CHEGA considera “precedente gravíssimo” chamar procuradora-geral ao parlamento

© Folha Nacional

O presidente do CHEGA considerou hoje que seria “um erro” e “abriria um precedente gravíssimo” a procuradora-geral da República ser chamada ao parlamento para prestar esclarecimentos sobre as buscas no PSD, assim como pedir esclarecimentos formalmente.

“A meio de uma investigação chamar cá a procuradora-geral da República ou pedir esclarecimentos formais em nome de todos os partidos sobre este caso é abrir um precedente gravíssimo que, tal como transmiti na conferência de líderes, nos vai perseguir a todos durante os próximos anos, porque em todos os casos vamos ter que fazer o mesmo”, afirmou André Ventura.Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o líder do CHEGA afirmou que Lucília Gago “pode dar esclarecimentos públicos quando assim o entender”, mas defendeu que seria “um erro” pedir a audição parlamentar sobre um caso concreto, sustentando que “o parlamento tem que ser responsável num momento destes e não abrir uma guerra cujos fundamentos não conhecemos com o poder judicial”.

“Não demos o nosso assentimento a que parlamento pedisse qualquer tipo de esclarecimento ou questionasse o Ministério Público, compreendendo perfeitamente os motivos, as razões e aquilo que foi apresentado quer pelo Grupo Parlamentar do PSD, quer pelo senhor presidente da Assembleia da República”, afirmou.

Questionado se esta proposta esteve em cima da mesa na conferência de líderes e quem a apresentou, Ventura recusou responder, remetendo para a súmula que costuma ser disponibilizada vários dias depois das reuniões deste órgão.

O deputado defendeu igualmente que “o parlamento não tem legitimidade para questionar o Ministério Público e a Polícia Judiciária sobre número de meios empregues numa operação” e apontou que “não faz sentido o parlamento questionar a senhora procuradora-Geral”.

André Ventura defendeu ainda que “legislar em cima do acontecimento é o pior serviço que se presta à nação e à política”.

Questionado sobre o projeto de lei que anunciou que o seu partido iria apresentar para alterar a lei do financiamento dos partidos, respondeu que aceita alterações no sentido de “clarificar” que “há um financiamento para o parlamento e há outro para os partidos”, mas não “no sentido de vir mudar a lei para matar esta investigação”.

O presidente da Assembleia da República salientou hoje que o Estado de Direito impõe a combinação dos princípios da independência do poder judicial com a liberdade de ação política e de organização dos partidos e grupos parlamentares.

Esta posição foi transmitida por Augusto Santos Silva no final de uma reunião da conferência de líderes que analisou as buscas judiciais realizadas na semana passada na sede nacional do PSD e, entre outros locais, em casa do ex-presidente social-democrata Rui Rio – uma operação que foi considerada desproporcional e injustificada por representantes de diferentes forças políticas.

Perante os jornalistas, o presidente do parlamento transmitiu três pontos resultantes da reunião da conferência de líderes que disse terem merecido apoio unânime, mas não quis reiterar a sua posição depois de ter sido interrogado se a Procuradoria-Geral da República devia prestar esclarecimentos sobre as razões que motivaram essa controversa operação.

“Em relação à eventual utilização por parte da PGR do seu direito de produzir esclarecimentos à opinião pública, são conhecidas as opiniões dos diferentes partidos, também são conhecidos os processos de decisão em curso e é conhecida a minha própria opinião. Portanto, não tenho nada a dizer em nome da conferência de líderes sobre esse aspeto”, justificou Augusto Santos Silva.

Na segunda-feira, o presidente do parlamento tinha defendido que o Ministério Público deve um esclarecimento ao país sobre as buscas à casa de Rui Rio e ao PSD, sustentando que foi cometido um crime em direto.

Últimas de Política Nacional

O líder do CHEGA acusa José Luís Carneiro de contradição e sustenta que os socialistas preferem preservar o entendimento político com o PSD a transformar em lei aquilo que dizem defender: baixar o IVA nos combustíveis de 23% para 13%.
O partido liderado por André Ventura exige explicações sobre pagamentos identificados pela Inspeção-Geral das Finanças e quer ouvir atuais e antigos responsáveis da televisão pública. Conselho Fiscal e Conselho Geral Independente também são chamados ao escrutínio. “Estamos a falar de recursos que são públicos”, avisa o deputado Daniel Teixeira.
O presidente do CHEGA anuncia novo requerimento potestativo para investigar a passagem de Luís Neves pela direção da PJ e acusa o Parlamento de aplicar critérios diferentes dos usados noutras comissões de inquérito. Ventura admite limitar novamente o objeto para desbloquear a CPI.
O presidente do CHEGA acusa Aguiar-Branco de bloquear o escrutínio ao atual ministro da Administração Interna e fala numa operação de “contenção política de danos”. Ventura denuncia “dois critérios” na admissão de inquéritos parlamentares e promete não deixar cair a investigação à passagem de Luís Neves pela direção da Polícia Judiciária.
A Cosmos Business Travel, empresa ligada ao universo empresarial da família Oliveira, terá faturado perto de 600 mil euros desde 2024 em serviços de viagens e alojamento contratados por organismos públicos, segundo revela o Tal & Qual.
O inquérito potestativo que permitiria avançar com a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves sem votação foi rejeitado. CHEGA denuncia uma tentativa de proteger o ministro da Administração Interna e impedir que a sua gestão na PJ seja investigada.
CHEGA voltou a exigir que a comissão de inquérito à gestão de Luís Neves na Polícia Judiciária avance no arranque da nova sessão legislativa. Aguiar-Branco mantém o processo em análise e ainda não deu luz verde à constituição da comissão. Partido liderado por André Ventura lamenta novo impasse num inquérito que considera ser um direito potestativo.
A Entidade para a Transparência (EpT) admitiu não ser possível determinar com "rigor e fidedignidade" quantos titulares de cargos políticos e altos cargos públicos estão atualmente obrigados a apresentar declarações de rendimentos e interesses.
A Entidade para a Transparência (EpT) reconheceu que não concluiu a verificação de todas as declarações únicas de interesses e rendimentos do atual Governo, sublinhando que há processos a aguardar decisões do Tribunal Constitucional sobre que informação declarar.
Um estudo aos 25 Governos Constitucionais revela que quatro em cada dez ministros assumiram pastas sem licenciatura ou pós-graduação relacionada com a tutela. Apenas 20,9% tinham especialização académica avançada na área que ficaram responsáveis por governar.