Uma mulher idosa morreu na tarde de quarta-feira, na Quinta do Conde, em Sesimbra, após uma espera prolongada por assistência médica de emergência. O socorro acabou por ser assegurado por uma ambulância dos Bombeiros de Carcavelos, mobilizada a cerca de 35 quilómetros do local da ocorrência, avança a CNN Portugal.
Numa publicação nas redes sociais, os Bombeiros de Carcavelos explicam que, apesar da saída imediata do quartel, a distância entre as duas localidades teve um impacto inevitável no tempo de resposta. A equipa foi acionada para uma situação de paragem cardiorrespiratória, um quadro clínico em que cada minuto é determinante para a sobrevivência.
“Em situações de PCR, por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% das hipóteses de sobrevivência”, sublinham os bombeiros, alertando para a importância crítica da proximidade dos meios de socorro. Mesmo com a melhor preparação técnica e humana, admitem, as limitações geográficas podem revelar-se fatais.
Em declarações à CNN Portugal, o comandante dos Bombeiros de Carcavelos, Paulo Santos, revelou que o pedido de ajuda foi recebido pelas 14h00, tendo a ambulância partido apenas dois minutos depois. Ainda assim, a viatura demorou cerca de 40 minutos a chegar ao local. O responsável confirmou ainda que o envio de ambulâncias da margem norte para ocorrências na Margem Sul tem sido recorrente.
Este caso ocorre poucos dias após a morte de um homem no Seixal, que aguardou cerca de três horas por socorro do INEM. Dois episódios distintos, mas unidos por um mesmo problema: atrasos críticos na resposta da emergência médica. Situações que voltam a colocar no centro do debate público a escassez de meios, a retenção de ambulâncias nas urgências hospitalares e a fragilidade do sistema em momentos decisivos.