Médicos lamentam condução “unilateral e irresponsável” de acesso à especialidade

A Ordem dos Médicos lamentou hoje que o Governo tenha conduzido este ano de forma “unilateral e irresponsável” o acesso à especialidade médica, alertando que pode pôr em causa a qualidade da formação e da prestação de cuidados.

© D.R.

Em comunicado, o Conselho Nacional do Médico Interno (CNMI) da Ordem dos Médicos (OM) lembra que, historicamente, as competências técnicas delegadas na OM – de monitorização e atribuição de capacidades formativas às instituições de saúde – “têm sido o garante da qualidade da formação dos médicos mais jovens, bem como da segurança de doentes e profissionais de saúde”.

Lembra que este ano, pela primeira vez, para fixar médicos em zonas do país mais carenciadas, o Ministério da Saúde criou vagas com planos especiais e individualizados de formação, cujos moldes “deveriam ser alvo de preparação conjunta entre a tutela, as instituições e a Ordem dos Médicos”.

“Foram ainda criadas vagas protocoladas entre o Hospital Central do Funchal e instituições do continente, independentemente da existência de capacidade formativa”, acrescenta.

Lamentando o modo como foi preparado e lançado pela tutela o procedimento concursal de ingresso no Internato Médico 2023, nomeadamente no que diz respeito ao mapa de vagas de especialidade, o CNMI sublinha que a falta de comunicação da tutela com as instituições de formação e com a OM resultou, até ao momento, na ausência de definição e divulgação dos planos formativos destas vagas.

Considera ainda “inaceitável” que os candidatos não tenham tido acesso a informações essenciais referentes ao local, tempo e programa formativo destas vagas e lembra que tal situação pode vir a colocar estes candidatos em posições de incerteza e de injustiça perante os seus pares.

A OM diz compreender as atuais circunstâncias de dificuldades na retenção de médicos em determinadas regiões, instituições e serviços do país, mas frisa que a solução “não pode passar por forçar a colocação de médicos internos em vagas de especialidade que não garantam os critérios mínimos de qualidade de formação”.

Tal situação – insiste – perpetua a “baixa satisfação formativa, níveis elevados de ‘burnout’ e rescisões de contrato por parte de médicos internos”.

Recorda igualmente o fenómeno crescente de vagas de especialidade não escolhidas – 50 no concurso de 2021 e 161 no concurso de 2022 -, considerando que o simples aumento do mapa de vagas não se traduz no correspondente crescimento do numero de médicos especialistas no Serviço Nacional de Saúde.

O CNMI exorta ainda a tutela a investigar “em maior detalhe” as causas do desinteresse nas escolhas de especialidade nos últimos anos e aplicar “medidas robustas” e de longo prazo para inverter esta tendência.

Últimas do País

O movimento Missão Escola Pública (MEP) rejeitou hoje “a diminuição das exigências de qualificação” para ensinar no 1.º ciclo, reagindo a uma proposta apresentada há dois dias pelo Ministério da Educação aos sindicatos de professores.
Um homem de 62 anos atacou outro com uma faca, atingindo-o no peito e tentando desferir novos golpes. A intervenção de pessoas que estavam no local impediu a continuação da agressão. O suspeito foi detido pela PSP e ficou em prisão preventiva.
O casal acusado de ter roubado, sequestrado e matado um homem de 80 anos em Aljustrel começa a ser julgado na terça-feira, segundo fontes judiciais.
Uma chamada de atenção pelo barulho na rua terminou numa agressão violenta em Miragaia, no Porto. Um morador foi atacado a murro, pontapé e com uma arma branca, ficando em perigo de vida. A Polícia Judiciária deteve três jovens, com idades entre os 17 e os 18 anos.
As listas de espera para operações continuam a aumentar no Serviço Nacional de Saúde. Em julho, mais de 284 mil pessoas aguardavam uma intervenção cirúrgica e cerca de uma em cada três já tinha ultrapassado o tempo recomendado. Médicos alertam para o sofrimento dos doentes e administradores hospitalares apontam falhas na gestão e na orientação do Governo.
A greve de hoje dos técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica da ULS Amadora-Sintra registou uma adesão elevada, atingindo os 80% e os 100% em vários serviços, segundo o presidente do sindicato do setor.
A Escola Básica de Ribeirão, em Vila Nova de Famalicão, está encerrada hoje e sexta-feira, na sequência de uma praga de pulgas, anunciou a diretora do agrupamento.
O Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) registou mais de 6.700 casos suspeitos de acidente vascular cerebral (AVC) este ano, uma média de 26 situações por dia, números que têm vindo a aumentar desde 2024.
Profissionais das duas forças de segurança saem à rua na capital para reivindicar melhorias salariais e contestar as condições remuneratórias.
Portugal regista, em média, uma tentativa de homicídio com arma de fogo a cada 48 horas, de acordo com dados noticiados pelo Jornal de Notícias.