Envelhecimento e produtividade são principais riscos para a economia

O Conselho das Finanças Públicas (CFP) alertou hoje que a evolução demográfica e o crescimento da produtividade são os principais riscos macroeconómicos no longo prazo, apontando para uma expansão do PIB de 1,2% ao ano entre 2023 e 2037.

© D.R.

Num relatório sobre os riscos orçamentais para as finanças públicas no longo prazo, divulgado hoje, a instituição presidida por Nazaré da Costa Cabral projeta, entre 2023 e 2037, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) real a uma média de 1,2% por ano, pelo que na ausência de choques, o ritmo de expansão da economia deverá convergir para 0,7% no longo-prazo.

Segundo o CFP, a produtividade total dos fatores deverá ser o principal motor do crescimento económico, “convergindo para um contributo de 0,6 p.p. [pontos percentuais], próximo da sua média histórica”.

De acordo com os cálculos dos técnicos das Finanças Públicas, enquanto o contributo do fator capital deverá ser relativamente estável, o contributo do fator trabalho ser fortemente penalizado pela evolução demográfica, cujas projeções apontam para uma redução de 0,3% ao ano da população em idade ativa.

O CFP aponta ainda a evolução demográfica como um risco para o crescimento da economia e para a sustentabilidade das finanças públicas.

“O envelhecimento da população afeta o crescimento económico, diretamente, via impacto no emprego, decorrente da diminuição esperada da população ativa e também através da alteração dos padrões de poupança e investimento, com impacto nas decisões de consumo e no stock de capital”, refere o relatório, considerando que mesmo com elevada migração a população em idade ativa irá sempre diminuir.

Desta forma, alerta que os cenários demográficos reforçam a importância da produtividade enquanto principal determinante do crescimento económico de longo prazo.

Em termos orçamentais, considera que o peso da receita fiscal e contributiva sobre o produto deverá crescer nos próximos 15 anos, resultado do aumento do peso da generalidade das componentes que integram a receita fiscal e contributiva (tributação direta, indireta e contribuições sociais).

Ainda assim, relativamente à despesa, os encargos associados ao envelhecimento da população, em particular os referentes a pensões e saúde, deverão colocar uma forte pressão sobre o equilíbrio orçamental.

“Por forma a melhor gerir estas pressões, assim como as exigências de investimento, é necessária a implementação de um efetivo sistema de gestão da despesa pública, que hierarquize as prioridades, promova a eficiência nos gastos públicos e possibilite a criação de espaço orçamental para fazer face às crescentes necessidades de investimento em áreas como os cuidados de saúde, defesa nacional e outros riscos fortuitos e/ou condicionais”, recomenda.

Identifica ainda as alterações climáticas como um dos maiores riscos sobre o crescimento económico e sobre as finanças públicas, bem como a despesa associada à defesa nacional e os passivos contingentes.

Últimas de Economia

Abastecer volta a ficar mais caro já na próxima semana, com novos aumentos nos combustíveis, com a gasolina a subir 4,5 cêntimos por litro e o gasóleo a aumentar oito cêntimos por litro, penalizando outra vez quem trabalha, produz e depende do carro para viver, num país onde encher o depósito está cada vez mais próximo de um luxo.
O indicador de confiança dos consumidores caiu em abril para o valor mais baixo desde novembro de 2023, enquanto o clima económico aumentou, depois de ter diminuído em março.
A procura de crédito à habitação e consumo por parte dos clientes particulares aumentou no primeiro trimestre deste ano, segundo o inquérito ao mercado de crédito do Banco de Portugal.
As famílias na zona euro pouparam menos no quarto trimestre de 2025, tendência acompanhada no conjunto da União Europeia (UE), segundo dados divulgados esta terça-feira, 28, pelo Eurostat.
O governador do Banco de Portugal comprou ações da Galp e da Jerónimo Martins já no exercício de funções, mas acabou obrigado pelo Banco Central Europeu (BCE) a desfazer os negócios por violarem as regras impostas ao cargo.
O CHEGA quer a administração da TAP no Parlamento para explicar uma nova sucessão de falhas na companhia, entre indemnizações polémicas, aviões parados e riscos financeiros que continuam a levantar dúvidas sobre a gestão da transportadora.
O valor mediano de avaliação bancária na habitação foi de 2.151 euros por metro quadrado em março, um novo máximo histórico e mais 16,5% do que no mesmo mês de 2025, divulgou hoje o INE.
O número de trabalhadores em 'lay-off' subiu 6,6% em março, em termos homólogos, e avançou 4,8% face a fevereiro, interrompendo um ciclo de três meses consecutivos em queda, segundo os dados divulgados pela Segurança Social.
O preço mediano dos alojamentos familiares transacionados em Portugal aumentou 16,8% em 2025 face ao ano anterior, situando-se nos 2.076 euros por metro quadrado (€/m2), divulgou hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE).
Os juros da dívida portuguesa subiam hoje a dois, a cinco e a 10 anos face a quinta-feira, alinhados com os de Espanha, Grécia, Irlanda e Itália.