França lança apelo por testemunhas em caso de abusos sexuais contra 89 menores

As autoridades francesas lançaram hoje um apelo por testemunhas depois de terem acusado um ex-professor de 79 anos de violação agravada e abuso sexual contra 89 menores em vários países entre 1967 e 2022.

© D.R.

O procurador de Grenoble, Étienne Manteaux, tornou público o nome do suspeito, Jacques Leveugle, nascido em 1946 em Annecy, para permitir que potenciais vítimas se apresentem.

Leveugle foi acusado e colocado em prisão preventiva em fevereiro de 2024 por crimes de violação e abuso sexual de menores ao longo de 55 anos, tendo posteriormente passado a estar sob estrita supervisão judicial.

Segundo o procurador, o arguido violou as medidas impostas e encontra-se novamente em prisão preventiva desde abril de 2025.

Os alegados crimes foram cometidos na Alemanha, Suíça, Marrocos, Níger, Argélia, Filipinas, Índia, Colômbia e França, bem como na Nova Caledónia, território francês no Pacífico.

De acordo com o Ministério Público, o suspeito deslocava-se para diferentes países onde se estabelecia para trabalhar ou dar explicações como professor, contexto em que conhecia jovens e mantinha relações sexuais com eles.

O número de vítimas foi apurado com base em documentos guardados numa pen drive, nos quais o arguido descrevia “relações sexuais” com menores entre os 13 e os 17 anos.

A pen drive foi descoberta por um sobrinho, que manifestava dúvidas sobre a vida emocional e sexual do tio, acrescentou Manteaux.

Questionado sobre a razão pela qual o caso não foi divulgado aquando da acusação, o procurador afirmou tratar-se de “um caso algo único”, sublinhando que as autoridades quiseram primeiro confirmar a veracidade dos factos.

Segundo Manteaux, a investigação enfrentou um obstáculo significativo devido à existência de apenas alguns primeiros nomes registados há cerca de 40 anos, o que impediu a identificação completa das vítimas.

Durante a investigação, o arguido confessou ainda os homicídios da mãe e da tia, crimes cometidos nas décadas de 1970 e 1990.

Foi aberta uma investigação separada da relativa às violações e agressões sexuais para estes dois atos, “também plenamente reconhecidos e admitidos” pelo arguido, que “justifica as suas ações dizendo que gostaria que alguém lhe tivesse feito o mesmo se estivesse naquela situação terminal”, segundo o procurador.

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