Greve dos enfermeiros às horas extraordinárias com “elevada adesão”

Os primeiros três dias da greve dos enfermeiros ao trabalho suplementar registaram uma “elevada adesão”, anunciou hoje o Sindicato Nacional dos Enfermeiros (SNE), destacando o “cumprimento escrupuloso” dos serviços mínimos e lamentando o silêncio do Governo.

© D.R.

“Nestes primeiros três dias registamos como muito positivo a elevada adesão em todo o território nacional (centros hospitalares nas áreas metropolitanas de Lisboa, Porto e Coimbra e nas instituições do interior do país) e, em simultâneo, um cumprimento rigoroso e escrupuloso dos serviços mínimos (assentes na adequação, necessidade e proporcionalidade)”, refere o sindicato em comunicado.

Segundo o SNE, “seria expectável que existissem alguns problemas” nos serviços de urgência, cuidados intensivos e blocos operatórios, “tradicionalmente assegurados por muitos trabalhadores enfermeiros a realizar trabalho suplementar”, mas o cumprimento dos serviços mínimos “está a mitigar os possíveis efeitos negativos desta greve”.

Em contrapartida, como “ponto negativo” dos primeiros três dias da paralisação, o sindicato regista, “até ao momento, a ausência de qualquer contacto via telefone, ‘e-mail’ ou qualquer outra via por parte do Ministério da Saúde ou do primeiro-ministro”, no sentido do início do processo negocial do Acordo Coletivo de Trabalho Global (que inclua a revisão da tabela salarial) com o sindicato.

O SNE iniciou na passada segunda-feira uma greve dos enfermeiros às horas extraordinárias em Portugal Continental até 25 de novembro, com a qual pretende que o Governo corrija a “estagnação salarial” dos profissionais.

Num comunicado então divulgado, a organização sindical indica que o objetivo do protesto é “fazer com que o Governo da República, tal como fizeram os Governos da Região Autónoma dos Açores e da Madeira, corrija as inversões remuneratórias decorrentes da legislação aprovada em 2022 sobre a contabilização dos anos de exercício profissional”.

Trata-se, segundo o sindicato, de “uma injustiça agravada com o impacto no valor pago pelo trabalho suplementar”.

As reivindicações do SNE incidem no “início do processo de revisão da carreira e tabela salarial com representantes do Ministério das Finanças e do Ministério da Saúde, corrigindo a estagnação salarial dos enfermeiros nos últimos nove anos, através da assinatura de um protocolo negocial para um Acordo Coletivo de Trabalho Global”.

A esta greve do SNE vai juntar-se, a partir de sexta-feira e até 31 de dezembro, uma greve do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) que já anunciou uma paralisação ao trabalho extraordinário, para exigir a abertura imediata de negociações com a tutela sobre uma carreira que corrija desigualdades.

“A capacidade de resposta do SNS piora de dia para dia, prejudicando todos os portugueses, sejam eles profissionais do SNS [Serviço Nacional de Saúde] ou não. Não duvidamos que, com trabalhadores mais satisfeitos, aumenta a qualidade da resposta do SNS e os enfermeiros são a maior classe profissional deste serviço”, refere, em comunicado, o Sindepor.

Para o dia 10 de novembro, o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses SEP anunciou uma greve nacional contra os problemas existentes no Serviço Nacional de Saúde (SNS) e exigiu soluções ao Ministério da Saúde.

Últimas do País

A Procuradoria-Geral da República (PGR) alertou hoje para uma nova burla informática, através da "expedição massiva" de mensagens via WhatsApp ou correio eletrónico, a exigir o pagamento de dívidas em atraso à Autoridade Tributária (AT).
As seguradoras já pagaram 303 milhões de euros em indemnizações por danos causados ​​pelas tempestades de janeiro e fevereiro, calculando que os estragos cobertos superem 1.000 milhões de euros, divulgou hoje a Associação Portuguesa de Seguradores (APS).
A Metro do Porto encomendou um projeto de correção de diversas infiltrações em edifícios da extensão da linha Amarela (D), em Gaia, inaugurada há menos de dois anos, de acordo com documentos consultados pela Lusa.
Mulheres, idosos e pessoas com menor escolaridade são os mais afetados por uma doença crónica ou problema de saúde prolongado, atingindo 44,1% da população com 16 ou mais anos em 2025, revelam hoje dados do Instituto Nacional de Estatística.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) emitiu avisos amarelo e laranja para o arquipélago da Madeira devido ao vento e à agitação marítima forte, entre terça e quinta-feira.
Ratos, cheiros intensos a urina e líquidos suspeitos a escorrer pelas paredes. A 10.ª esquadra de Vila Nova de Gaia enfrenta há semanas uma infestação que levanta sérias preocupações de saúde pública, mas continua em funcionamento.
Sintomas de ansiedade generalizada atingiram 39,4% da população com 16 ou mais anos em 2025, um aumento de 7,4 pontos percentuais, afetando sobretudo mulheres, idosos e desempregados, revelam esta segunda-feira dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Novas vice-presidências das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) são ocupadas maioritariamente por nomes ligados ao PSD. Cargos podem chegar aos 8.080 euros mensais e número de vices aumenta com nova lei orgânica.
Estrangeiros representam 17,6% da população em Portugal e 18,1% dos reclusos. Dados inéditos do RASI revelam um retrato quase proporcional entre imigração e criminalidade registada, num debate que ganha novos contornos.
As operações de Páscoa 2026 da PSP e da GNR registaram até hoje cerca de 2.300 acidentes, que provocaram 18 mortos e quase 800 feridos, e mais de 630 condutores foram detidos por conduzirem em estado de embriaguez.