23 Julho, 2024

Os altos e baixos de Joe Biden em 3 anos na Casa Branca

O Presidente dos EUA, Joe Biden, cumpre na sexta-feira três anos na Casa Branca, enquanto prepara uma recandidatura que tornará a eventual campanha eleitoral num referendo ao seu primeiro mandato.

© Facebook / President biden

As mais recentes sondagens indicam que um dos principais problemas do recandidato Biden poderá ser a sua idade, com vários inquiridos a questionar a capacidade do Presidente de começar um segundo mandato aos 80 anos de idade.

Contudo, o candidato democrata enfrenta outras dificuldades políticas, sendo acusado de não ter sabido lidar com o aumento da inflação, apesar de elogiado pela forma como conseguiu evitar uma recessão a seguir à pandemia de covid-19, e sendo responsabilizado pela incapacidade de unir um país dividido, apesar dos esforços em estabelecer pontes entre os dois partidos.

Ao fim de três anos de mandato e em vésperas das primeiras eleições primárias (que acontecerão no início do próximo ano) eis alguns pontos essenciais sobre os momentos altos e os pontos baixos da presidência de Joe Biden:

– Plano de resgate (alto)

Poucas semanas depois de tomar posse, Biden assinou a Lei do Plano de Resgate, que proporcionou uma vasta gama de medidas de apoio e que incluía pagamentos de estímulos diretos, benefícios de desemprego alargados, financiamento para testes por causa da pandemia de covid-19 e distribuição de vacinas, bem como apoio a pequenas empresas.

A legislação procurava fazer face ao impacto económico da pandemia e ajudar os indivíduos e as empresas a recuperarem dos desafios financeiros provocados pela covid-19, cumprindo uma promessa eleitoral de Biden.

– Distribuição de vacinas contra a covid-19 (alto)

O Governo de Biden iniciou uma campanha de vacinação a nível nacional, com o objetivo de administrar 100 milhões de doses de vacinas nos primeiros 100 dias da sua presidência, tendo superado essa meta.

No início de 2022, milhões de norte-americanos já tinham recebido vacinas contra a covid-19 e os EUA fizeram progressos significativos na redução das taxas de infeção e no regresso a algum nível de normalidade, depois de um plano caótico e de diversos percalços durante o mandato do ex-Presidente republicano Donald Trump.

– Lei das Infraestruturas (alto)

A Lei de Emprego e Investimento em Infraestruturas, aprovada em novembro de 2021, destinou 1,2 mil milhões de dólares (cerca de mil milhões de euros) para modernizar e melhorar as infraestruturas do país, incluindo financiamento para estradas, pontes, transportes públicos, expansão da banda larga de Internet e projetos de energia limpa.

A legislação foi vista como uma conquista bipartidária num ambiente politicamente dividido e procurava responder às necessidades de infraestruturas de longa data nos EUA.

– Esforços climáticos globais (alto)

Pouco depois de tomar posse, o Presidente Biden voltou a aderir ao Acordo de Paris sobre as alterações climáticas, assinalando o compromisso de abordar as questões climáticas na cena global.

O Governo norte-americano anunciou metas ambiciosas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, prometendo atingir emissões líquidas zero até 2050, como parte dos seus esforços para combater as alterações climáticas.

– Retirada do Afeganistão (baixo)

A retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, em agosto de 2021, levou a uma rápida e inesperada tomada do país pelo regime talibã.

A evacuação caótica de cidadãos norte-americanos e aliados afegãos do aeroporto de Cabul atraiu críticas generalizadas, dentro e fora dos Estados Unidos, sendo um dos momentos mais críticos do mandato de Biden.

A retirada foi marcada por preocupações sobre o destino dos civis afegãos, incluindo aqueles que trabalharam com os militares dos EUA, bem como por levantar questões sobre a estratégia global e a execução da retirada.

– Crise migratória (baixo)

A fronteira entre os EUA e o México enfrentou um aumento significativo de migrantes que procuraram asilo durante os primeiros meses do Governo de Biden e continua a aumentar, levando as autoridades a reconhecer a incapacidade para lidar com o problema.

Este aumento no número de chegadas de imigrantes levou centros de detenção a declararem-se sobrelotados e levantou preocupações sobre a segurança das fronteiras e o tratamento humanitário.

Depois de terem criticado o plano de construção de um muro na fronteira sul pelo ex-Presidente Trump, o Governo democrata já admitiu que vai prosseguir na expansão desse muro.

– A crise da inflação (baixo)​​​​​​​

No final de 2021, começaram as primeiras preocupações sobre o aumento da inflação nos EUA, à medida que os preços de vários bens e serviços, incluindo gasolina e habitação, aumentavam.

O problema agravou-se com o início da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, provocando alertas sobre o potencial impacto na economia e no poder de compra dos consumidores.

A Reserva Federal e a administração Biden acompanharam de perto estes desenvolvimentos, mas a oposição Republicana acusa o Governo de ter sido pouco interventivo e de ter permitido uma escalada de preços que parece demorar a controlar.

– Impasse legislativo (baixo)​​​​​​​

Embora o Plano de Resgate Americano e o projeto de Lei das Infraestruturas tenham sido conquistas legislativas significativas, o Presidente Biden tem revelado dificuldade em fazer passar no Congresso muitas das suas promessas eleitorais.

As propostas relacionadas com a reforma do direito de voto e o controlo de armas enfrentaram forte resistência na Câmara de Representantes, onde os Republicanos conseguiram a maioria nas eleições intercalares de outubro de 2022, e a agenda do Governo foi afetada por um Congresso fortemente dividido, mesmo no Senado (onde os Democratas mantêm a maioria).

– Suspensão do financiamento do Governo (baixo)​​​​​​​

O Governo dos EUA está na iminência de paralisar devido à falta de aprovação de autorização legislativa para o aumento do défice no Congresso, numa situação que reflete a incapacidade para obter compromissos entre os dois partidos.

Os Republicanos acusam Biden de ter desenhado um orçamento despesista com o qual não estão de acordo e o setor mais radical do partido da oposição (próximo de Trump) conseguiu mesmo destituir o ‘speaker’ da Câmara de Representantes Kevin McCarthy, alegando que este estava em conluio com os Democratas para tentar salvar o plano orçamental da Casa Branca.

Agência Lusa

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