“Os viticultores do Douro não podem ser deixados a enfrentar sozinhos consequências que extravasam largamente a sua capacidade individual de resposta”, afirmou este domingo, em comunicado a associação representativa da produção que tem sede no Peso da Régua, distrito de Vila Real.
Na Região Demarcada do Douro (RDD) também a chuva intensa e o vento forte provocaram “prejuízos de grande dimensão” como a perda de terras agrícolas, destruição de vinhas, colapso de muros de xisto (pedra posta), que são um elemento estruturante da paisagem classificada pela UNESCO como Património da Humanidade e a instabilidade das encostas e destruição de infraestruturas tradicionais (danos em linhas de água e caminhos agrícolas).
A Casa do Douro disse que a situação se agrava com “estradas cortadas e acessos impedidos, eventos cancelados (carnaval, dia dos Namorados), e situações em que o “enoturismo está impossibilitado e a comercialização de vinhos paralisada”.
Para a organização, estes prejuízos “comprometem não apenas a campanha vitícola em curso, mas também a viabilidade futura de inúmeras explorações, particularmente as de pequena e média dimensão,” e considerou que “sem apoios urgentes não será possível recuperar o investimento perdido”.
A associação lembrou que “os viticultores encontram-se descapitalizados após anos consecutivos de dificuldades na comercialização de uvas e vinhos”, referiu que o “ano de 2024 foi particularmente trágico, com vinhas por vindimar e entregas sem garantia de pagamento” e que, ”apesar desta situação, os compromissos financeiros com a banca, segurança social, finanças e trabalhadores mantêm-se”.
Disse ainda estar em articulação com o Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP), com a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) e a Comunidade Intermunicipal para avaliar os danos no terreno e criar condições de recuperação.
Mas, defendeu, para que seja possível preparar medidas de apoio ajustadas à realidade do terreno, “é absolutamente essencial” que todos os viticultores afetados procedam, “com urgência”, à declaração dos prejuízos na plataforma disponibilizada pelas CCDR Norte e Centro.
A instituição advertiu que “esta comunicação não constitui, ainda, uma candidatura a financiamento, mas sim uma declaração de ocorrência que será posteriormente validada pelos serviços competentes” e que, “caso existam prejuízos posteriores a declaração, pode ser atualizada com novas ocorrências”.
De acordo com a Casa do Douro “alguns municípios do Baixo Corgo já declararam estado de emergência municipal, o que permite o acesso a medidas imediatas de apoio”, no entanto “apenas pessoas e empresas com sede e atividade nesses municípios podem candidatar-se às ajudas previstas no pacote que está a ser preparado e será lançado nas próximas semanas”.
No entanto, realçou que os “prejuízos afetam todo o território duriense” e que “viticultores de outros municípios da região enfrentam danos igualmente graves, mas ficam excluídos das ajudas por não estarem abrangidos pela declaração de emergência municipal”.
Por isso, reclamou que “todos os viticultores afetados possam aceder ao pacote de ajudas em preparação”, que as “medidas de apoio sejam implementadas com a rapidez” e que “se evite a discriminação entre viticultores da mesma região em função da localização administrativa”.
Reforçou que é fundamental “agilizar o acesso às ajudas para todos os viticultores afetados, independentemente do município” onde têm as suas explorações.
“Não podemos aceitar que viticultores igualmente afetados tenham tratamentos diferentes apenas por questões de fronteiras municipais”, salientou.