24 Maio, 2024

“O combate hoje é contra a censura e a tiranização da sociedade que está subjugada às minorias”

© Folha Nacional

O vice-presidente do Partido CHEGA nasceu na cidade de Lisboa em 1952. Tinha apenas 43 anos quando foi nomeado embaixador, à época para a Bósnia, tornando-se, desta feita, no mais jovem de sempre a ser apontado a tão importante cargo diplomata. É adepto do Sporting Clube de Portugal e tem na prática de vela o seu maior hobbie.

O Sr. Embaixador tem um longo percurso na carreira diplomática. Qual foi a missão que mais o marcou?

Todas as Missões me marcaram, embora de formas diferentes, e foram 12 a vários títulos. A escolher uma, talvez a de Embaixador na Jugoslávia, marcada pelos bombardeamentos no Kosovo, Sérvia e Montenegro, pela queda de Milosevic e pela negociação do Pacto de Estabilidade para os Balcãs Ocidentais, eventos em que participei ativamente, não só porque tínhamos a presidência da UE, como os grandes países – EUA, França, Reino Unido e Alemanha – cortaram relações diplomáticas com Belgrado, recaindo sobre Portugal a responsabilidade de os representar nas negociações.

Nas últimas semanas foi noticiada a existência de um balão espião chinês a sobrevoar os EUA. A ser verdade, que implicações isto pode trazer?

Os EUA não divulgaram o relatório sobre quais as valências dos balões, o que torna difícil fazer uma análise informada. Mas, quer chineses, quer americanos possuem meios sofisticados de espionagem, como satélites, redes de internet poderosas, meios eletrónicos, aviões de grande altitude, etc., pelo que balões não serão necessariamente meios de espionagem sofisticados. De qualquer forma, seja qual for a origem dos objetos, não me parece que constituam grande fonte de tensão, sendo talvez um incidente criado para desviar atenções de acontecimentos bem mais graves, como o descarrilamento de vários comboios, desde o início do ano nos EUA, alguns com produtos muito tóxicos.

A União Europeia apresenta-se como uma organização de futuro e exemplar, mas no ano passado vieram a público grandes casos de corrupção no Parlamento Europeu.

Infelizmente não foram os primeiros, embora talvez os mais noticiados, devido à mediatização do evento que originou esses casos e que se prendem com o Campeonato do Mundo de Futebol. Como se sabe, uma das principais bandeiras do é o combate à corrupção, seja qual for e onde for. O Parlamento Europeu não é exceção e será aí que o CHEGA, após as eleições europeias, terá uma atitude firme e decisiva nesta matéria.

Temos assistido ao crescimento dos partidos patriotas europeus (Fratelli d’Italia, Rassemblement National, VOX). Como vê esta mudança no paradigma eleitoral?

As pessoas perceberam que o discurso “direita/esquerda” é apenas uma arma dissimulada dos partidos e movimentos de raiz marxista para condicionar os ditos “de direita”, acusando-os de visarem o progresso económico, esquecendo os cidadãos. Embora completamente errada e distorcida, esta tese, baseada na teoria catastrófica de Karl Marx, já não consegue esconder que o verdadeiro combate é entre liberdade e totalitarismo, entre os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos face à opressão, à censura, à tiranização da sociedade e ao domínio das minorias, tirando o poder ao povo e colocando-o nas mãos de uma minoria globalista que, essa sim, não respeita as pessoas. É isto que as pessoas estão a compreender e, por isso, começam a combater o sistema e as pseudo-elites políticas saídas das máquinas partidárias totalmente sujeitas à Agenda 2030.

A Europa registou, no ano passado, um número recorde de entrada de imigrantes ilegais. Concorda com a política de ‘portas abertas’?

Considero essa política não só totalmente errada, como ilegal. Errada porque está a descaracterizar a civilização ocidental, herdeira dos valores da Antiguidade e, mais recentemente, judaico-cristãos. Por outro lado, a maioria desses imigrantes ilegais têm como objetivo viver à conta das seguranças sociais dos vários países europeus, para as quais nunca contribuíram. É verdade que é preciso e é positivo qua haja imigração na Europa, mas devidamente controlada e assente em princípios que passem pelo respeito da cultura, tradição e modo de vida dos países que a acolhem. E é ilegal porque desrespeita os Acordos de Schengen de que Portugal é fundador e configura um total desrespeito pelos compromissos assumidos por Portugal e que em nada abona a nossa credibilidade.

Muito se tem especulado se António Costa se prepara ou não para assumir um cargo na UE. Como vê esta possibilidade?

Confesso que, a ser verdade, significaria que a UE estaria a hipotecar a sua credibilidade e, eventualmente, o seu futuro.

Ficou surpreendido quando o Presidente do CHEGA o convidou para integrar a Direção Nacional do partido? O que o levou a aceitar o convite?

De princípio sim. Nesta fase da minha vida não tenho ambições de realização, pois o meu passado fala por si. Quando o convite foi feito pelo Presidente André Ventura não hesitei. Não o conhecia, mas gostava dele e do projeto que apresentava. Creio que André via em mim alguma experiência e confiava na minha capacidade de negociação, demonstrada ao longo de 40 anos a servir Portugal e os Portugueses com todo o empenho e dedicação. Hoje construímos uma relação de confiança e de amizade que vai muito além das funções que desempenho e que, aliás, estarão sempre à disposição do Presidente. Ser Vice-Presidente do CHEGA, no meu caso, não é um objetivo ou uma ambição: é um meio de servir o país. E é um orgulho e uma honra estar ao lado de André Ventura a construir um futuro melhor para Portugal.

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