16 Junho, 2024

O PREC e o ruir das estruturas democráticas

O intitulado PREC (Processo Revolucionário em Curso) teve início em Março de 1975 e terminou em Novembro de 1975, período em que ocorreram as nacionalizações dos bancos de grandes empresas, das ocupações de terras e casas espoliando os seus legítimos donos.

A Rádio Renascença (Emissora Católica Portuguesa) foi ocupada. O Conselho de Revolução e grupos extremistas de esquerda impunham a Revolução contra o Estado de Direito. 

Foi o tempo em que “o Poder está na rua”.

Tal como no PREC, hoje propaga-se a “saúde para todos”, mas nos hospitais assiste-se à ineficiência concreta dos meios, mormente no respeitante aos serviços de urgência, enquanto na educação, faltam professores nas escolas públicas e empurra-se com a barriga as necessárias e prementes soluções, com medidas sem nexo apresentadas pelo ministro da tutela.

O PS ignorando a sua total responsabilidade no que concerne à entrada da Troika em Portugal (por virtude da gestão governativa liderada por José Sócrates), continuando aliás a branquear aquela governação, revela hoje, sentado na sua “maioria absolutista”, uma total ausência de ética política e de rigor intelectual, perante as dificuldades que as famílias portuguesas estão a sentir todos dos dias.

Em contraponto da fantasiosa afirmação de que “a culpa é do Passos”, conclui-se que, nos últimos 8 anos, com o PS no poder, pouco ou nada se fez para inverter esta situação, sendo eu perante os atuais cenários sombrios na saúde, na justiça, na educação, na habitação, o governo, através do Sr. Primeiro-Ministro prefere dar conta aos portugueses, de que “vão ser quatro anos, habituem-se!”.

E, sim, estamos a habituar-nos às greves que se sucedem, sem que haja a capacidade de atalhar conflitos, de minimizar custos e danos na população em geral. 

São disso exemplo, as rendas das casas na cidade de Lisboa que são as mais altas da Europa, e que no resto do país seguem uma trajetória similar, o que, em conjunto com as baixas remunerações oferecidas, explica o êxodo de muitos jovens qualificados.

Assim como, os salários médios perderam valor em termos reais, não apenas pela inflação, mas também pela pressão fiscal e pela baixa produtividade que é condicionada por políticas públicas ineficientes.

Acresce que esses cenários afetam a posição externa de Portugal na UE que será, dentro de cinco anos, segundo o FMI, o mais pobre deste espaço económico.

Entretanto, assiste-se a manifestações de plataformas de índole não partidário, mas que perante a solidariedade de deputados legitimamente eleitos pelos portugueses, enquanto alguns são transformados em seus porta-voz, sem que para isso tenham sido indigitados, outros são agredidos em termos verbais e físicos.

Não sendo necessária muita imaginação para adivinhar a comoção e o alarido, que se teria sentido e explicitado, no caso de os deputados agredidos fossem de qualquer partido da esquerda trotskista ou marxista.

Participar numa manifestação legalmente organizada é um ato livre de cidadania, um direito que a ninguém pode ser retirado, pelo que é intolerável se exercer qualquer forma de intimidação visando diminuir direitos de cidadania.

E assim se chega ao novo PREC em que vivemos, cujo futuro e consequências ninguém conhece, sendo que se deve ter em conta que os processos revolucionários sempre representaram o corte com a História, a destruição das instituições, a apologia ideológica e a insegurança.

Como em 1975, hoje corremos o risco de assistirmos ao Estado a ruir, com o PS de António Costa e Augusto Santos Silva a conduzir o país a um novo PREC.

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