Alteravam margem do IVA em cadeia para baixar preço de carros importados

©facebook/pjudiciaria

A alegada rede criminosa que terá lesado o Estado em 5,6 milhões de euros na importação de automóveis alterava as margens de IVA em cadeia até chegar ao preço final, explicou hoje o diretor Norte da Polícia Judiciária.

“Há aqui uma cadeia de transações do mesmo bem, por diversas sociedades, em que numa primeira transação havia o regime normal de IVA, depois alterado para o regime de margem, e com isso conseguindo uma descida do valor”, explicou aos jornalistas o diretor da Diretoria do Norte da Polícia Judiciária (PJ), Pedro Machado, em conferência de imprensa, no Porto.

O regime de margem IVA é um regime opcional de tributação que se aplica a revendedores de artigos, incluindo ‘stands’ de automóveis ou lojas de antiguidade.

A PJ anunciou hoje a detenção de 16 pessoas, a nível nacional, suspeitas de integrarem uma rede criminosa que terá lesado o Estado em 5,6 milhões de euros na importação ilegal de milhares de viaturas.

Pedro Machado acrescentou esta tarde que, no decorrer das ações de hoje, aos 16 detidos anunciados juntou-se mais um, totalizando em 17 o número de pessoas detidas na operação intitulada Auto Evasão.

De acordo com Pedro Machado, nesta investigação “todas as empresas são empresas de fachada, que são constituídas e depois desaparecem”.

As aquisições dos veículos eram “feitas através de ‘sites’ estrangeiros de venda de automóveis” e depois vendidas em ‘stands’ (que também foram alvos de buscas) a preços mais baixos que o suposto, com pagamento de menos impostos que os devidos.

Já os lucros obtidos com a adulteração do regime de IVA aplicável eram, segundo o Diretor Norte da PJ, aplicados “na aquisição de imóveis e também na promoção da atividade deste grupo”.

Em comunicado, a PJ, através da Diretoria do Norte, em articulação com a Autoridade Tributária e Aduaneira — Direção de Finanças do Porto, diz que realizou uma operação para cumprimento de mandados de detenção e de buscas domiciliárias e não domiciliárias, pela presumível prática dos crimes de fraude fiscal qualificada, branqueamento, falsificação de documentos, falsidade informática, acesso ilegítimo, corrupção e associação criminosa.

Na operação foram detidas 16 pessoas e realizadas 89 buscas nos concelhos do Porto, Paços de Ferreira, Paredes, Lousada, Penafiel, Amarante, Famalicão, Guimarães, Vila Real, Chaves, Montalegre, Murça, Peso da Régua, Santa Maria da Feira, Faro, Albufeira, Portimão e Olhão.

Entre os detidos, com idades entre os 35 e os 50 anos, estão cinco empresários do ramo automóvel, dois contabilistas certificados e um funcionário da Autoridade Tributária e Aduaneira.

A PJ acrescenta que, “instrumentalmente, esta organização criminosa falsificou ainda documentos e introduziu e modificou dados informáticos”.

No decurso das diligências foram apreendidos 28 automóveis, equipamento informático, duas armas de fogo, dinheiro em numerário e documentação diversa com possível alcance probatório.

Os detidos vão ser presentes ao Tribunal de Instrução Criminal do Porto para primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coação.

O inquérito é titulado pelo Ministério Público – DIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal) do Porto.

Na operação participaram investigadores e peritos de diversos departamentos da PJ, além de elementos da Autoridade Tributária e Aduaneira.

Últimas do País

A presidente do Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) acusou a ministra da Saúde de não cumprir a promessa sobre o INEM, referindo que o instituto está com menos de 30 médicos no quadro quando estão previstos 70 lugares.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve uma mulher com um mandado de detenção internacional para cumprimento de uma pena de nove anos e quatro meses por associação criminosa e tráfico de droga, segundo informação divulgada hoje.
O Tribunal de Aveiro condenou hoje dois arguidos, pai e filho, a penas de cinco anos e meio e sete anos de prisão por vários roubos violentos a idosos ocorridos em 2024 e 2025.
O CHEGA pediu, a 14 de outubro, a presença urgente do ministro da Agricultura no Parlamento, após a deteção do vírus 'Shamonda' em seis explorações bovinas portuguesas. Oito dias depois, França confirmou o primeiro caso conhecido de infeção humana, num doente que morreu no início do mês.
Dois equatorianos, um colombiano e um venezuelano foram intercetados pela Marinha Portuguesa a bordo de uma embarcação semissubmersível que transportava 1740 quilos de cocaína, avaliados em mais de 62 milhões de euros. Os quatro homens, detidos em outubro de 2025, foram agora condenados pelo Tribunal de Ponta Delgada, nos Açores, a penas entre 10 e 14 anos de prisão por envolvimento numa rede internacional de tráfico de droga.
O atual e o ex-presidente da Câmara de Valongo, Paulo Esteves Ferreira e José Manuel Ribeiro, eleitos pelo PS, foram condenados por abuso de poder à perda de mandato por limitarem a circulação de camiões na estrada de acesso ao aterro de Sobrado em 2020. A sentença incluiu ainda a aplicação de multas e a possibilidade de recurso.
Um idoso foi detido pela GNR por provocar um incêndio florestal em Carrazeda de Ansiães, devido à queima de sobrantes que se descontrolou, revelou a força policial.
A Universidade Politécnica de Portalegre (UPP) abriu um inquérito interno para apurar alegada tentativa de assédio sexual entre alunos, revelou o vice-reitor à agência Lusa.
A Habita!, criada por antigas assessoras do BE, recebeu apoios de organizações internacionais, incluindo uma rede financiada na sua origem pela fundação de George Soros. Uma investigação identifica ainda 150 mil euros de fundos europeus.
Mais de 240 turmas do 1.º ciclo continuam sem professor atribuído, segundo avança o Expresso. A falta de docentes prolonga-se mais de um mês após o arranque das aulas.