Bruxelas propõe novas receitas de até 36,5 mil ME por ano para orçamento da UE

© D.R.

A Comissão Europeia propôs hoje três novas fontes de receitas para o orçamento europeu baseadas na reafetação dos lucros de grandes grupos empresariais, no regime do comércio de licenças e no mecanismo de ajustamento das emissões de carbono.

No dia em que o executivo comunitário propõe uma revisão do orçamento da União Europeia (UE) a longo prazo, 2024-2027, avança também com uma proposta sobre a “próxima geração de recursos próprios”, através dos quais estima que o bloco comunitário possa contar com pelo menos 24,5 mil milhões de euros por ano a partir de 2024 e 36,5 mil milhões a partir de 2028.

“Uma vez em vigor, este cabaz de novos recursos próprios assegurará um financiamento adequado do orçamento a longo prazo”, salienta a instituição.

Em causa está, desde logo, uma nova fonte de receita baseada nos lucros residuais das multinacionais, que serão reafetados aos Estados-membros da UE ao abrigo do acordo alcançado na OCDE e no G20 sobre os direitos de tributação, o chamado pilar um, de empresas com um volume de negócios global superior a 20 mil milhões de euros e uma rendibilidade superior a 10%.

Previsto está então um novo recurso próprio da UE ligado ao setor empresarial e de cariz temporário, que “não se trata de um imposto sobre as empresas, nem de um aumento dos custos de conformidade das empresas”.

Esta será, antes, uma contribuição nacional paga pelos Estados-membros com base no excedente bruto de exploração (calculado em 0,5%) das sociedades financeiras e não financeiras, para assim “ajudar a equilibrar o cabaz de recursos próprios e a diversificar ainda mais as fontes de receitas do orçamento da UE”, acrescenta Bruxelas.

A partir de 2024, esta nova fonte de receita pode gerar cerca de 16 mil milhões de euros (a preços de 2018) por ano para o orçamento comunitário.

Acrescem duas fontes de receita anteriormente acordadas e agora adaptadas. Uma delas diz respeito ao regime de comércio de licenças de emissão (RCLE), criado para promover a redução das emissões de gases com efeito de estufa através de limites impostos ao volume destes gases, no âmbito do qual as empresas (de setores como centrais elétricas e indústrias, aviação, transporte marítimo e rodoviário e indústrias) podem receber ou comprar licenças.

Lembrando o aumento do preço do carbono para cerca de 80 euros por tonelada de dióxido de carbono (CO2) em 2022, face a 55 euros em 2021, Bruxelas aponta que as receitas dos Estados-membros ao abrigo deste regime duplicaram no espaço de dois anos, pelo que propõe uma mobilização maior para os recursos próprios da UE (de 30% em vez de 25% inicialmente propostos) para gerar sete mil milhões de euros por ano a partir de 2024 e 19 mil milhões de euros por ano a partir de 2028.

Além disso, a Comissão Europeia propõe um “ajuste técnico” ao mecanismo de ajustamento das emissões de carbono nas fronteiras, previsto no pacote de medidas para a transição ecológica Objetivo 55, visando assim gerar receitas de cerca de 1,5 mil milhões de euros por ano a partir de 2028 para o orçamento da UE.

A proposta de hoje será agora discutida pelos Estados-membros, com Bruxelas a apelar a “rapidez” nas discussões.

O orçamento da UE é atualmente financiado por quatro recursos próprios (direitos aduaneiros, IVA, resíduos de embalagens e contribuições dos países).

A introdução de novas fontes de receitas é uma ambição de longa data e permitirá reduzir o peso do Rendimento Nacional Bruto (sendo que cada país contribui de acordo com a sua quota) para as contas comunitárias.

Últimas de Economia

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), juntamente com os Vinhos Verdes, do Douro e do Porto, vai intensificar, durante as vindimas nestas regiões, o controlo à autenticidade e qualidade das uvas, foi hoje anunciado.
A Enxabarda, no Fundão, ganhou nova vida há mais de 20 anos, quando começou a converter mato em pomares de cerejeiras. Com a passagem do fogo, as dezenas de hectares de cerejal ardido tornam o futuro mais difícil.
Uma primavera "bastante chuvosa" e um verão com "vagas de calor" provocaram quebras de "20%" na produção de maçã, em Carrazeda de Ansiães, adiantou à Lusa a Associação de Fruticultores e Viticultores do Planalto de Ansiães.
O Douro deu o arranque à "festa" das vindimas e por toda a região a paisagem pinta-se de gente que culmina um ano de trabalho "mais tranquilo" na vinha e em que se perspetiva um aumento de produção.
O Alentejo está "estupefacto" e "em choque" com a medida aprovada pelo Governo para atribuir aos viticultores do Douro 50 cêntimos por quilo de uva entregue para destilação, afirmou hoje o presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana.
O Tribunal Judicial da Cidade de Maputo (TJCM) decidiu levar a julgamento o banco BCI, subsidiário em Moçambique do grupo português Caixa Geral de Depósitos (CGD), num processo por burla agravada contra um empresário moçambicano.
Em 2024, 5,1% dos portugueses em risco de pobreza não tinham acesso a uma refeição que contivesse carne, peixe ou um equivalente vegetariano, a cada dois dias.
A cotação do barril de Brent para entrega em outubro terminou hoje no mercado de futuros de Londres a subir 1,23%, para os 68,05 dólares.
O diretor de pesquisas do Instituto Alemão de Investigação Económica (Ifo), Klaus Wohlrabe, disse hoje que o mercado de trabalho do país "ainda está estagnado na crise".
Segundo refere a associação em comunicado, citando também dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Banco de Portugal e outras entidades, até ao final de junho, o número de licenças para construção e reabilitação de edifícios habitacionais emitidas aumentou 13,6%, face ao mesmo período de 2024, para um total de 10.262.