Deputados constituintes abandonam galerias do Parlamento durante discurso de Ventura

Referências às FP-25 e acusações sobre a Constituinte levam antigos deputados da extrema-esquerda e da esquerda a sair do hemiciclo em protesto. "Essa é a verdade! Não vale a pena sair porque a verdade continuará a ser dita da mesma forma", diz o presidente do CHEGA quando começam a abandonar a sala.

© D.R.

Vários deputados constituintes abandonaram o hemiciclo esta quinta-feira, durante a intervenção de André Ventura no Parlamento, num momento de tensão política nas comemorações dos 50 anos da Constituição.

A saída ocorreu após o líder do CHEGA ter dedicado o início do seu discurso às FP-25 e aos acontecimentos do período pós-25 de Abril, falando em “presos sem mandato” e “mortos pelas FP25” que “foram assassinados por grupos terroristas patrocinados por muitos desses deputados da Constituinte”.

Durante a intervenção, Ventura sublinhou que “não é correto dizer que a Constituição de 1976 pôs fim a um sistema de violência que não voltou a ocorrer”, acrescentando que “o CHEGA honra a história de Portugal ao não permitir que os assassinatos das FP-25 caiam no esquecimento”. Defendeu ainda que “não é aceitável admirar terroristas de extrema-esquerda responsáveis por assassinatos”, insistindo na necessidade de uma leitura mais abrangente da história recente.

O líder do CHEGA referiu também que “os netos de Abril deviam saber que houve pessoas assassinadas sem razão”, bem como que “não esquecemos todos os que foram expropriados, sem lei e sem razão”. Na mesma linha, afirmou que “aqueles que cometeram crimes na pátria portuguesa não podem ser apagados da memória coletiva”.

“Essa é a verdade! Não vale a pena sair porque a verdade continuará a ser dita da mesma forma”, diz Ventura quando deputados da Constituinte começam a abandonar a sala.

Entre os convidados que deixaram a sala encontram-se Jerónimo de Sousa e Helena Roseta, ambos ligados à Assembleia Constituinte de 1975-1976, numa saída que marcou o ambiente no plenário durante a intervenção.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA, André Ventura, considerou esta sexta-feira que a proposta de lei do Governo para alterar a lei laboral "é má" e, como está, "não deve ser aprovada", mas indicou que mantém a disponibilidade para negociar.
Enquanto fotografava eventos e iniciativas do CDS, Isabel Santiago surgia também associada a funções remuneradas em estruturas públicas ligadas ao partido.
Foram várias as ameaças de morte que André Ventura, líder do CHEGA, recebeu nas redes sociais, após publicar um vídeo sobre a fuga de um detido do Tribunal de Ponte de Sor e a alegada emboscada montada à GNR para facilitar a evasão.
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu o encerramento de esquadras da PSP em Lisboa, numa decisão que está a gerar preocupação sobre o futuro da segurança nas grandes cidades.
A guerra interna no PSD na freguesia das Avenidas Novas, em Lisboa, voltou a rebentar e já ameaça provocar uma crise política sem precedentes numa das maiores juntas da capital. Um acordo promovido por Carlos Moedas e pela liderança distrital do PSD durou apenas 10 dias antes de colapsar em acusações mútuas, suspeitas de favorecimento e denúncias de “tachos” para familiares.
O CHEGA leva esta quinta-feira ao Parlamento um conjunto de propostas centradas no reforço da autoridade das forças de segurança, na proteção dos agentes policiais e no combate à criminalidade, depois de o partido ter fixado a ordem do dia no debate parlamentar.
A Polícia Judiciária realizou esta quinta-feira uma operação de buscas relacionada com suspeitas de corrupção em concursos públicos para aluguer de helicópteros de combate a incêndios. Entre os alvos está Ricardo Leitão Machado, cunhado do ministro da Presidência, António Leitão Amaro.
José Sócrates, antigo primeiro-ministro socialista, vai começar a ser julgado esta quinta-feira no Tribunal Administrativo de Lisboa no âmbito da ação em que exige uma indemnização ao Estado português devido à duração do processo Operação Marquês.
O líder do CHEGA disse esta terça-feira que terá sido por pressão do PS que o presidente do Tribunal Constitucional comunicou a decisão de renunciar às funções e defendeu que o parlamento deve marcar já a eleição dos novos juízes.
O presidente do CHEGA criticou hoje o PSD por inviabilizar uma comissão de inquérito à Operação Influencer com "motivos fúteis" e perguntou de que "tem medo" o partido de Luís Montenegro, reiterando que a forçará a partir de setembro.