Seis dirigentes sindicais condenados a 16 anos de prisão na Venezuela

Um tribunal da Venezuela especializado em terrorismo condenou, na terça-feira, seis dirigentes sindicais a 16 anos de prisão, pelos delitos de associação criminosa e conspiração, uma decisão questionada pela defesa e pela oposição venezuelana.

A condenação, segundo Eduardo Torres, advogado de um dos condenados, teve lugar depois de terem participado, em julho de 2022, em várias manifestações para exigir o respeito pelos direitos humanos dos trabalhadores, salários justos e contra o gabinete responsável do orçamento público da Venezuela (Onapre).

Os condenados, chamados popularmente de “lutadores”, tinham sido detidos há um ano e quase dois meses e, segundo Eduardo Torres, o autor da denúncia contra eles “não apareceu, e assim foi dito ao tribunal, que sentenciou sem provas e sem factos”.

Um dos condenados, Alcides Bracho, é artista plástico e professor, sindicalista ativo da Federação Venezuelana de Professores e também militante do partido opositor Bandera Roja (‘Bandeira Vermelha’).

Foram também condenados o presidente da Federação de Trabalhadores dos Tribunais, Emílio Negrín, e o diretor da Central de Trabalhadores da Associação Sindical Independente e membro da direção do Sindicato de Funcionários da Assembleia Nacional, o parlamento venezuelano, Gabriel Blanco.

Foi ainda condenado o delegado principal do Conselho Regional de Trabalhadores da Confederação de Trabalhadores da Venezuela (CTV) no estado de Guárico (centro), Reynaldo Cortés Gutiérrez, e Néstor Astudillo, ativista e sindicalista do partido Bandera Roja, no estado de Miranda (norte).

Por outro lado, foi também condenado Alonso Eduviges Meléndez Rodríguez, um engenheiro de pesca, sindicalista e militante do Bandera Roja.

Através da rede social X (antigo Twitter), a Plataforma Unitária Democrática (PUD), uma aliança de partidos opositores venezuelanos, condenou a decisão do tribunal.

“Condenamos esta nova violação dos direitos humanos, sentenciar a 16 anos de prisão, num processo repleto de falhas processuais, seis lutadores sociais que estiveram na linha da frente dos protestos, exercendo os seus direitos e rejeitando instruções emitidas pelo Onapre durante 2022”, escreveu a PUD na rede social X.

Na mesma mensagem, a aliança instou a oposição a “permanecer unida, para documentar e denunciar estes abusos de poder da parte do regime de [o Presidente venezuelano] Nicolás Maduro”.

O antigo candidato presidencial opositor Enrique Capriles Radonski, usou a mesma rede social para explicar que “criminalizar quem exerce os seus direitos é uma aberração” e que “prender quem luta por uma vida melhor só aprofunda a crise económica, social e política”.

Várias organizações não-governamentais venezuelanas condenaram a decisão do tribunal, que dizem ser “perseguição política”.

Últimas do Mundo

As autoridades ambientais da Austrália anunciaram hoje o desmantelamento de uma criação ilegal de baratas perto de Sydney, contendo mais de 100 mil baratas, com um valor de mercado superior a 122 mil euros.
O dia da sobrecarga ecológica do planeta, em que a humanidade esgota os recursos naturais da Terra disponíveis anualmente e passa a viver “a crédito”, assinala-se a 30 de julho.
O Ministério Público alemão pediu hoje prisão perpétua para o psiquiatra saudita que atropelou com um carro a multidão no mercado de Natal de Magdeburgo, matando seis pessoas e ferindo mais de 300 em dezembro de 2024.
O Grupo Parlamentar do CHEGA apresentou na Assembleia da República um voto de pesar pela morte de Henry Nowak, jovem britânico de 18 anos assassinado no Reino Unido, num caso que gerou forte indignação internacional.
Centenas de pessoas saíram às ruas de Southampton, no Reino Unido, após a morte de Henry Nowak, o jovem de 18 anos que morreu depois de ter sido esfaqueado e inicialmente tratado pelas autoridades como suspeito. Vickrum Digwa, de 23 anos, acabou condenado pelo homicídio do estudante.
A ministra do Interior britânica defendeu hoje uma investigação à atuação da polícia, no ano passado, por deter e algemar erradamente uma vítima de esfaqueamento, mas alertou para a manipulação política do caso.
Um executivo da empresa norte-americana Walt Disney Company, detido num aeroporto de Moscovo em janeiro, foi hoje condenado a dois anos e meio de prisão por um tribunal russo por posse e tentativa de contrabando de droga.
Um português de 26 anos morreu após uma violenta agressão numa rua espanhola, num caso que está agora a ser investigado pelas autoridades de La Rioja.
A Comissão Europeia multou hoje a chinesa Temu em 200 milhões de euros por não detetar devidamente produtos ilegais, referindo que encontrou à venda na plataforma brinquedos para bebés, joias ou carregadores com elevados riscos de segurança.
Os aeroportos europeus estão a registar esperas até 3,5 horas nos controlos fronteiriços em períodos de pico e antecipam um verão “particularmente difícil”, apontando falta de efetivos e falhas técnicas na implementação do novo sistema europeu.