TAP: CHEGA fará queixa ao Ministério Público se Governo não enviar parecer

© Folha Nacional

O presidente do CHEGA afirmou hoje que vai entregar uma denúncia no Ministério Público caso o ministro das Finanças continue a recusar entregar à comissão de inquérito o parecer sobre a demissão por justa causa da CEO da TAP.

André Ventura falava aos jornalistas no parlamento no dia em que o PSD acusou o Governo de “atuar à margem da lei” por recusar enviar à comissão de inquérito à TAP os pareceres que deram “respaldo jurídico” à demissão da CEO por justa causa, tendo pedido uma reunião urgente para hoje.

“O CHEGA deu entrada há minutos de um requerimento a expor ao presidente da comissão de inquérito a inadmissibilidade da decisão de não entregar documentos pedidos por uma comissão de inquérito, a vergonhosa tentativa de proteger o senhor ministro das Finanças das decisões que se calhar erradamente tomou ou pelo menos sem respaldo”, anunciou.

No entanto, o presidente do CHEGA alertou Fernando Medina que “se não entregar pedidos pela comissão de inquérito à TAP”, o seu partido “entregará uma denúncia no Ministério Público, estando em causa o crime de desobediência”, uma vez que este pedido “está no âmbito da comissão e a comissão tem direito a pedir os documentos que entender para fazer o seu trabalho de investigação”.

“Se o governo insistir em não entregar esses documentos tentando proteger o ministro das Finanças, o CHEGA levará ao Ministério Público esta situação para que dê prosseguimento pelo crime de desobediência ao senhor ministro das Finanças por recusar-se a entregar documentos de natureza governativa, pública a uma comissão de inquérito”, enfatizou.

Outro dos temas abordados por André Ventura – e que já tinha anunciado que levaria à audiência que pediu ao Presidente da República e que decorrerá esta tarde – foi relativamente ao processo sobre o cargo de Procurador Europeu, do qual Ivo Rosa desistiu hoje da sua candidatura, uma decisão que chegou pouco antes da sua audição na Assembleia da República que seria esta manhã.

“O escandaloso neste caso foi que Ivo Rosa seja nomeado ou proposto pelo Governo. Foi assim que todos os deputados receberam a proposta de audição para esta manhã na comissão de Assuntos Europeus e foi desta forma foi apresentado”, disse, considerando que “esta proposta do Governo a um magistrado que teve tanta interferência em processos onde estiveram envolvidos socialista e ex-socialistas lança um anátema de vergonha sobre muitos magistrados sérios”.

Para o presidente do CHEGA, “esta promiscuidade parece verdadeiramente o pagamento de um prémio ou o pagamento de uma compensação a um magistrado”.

“Seja ou não seja, eu acho que esta proposta do Governo lança um clima de suspeição sobre estas decisões do magistrado Ivo Rosa e há de certeza hoje centenas de magistrados que estão indignados com esta proposta do Governo”, disse.

O processo de nomeação para o cargo de procurador europeu prevê que o Conselho Superior da Magistratura (CSM) e o Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) selecionem e indiquem ao Governo os candidatos. Os nomes escolhidos são então sujeitos a audição no parlamento e são posteriormente enviados ao Conselho da União Europeia para serem novamente ouvidos.

A indicação de um sucessor para o cargo atualmente ocupado pelo procurador José Guerra tem estado envolta em polémica entre o Governo e os dois órgãos que indicam magistrados, depois de estes terem recusado acatar a possibilidade aberta por um parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR), que admitia que estes dois organismos pudessem endereçar convites a magistrados para concorrerem ao cargo.

Ambos os conselhos superiores recusaram endereçar convites, tendo o CSM apenas limitado a sua insistência na busca por mais candidatos a uma publicitação do concurso e extensão do prazo para candidaturas à sucessão de José Guerra na Procuradoria Europeia, enquanto o CSMP rejeitou a abertura de um novo concurso para o cargo.

Últimas de Economia

O número de empresas constituídas até abril recuou 4,6% face aos primeiros quatro meses do ano passado, enquanto as insolvências subiram quase 8% no mesmo período, divulgou hoje a Informa D&B.
O cabaz essencial de 63 produtos, monitorizados pela Deco Proteste, voltou a subir esta semana para 261,89 euros, mais 3,37 euros do que na semana passada, atingindo o valor mais elevado desde 2022.
Em cada conta da luz e do gás, há uma parte que já não aquece, não ilumina e não alimenta, serve apenas para engordar a carga fiscal. Portugal continua entre os países que mais taxam a energia na Europa.
Os consumidores contrataram em março 944 milhões de euros em crédito ao consumo, valor mais alto de sempre e mais 24,1% que há um ano, enquanto o número de contratos subiu 11,3% para 161.983, divulgou hoje o BdP.
A inflação homóloga da OCDE subiu para 4,0% em março, contra 3,4% em fevereiro, impulsionada por um aumento de 8,6 pontos percentuais da inflação da energia, foi hoje anunciado.
Comprar casa em Portugal exige hoje muito mais do que trabalhar: exige rendimentos que a maioria já não tem. Um novo estudo da CBRE mostra que o fosso entre salários e preço da habitação continua a aumentar e está a afastar milhares de famílias do mercado.
Portugal registou, no segundo semestre de 2025, o segundo maior valor da União Europeia (UE) dos preços do gás doméstico (17,04 euros por 100 kwh), expresso em paridade de poder de compra (PPC), divulga hoje o Eurostat.
A dívida pública na ótica de Maastricht, a que conta para Bruxelas, aumentou para 91,0% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre deste ano, mais 1,3 pontos percentuais face ao final de 2025, divulgou hoje o BdP.
Portugal é o quinto país da UE com a carga horária semanal mais elevada, numa média de 39,7 horas por semana, só ultrapassado pela Grécia, Polónia, Roménia e Bulgária, indica uma análise da Pordata.
Os preços dos combustíveis em Portugal vão voltar a subir na próxima semana com o gasóleo simples a aumentar em média 10 cêntimos por litro e a gasolina 95 a encarecer 6,5 cêntimos.