ONU considera “altamente improvável” erradicar pobreza extrema até 2030

A ONU considera "altamente improvável" erradicar a pobreza extrema até 2030 devido à lenta recuperação dos impactos da pandemia da covid-19, à instabilidade económica, aos choques climáticos e ao crescimento lento na África Subsaariana, segundo um relatório hoje divulgado.

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A erradicação da pobreza é o primeiro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas (ONU) – cujo prazo de alcance está fixado em 2030 – e visa acabar com a pobreza em todas as suas formas e em todos os lugares.

Contudo, segundo o relatório anual sobre o progresso nos ODS, hoje apresentado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, a meta de 2030 está cada vez mais longe de ser alcançável, com uma em cada 10 pessoas em todo o mundo a viver atualmente na pobreza extrema.

A ONU estima que este ano 808 milhões de pessoas viverão em extrema pobreza – acima da previsão anterior de 677 milhões de pessoas – representando 9,9% da população mundial, ou uma em cada 10 pessoas.

Mais de três quartos da população global em pobreza extrema viverão na África Subsaariana ou em países frágeis e afetados por conflitos, frisa.

Em relação à meta do ODS de reduzir pela metade as taxas nacionais de pobreza até 2030, projeta-se que todas as regiões apresentarão um declínio nas taxas médias nacionais de pobreza.

No entanto, apenas um em cada cinco países está a caminho de atingir a meta de reduzir pela metade a sua taxa nacional de pobreza até 2030.

As crises recentes paralisaram o progresso, com o fardo a recair fortemente sobre a África Subsariana e as regiões afetadas por conflitos.

Sem uma aceleração significativa dos esforços, 8,9% da população mundial ainda viverá em pobreza extrema até 2030, abaixo do limiar internacional de pobreza revisto.

Pela primeira vez desde que há registo, mais de metade da população mundial recebe agora pelo menos uma forma de proteção social. Apesar deste marco, 3,8 mil milhões de pessoas continuam sem cobertura, sublinhou a ONU no relatório.

Os Governos estão a gastar mais em educação, cuidados de saúde e proteção social, mas as economias dos mercados emergentes e em desenvolvimento continuam atrasadas em relação às economias avançadas na alocação de recursos para estes serviços essenciais.

“Um mundo sem pobreza exigirá ações urgentes para aumentar a cobertura da proteção social nos países em desenvolvimento, colmatar lacunas de despesa em serviços essenciais e direcionar recursos para as populações mais vulneráveis”, realça.

Erradicar a fome em todo o mundo é igualmente um dos ODS adotados por todos os Estados-membros das Nações Unidas em 2015.

Porém, a fome global tem aumentado acentuadamente desde 2019 e mantém-se persistentemente elevada.

Cerca de uma em cada 11 pessoas no mundo enfrentou fome em 2023, enquanto mais de dois mil milhões experienciaram insegurança alimentar moderada a grave, estima-se no relatório.

Ainda em 2023, a fome afetou 9,1% da população global (entre 713 e 757 milhões de pessoas), acima dos 7,5% de 2019.

A África Subsariana foi a região com a maior taxa de fome (23,2% da população), enquanto o sul da Ásia continuou a acolher o maior número de pessoas a enfrentar fome (281 milhões).

O investimento público agrícola está a aumentar, atingindo os 701 mil milhões de dólares (600,5 mil milhões de euros) em 2023, mas o índice de orientação agrícola continua a cair, indicando uma desconexão entre o investimento e a importância do setor, explicou a ONU.

No geral, o relatório hoje divulgado conclui que o mundo está a avança a um ritmo insuficiente para atingir os ODS até 2030, sendo que apenas 35% das metas registaram progressos moderados.

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