Portugal voltou a confrontar-se com um cenário dramático na resposta à emergência médica. Em pouco mais de 24 horas, três pessoas morreram após longos períodos de espera por assistência, em episódios distintos que expõem as fragilidades do sistema pré-hospitalar e a pressão extrema sobre o INEM.
Apesar dos alertas reiterados da Liga dos Bombeiros Portugueses, o Governo optou por não reativar este inverno o plano extraordinário que, no ano passado, reforçou o número de ambulâncias disponíveis para responder ao pico da gripe e à sobrelotação dos hospitais.
Na tarde de quarta-feira, uma mulher com cerca de 70 anos morreu na Quinta do Conde, em Sesimbra, depois de aguardar cerca de 44 minutos por socorro. A ambulância que acabou por prestar assistência veio de Carcavelos, a mais de 40 quilómetros de distância, por falta de meios mais próximos. Bombeiros explicam que, à mesma hora, várias corporações da linha de Cascais estavam mobilizadas para ocorrências na Margem Sul.
No dia anterior, no Seixal, um homem de 78 anos morreu após quase três horas à espera de uma ambulância. O Ministério Público abriu um inquérito ao caso. O INEM reconheceu que o alerta foi acionado, mas não havia viaturas disponíveis no terreno, com várias ambulâncias retidas no Hospital Garcia de Orta, em Almada, devido à falta de camas e à ocupação prolongada das macas nas urgências.
O terceiro episódio ocorreu em Tavira, avançou esta quinta-feira o jornal Expresso. Um homem de 68 anos aguardou mais de uma hora por socorro. A situação foi inicialmente classificada como urgente, mas agravou-se rapidamente para paragem cardiorrespiratória antes da chegada dos meios. Quando a ambulância chegou, já não foi possível reverter o desfecho.
Enquanto estes casos ganhavam dimensão pública, decorria uma reunião entre a Liga dos Bombeiros e o INEM para procurar soluções imediatas. Até ao momento, nem o Ministério da Saúde nem a Direção-Executiva do SNS prestaram esclarecimentos.