Maioria parlamentar rejeita amnistia por ocasião dos 50 anos do 25 de Abril

A maioria parlamentar rejeitou hoje uma amnistia no âmbito dos 50 anos do 25 de Abril, solicitada numa petição à Assembleia da República e apoiada por um projeto de lei do BE, que exclui os crimes graves.

©D.R.

A petição, promovida pela Obra Vicentina de Auxílio aos Reclusos (OVAR) e a Associação Portuguesa de Apoio ao Recluso (APAR), visa um perdão de penas e recolheu mais de 11.000 assinaturas até 07 de maio de 2024.

No documento entregue no parlamento, refere-se que em 1974 havia “menos de 3.000 reclusos” nas prisões portuguesas. “Atualmente temos mais de 12.000 pessoas nas prisões, a que se adiciona cerca de 30.000 pessoas em cumprimento de penas e medidas na comunidade”, lê-se no texto.

Os peticionários denunciam “condições desumanas” nas prisões em Portugal, bem como “um excessivo tempo médio” de cumprimento de pena, que afirmam ser “mais do triplo da média dos países da União Europeia”.

O projeto de lei do Bloco de Esquerda (BE) excluía infrações graves, como “crimes violentos, crimes contra a vida, a liberdade e a autodeterminação sexual, a violência doméstica, a corrupção ou o terrorismo”.

Excluía também pessoas que já beneficiaram de amnistia.

O BE alegou, na fundamentação, que nos últimos 40 anos foram várias as efemérides que levaram à aprovação de amnistias, desde visitas de papas, a aniversários do 25 de Abril, e mais recentemente a Jornada Mundial da Juventude, em 2023, com a presença do Papa Francisco.

A iniciativa do BE contemplava o perdão de um ano de pena de prisão a todas as penas de prisão até oito anos e também as penas de multa até 120 dias, a título principal ou em substituição de penas de prisão.

A deputada Inês Sousa Real, do PAN, defendeu no debate que estão em causa direitos humanos e alegou que a reinserção social tem falhado “de forma flagrante”, com a reincidência a ser “uma marca” do sistema português.

Para a Iniciativa Liberal (IL), as amnistias frequentes desautorizam o poder judicial e o legislador. “O espaço e o tempo de uma amnistia estão esgotados com a visita do Papa Francisco e por muitos anos”, disse o deputado Rui Rocha, ao manifestar a posição do partido: “Não estamos disponíveis para viabilizar”.

O PSD, através de uma intervenção de Eva Pinho, anunciou igualmente que não acompanha a petição e recordou que foi recentemente aprovada uma amnistia.

A deputada Patrícia Faro, do PS, lembrou que a medida não é inédita e recordou as anteriores amnistias, nomeadamente por ocasião do 20.º e do 25º aniversário do 25 de Abril. “Entendemos e subscrevemos o simbolismo de assinalar os 50 anos do 25 de Abril através de um ato reintegrador, que representa também um compromisso com os princípios de justiça”, afirmou.

O PCP não recusou a possibilidade de um perdão de penas, mas centrou o debate nos problemas do sistema prisional, para o qual reclamou “um investimento sério”, pela voz da deputada Paula Santos.

Na opinião do CDS, os problemas do sistema prisional não se resolvem soltando os presos, vincou o deputado João Almeida, ao discordar da pretensão dos peticionários.

O CHEGA anunciou que não podia estar mais em desacordo com a amnistia. “Não é o criminoso que merece solidariedade do Estado”, disse o deputado Nuno Gabriel.

Já o deputado do Livre Paulo Muacho defendeu que as prisões não podem ser depósitos de pessoas e alegou que está também em causa a prevenção da criminalidade: “O sistema prisional pune, mas também deve reinserir”.

Últimas de Política Nacional

O CHEGA tentou levar o ministro da Economia e da Coesão Territorial ao Parlamento para explicar o acordo político entre PSD e PS sobre as CCDR. Os dois partidos uniram-se para travar o escrutínio e impedir esclarecimentos sobre um entendimento que decide lideranças regionais à porta fechada.
O candidato presidencial André Ventura desafiou hoje o seu adversário, António José Seguro, para três debates durante uma campanha para a segunda volta e acusou o socialista de “querer fugir” à discussão por “medo do confronto”.
O candidato presidencial e líder do CHEGA, André Ventura, considerou que só perderá a segunda volta das eleições presidenciais "por egoísmo do PSD, da Iniciativa Liberal ou de outros partidos que se dizem de direita".
O candidato presidencial e líder do CHEGA, André Ventura, pediu no domingo aos eleitores para que “não tenham medo da mudança” e disse ser uma “escolha segura” para o país, ao contrário do socialista António José Seguro.
António José Seguro e André Ventura foram os vencedores da primeira volta das presidenciais de domingo, marcando presença na disputa de 08 de fevereiro, numa eleição em que Luís Marques Mendes registou para o PSD o pior resultado de sempre em atos eleitorais.
O candidato presidencial André Ventura afirmou que irá agregar a direita a partir de hoje, face às projeções que indicam uma segunda volta das eleições entre o líder do CHEGA e António José Seguro, apoiado pelo PS.
O secretário-geral do CHEGA, Pedro Pinto, hoje que o país está perante “uma noite histórica” e manifestou-se confiante na passagem de André Ventura na segunda volta das eleições presidenciais contra António José Seguro.
A influência às urnas para a eleição do próximo Presidente da República situava-se, até às 16h00 de hoje, nos 45,51%, segundos dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, acima do que se registou nas últimas eleições.
O candidato presidencial e líder do CHEGA, André Ventura, hoje que a campanha pôde ter sido mais esclarecedora mas apelou aos portugueses para que se mobilizassem e aproveitassem o “dia fantástico” para votar.
Mais de 11 milhões de candidatos são hoje chamados a escolher o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa, numas eleições para a Presidência da República muito disputadas e com registo de 11 candidatos.