21 Maio, 2024

O grasnar de certos jumentos

Li numa publicação de um qualquer pasquim, declarações de um cidadão, a quem um dia disseram saber cantar, ser já altura de mudar a letra e música do Hino Nacional por ser muito bélico.

Pergunto-me até onde chegará este País. Dá-me a idade bem como o passado, de que me orgulho de ter vivido, de me revoltar perante tamanha atoarda, direi mesmo, blasfémia de alguém que se diz cantor e/ou compositor.

Sou ex-combatente do Ultramar, do qual me orgulho de ter sido, que sob a Bandeira Nacional, hoje vilipendiada, cantar em sentido com o respeito que devia, o Hino Nacional. Andei pelas matas de Moçambique, exatamente na altura em que começava uma carreira professional. No entanto não fugi ao meu dever e agora alguns traidores à pátria sagrada chamam-me assassin. Pergunto para e porquê? Talvez para que corruptos e ladrões enriqueçam à conta de todos os nós, povo simples e honesto, que toda a vida lutou e trabalhou para que nada faltasse à mesa dos seus.

Que fazem aquela mais de centena de deputados, a maioria nunca tendo feito nada para além de serem maus políticos? Corruptos alguns, que nem o seu país defendem como é seu dever, como os nossos antecessores galhardamente o fizeram, defendendo apenas os seus bolsos.

Mudar o nosso Hino Nacional? Como podem ser tão néscios? Está reconhecido ser a composição de Alfredo Cristiano Keil um dos hinos mais belos do mundo inteiro. Bélico! Que raio percebe de belicismo este amador ou pseudo-músico para lançar tanta bacorada da boca para fora?

Sim, sou mais um ex-combatente que chora por dentro ao ver o estado a que chegou este desgraçado País, minha Pátria, que outrora foi chamado a defender. Não, não fugi, como milhares de companheiros o não fizeram, também chamados ao mesmo e que hoje estão esquecidos pelos progressistas que não sabem, nem nunca saberão, o que é receber uma notícia que um amigo e companheiro de escola tinha sido morto numa emboscada! Nunca saberão esses bem falantes políticos com assento numa casa que queremos chamar de nossa, mas que serve apenas para encapotar toda a miséria de corrupção que nela existe, o que era receber a notícia de que um companheiro havia ficado sem uma perna ou duas devido ao rebentamento de uma mina.

Meus caros e importantes deputados, é muito bom “botar” discurso, que a maioria do povo não entende, ou fazer vista grossa ao “grasnar” de certos jumentos que, por serem figuras públicas, deviam pensar com a cabeça e não destilar apenas veneno.

Sim, sou um ex-combatente do Ultramar. Se for preciso voltar a lutar, hoje com setenta anos, para defender a minha bandeira e o meu Hino Nacional, fá-lo-ia sem reservas ou complexos, fazendo exatamente o que fiz outrora. Chamem-me de tudo o que quiserem, não me chamem nunca de traidor, pois isso jamais serei.

Também quem ouve um deputado da Nação, portador de uma responsabilidade acrescida pela sua posição, referir que havia que deitar abaixo o monumento aos descobrimentos, por ser do tempo colonial, decerto não se espanta destas atoardas mais “intelejumentes”.

Álvaro Abreu

(Antigo Combatente do Ultramar)

Folha Nacional

Folha Nacional

Folha Nacional

Ficha Técnica

Estatuto Editorial

Contactos

Newsletter

© 2023 Folha Nacional, Todos os Direitos Reservados