiros à porta de casa, e este ano pouco vendeu”, sobretudo porque as pessoas procuram carne mais barata.

Para ser considerada carne de cordeiro mirandês, o animal tem de ser abatido até aos quatro meses de idade, e tem de ser nascido e criado num sistema de exploração extensivo tradicional na área geográfica do concelho de Miranda do Douro, Mogadouro e Vimioso, no distrito de Bragança. As carcaças devem ter entre quatro e 12 quilos.

Últimas de Economia

A Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses, nos dois prazos mais longos para novos máximos desde novembro e agosto de 2024, depois de o Banco Central Europeu ter subido as taxas diretoras na quinta-feira.
O CHEGA vai apresentar na próxima semana duas iniciativas legislativas destinadas a reduzir diretamente os encargos das famílias: IVA zero nos alimentos e uma descida do IVA aplicado aos combustíveis. O anúncio foi feito por André Ventura no Parlamento, com o partido a colocar o alívio fiscal sobre bens essenciais no centro da sua agenda política.
As rendas das casas por metro quadrado aumentaram 5,2% em agosto face ao mesmo mês de 2025, menos 0,1 pontos percentuais do que em julho, tendo todas as regiões registado crescimentos homólogos, informou hoje o INE.
O Banco Central Europeu (BCE) decidiu hoje subir, pela segunda vez este ano, as taxas de juro em 25 pontos base, para 2,50%, repetindo o aumento acordado em junho.
O Banco Central Europeu (BCE) deverá anunciar um novo aumento nas taxas de juro na quinta-feira, em 25 pontos base e para o limite superior da zona neutra, estimam os analistas, depois da manutenção das taxas diretoras em julho.
O número de empresas constituídas até agosto desceu 3,0% face ao mesmo período do ano passado, enquanto as insolvências cresceram 1,3%, divulgou hoje a Informa D&B.
Os custos de construção nova terão aumentado 6,8% em julho, em termos homólogos, tendo os materiais subido 6,3% e a mão-de-obra 7,3%, de acordo com uma estimativa hoje divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística.
André Ventura anuncia que o CHEGA vai avançar judicialmente contra o Estado para exigir a devolução aos cidadãos dos valores cobrados indevidamente nos combustíveis. A iniciativa surge numa altura em que os preços voltam a disparar: o gasóleo deverá subir 12 cêntimos e a gasolina nove cêntimos por litro esta semana.
Autoridade Tributária já arrecadou mais 37% do que previa receber durante todo o ano de 2026 em juros de mora e compensatórios. Receita disparou 45% face ao mesmo período de 2025 e aproxima-se, em apenas sete meses, do total cobrado em todo o ano passado. Quem deve ao Estado paga uma taxa de 7,221%, mais de três vezes superior à taxa de referência do BCE.
O preço por litro do gasóleo deverá aumentar 15 cêntimos e o da gasolina avançar 12 cêntimos na próxima semana, caso a tendência atual se mantenha, segundo a estimativa do Automóvel Club de Portugal (ACP).