Portugal sinalizado por tráfico de seres humanos, armas e droga

O tráfico de seres humanos, armas e droga são as principais ameaças criminosas em Portugal, segundo um relatório hoje divulgado pela Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional, que aponta ainda riscos na criminalidade económico-financeira e no cibercrime.

© DR

Segundo o “Global Organized Crime Index”, compilado por aquela entidade, “Portugal é sobretudo um país de destino do tráfico de seres humanos, sendo a exploração laboral a forma mais prevalecente deste crime”, mas destaca-se ainda como ‘ponte’ na rota da América Latina para a Europa, com este tipo de criminalidade a revelar-se subnotificada.

O documento revela que, predominantemente, as vítimas menores são rapazes da Roménia maioritariamente explorados para adoção, trabalho, mendicidade ou sexo, enquanto as vítimas adultas provêm sobretudo de países africanos. No entanto, é também realçado o fenómeno do contrabando de migrantes do sul da Ásia (Índia, Nepal ou Bangladesh), da Europa de Leste (Roménia, Moldávia, Bulgária) e da América do Sul.

“A continuação do tráfico de seres humanos em Portugal é possibilitada pela identificação inadequada das vítimas, as práticas ilícitas das agências de emprego e recrutamento temporário, e a disseminação de falsas promessas feitas às vítimas. As redes criminosas transnacionais, em especial as da Europa de Leste, são os principais atores nesta atividade, e tanto os atores nacionais como estrangeiros beneficiam desta atividade”, lê-se no relatório, referindo um “aumento significativo” da fraude de documentos nos controlos nas fronteiras.

O tráfico de droga é outros dos crimes mais assinalados, ao notar que Portugal permanece “um importante país de trânsito e de destino” para o tráfico de heroína, cocaína e canábis, que chegam essencialmente por via marítima e tráfico aéreo através de redes criminosas internacionais. É ainda considerada “preocupante” a proliferação de novas substâncias psicoativas, como o ‘bloom’.

“A posição geográfica estratégica de Portugal torna-o simultaneamente um país de destino e de trânsito da resina de canábis proveniente de Marrocos, bem como um país de origem de canábis herbácea”, refere o documento, continuando: “As autoridades em Portugal também detetaram lanchas rápidas a serem utilizadas por grupos criminosos espanhóis para o transporte de droga entre as costas marroquina e espanhola”.

Já sobre o tráfico de armas, o documento elenca Portugal como ‘ponte’ para armas de fogo ilegais traficadas para África, sublinhando a conversão de armas de alarme e de sinalização entre organizações criminosas, tanto através de importação da Turquia ou da aquisição legal no espaço europeu e posterior modificação ilegal para enviar para outros países.

O relatório indica ainda que o número de ciberataques “aumentou significativamente, em especial nos setores da educação e da saúde”, mas sem esquecer também “conglomerados de media, empresas e até mesmo o Parlamento”, associando a guerra na Ucrânia e o fim das restrições impostas pela pandemia de covid-19 ao aparecimento de novas ameaças.

Quanto à criminalidade económico-financeira, a entidade internacional salientou que os processos “têm aumentado em Portugal nos últimos anos” e que “estão em curso investigações relacionadas com a evasão fiscal e fraudes relativas a fundos europeus”.

Por último, a Iniciativa Global Contra o Crime Organizado Transnacional identifica a presença de grupos mafiosos no país, evidenciando em alguns grupos a associação à segurança privada na vida noturna (nomeadamente no Porto) ou a gangues e bandos, como os Hells Angels.

Portugal ocupa neste relatório o 118.º lugar entre 193 países ao nível do índice de criminalidade, com uma pontuação de 4,88 (de 0 a 10), abaixo da média global de 5,03, numa lista liderada por Myanmar, seguida de Colômbia e México.

Últimas do País

A PSP intercetou um homem de 29 anos em Vila Franca de Xira, suspeito de vários crimes de dano e sobre o qual pendia um mandado de detenção, que não foi possível cumprir devido às férias judiciais.
Um estudo da Knight Frank revela que os preços das casas em Portugal cresceram 16,5% no primeiro trimestre, em termos homólogos, registando a 4.ª maior valorização nominal anual entre 55 mercados analisados.
Os Bombeiros Voluntários de Pedrógão Grande estão a funcionar, provisoriamente, desde sexta-feira, num edifício cedido pela autarquia na zona industrial do concelho, enquanto aguardam a reparação da cobertura do quartel danificado pela tempestade Kristin.
Um sismo de magnitude 3,5 na escala de Richter foi sentido esta madrugada nos concelhos de Ourique e Almodôvar (Beja), assim como em Santiago do Cacém (Setúbal), informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Cidadãos que perderam as suas poupanças devido à extinção do antigo banco BES reuniram-se hoje em protesto em Espinho, para exigirem do Estado a restituição de valores entre 10 milhões e centenas de milhões de euros.
Viticultores do Douro estão hoje a manifestar-se, no Peso da Régua, para reclamar medidas imediatas como a uva para destilar, numa altura em que as vindimas estão a arrancar e há preocupações crescentes com o escoamento da produção.
Três pessoas ficaram feridas por inalação de vapores tóxicos provocados por uma reação química numa trasfega de hipoclorito de sódio, no Mariparque, em Vieira de Leiria, Marinha Grande, disseram à agência Lusa fontes da Proteção Civil.
O mau tempo registado nos Açores desde a noite de quarta-feira provocou várias inundações em São Jorge e São Miguel e obrigou ao realojamento de 67 pessoas que estavam no parque de campismo da Praia da Vitória, na Terceira.
Um homem de 53 anos ficou sujeito à medida de coação de apresentações semanais por suspeitas do crime de incêndio, depois de ter sido detido em flagrante delito no Beato, em Lisboa, informou hoje a PSP.
Uma jovem de 21 anos foi vítima de violação depois de sair do trabalho, em Albufeira. O suspeito, um cidadão estrangeiro de 24 anos, foi detido pela Polícia Judiciária (PJ), que reuniu provas consideradas suficientes para a sua apresentação a primeiro interrogatório judicial.