A verdade sobre a lei do trabalho que a esquerda não quer ouvir

Portugal não precisa de mais remendos na lei do trabalho. Precisa de coragem política para enfrentar um problema estrutural que se arrasta há décadas, um mercado laboral frágil, salários baixos e um sistema que alterna entre a rigidez ideológica da esquerda e as reformas tímidas de governos sem coragem e incapazes de romper com o passado.

O CHEGA foi claro ao denunciar aquilo que muitos trabalhadores e empresários já perceberam, a chamada reforma laboral apresentada pelo Governo, de forma arrogante como documento já finalizado, não resolve nenhum dos problemas fundamentais da economia portuguesa. Pelo contrário, arrisca-se a agravar a instabilidade, perpetuar a precariedade e continuar a penalizar quem trabalha e quem cria emprego.

Portugal não pode continuar refém de reformas laborais feitas em gabinetes, desenhadas mais para satisfazer agendas ideológicas do que para resolver problemas concretos. O país precisa de uma legislação laboral moderna, equilibrada e capaz de responder aos desafios da economia global, sem cair nos extremos que tantas vezes dominaram este debate.

Depois de meses de negociações falhadas na Concertação Social, ficou evidente que o processo nasceu torto. Quando sindicatos e associações empresariais não conseguem chegar a um entendimento mínimo, isso significa que o diploma apresentado não responde às necessidades reais do país. Nestes casos, a única atitude responsável é simples, parar e começar de novo. Mas começar de novo por onde o governo deveria ter começado, fazer um documento conjunto com quem representa os trabalhadores, os partidos na assembleia da república.

Nenhuma reforma laboral pode transformar a maternidade num risco profissional. Um país que enfrenta uma crise demográfica grave não pode permitir que mulheres sejam penalizadas no mercado de trabalho por quererem ser mães. Defender o trabalho também é defender a família e a natalidade.

Flexibilidade não pode significar arbitrariedade. As empresas precisam de instrumentos para se adaptar à realidade económica, mas os trabalhadores não podem viver permanentemente sob a ameaça da instabilidade ou do despedimento fácil. Uma economia forte constrói-se com equilíbrio, responsabilidade e previsibilidade. Um trabalhador despedido de forma ilícita tem de ter a oportunidade de voltar ao seu local de trabalho, pois caso contrário estamos a desautorizar os tribunais e a premiar a ilicitude.

Em que pais vivemos que não compensa aos trabalhadores trabalharem mais, quer seja por turnos ou em horas extra, pois no fim do mês recebem o mesmo ?

É por tudo isto que o CHEGA afirmou estar disponível para discutir uma verdadeira reforma laboral no Parlamento. Mas discutir seriamente significa abandonar soluções improvisadas e construir um quadro legislativo que sirva simultaneamente trabalhadores, empresas e o futuro económico do país.

Teremos de dizer claramente que Portugal não precisa de uma lei do trabalho feita para agradar a sindicatos radicalizados, que têm uma baixa representatividade e que protegem interesses corporativos. Sindicatos que têm sindicalizados trabalhadores que não representam a maioria dos trabalhadores Portugueses pois são os protegidos pela função publica ou por empresas publicas.

Precisamos de uma lei que coloque o país a crescer, que valorize o mérito, que proteja quem trabalha e que incentive quem investe.

Se o Governo quiser insistir em reformas mal preparadas e sem consenso, continuará a empurrar o país para o mesmo ciclo de estagnação que marcou as últimas décadas. Mas se tiver a humildade de reconhecer que o caminho seguido falhou, então haverá espaço para construir algo melhor.

A verdade é simples, sem uma economia dinâmica não há salários dignos. E sem coragem política continuaremos a discutir os mesmos problemas ano após ano.

Portugal merece mais do que isso.

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