Washington diz que desconhecia plano de ataques do Hamas em Israel

Os Estados Unidos indicaram hoje que não tinham conhecimento do plano do grupo islamita palestiniano Hamas de cometer os ataques contra Israel em 07 de outubro, segundo o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, John Kirby.

© D.R.

As declarações de Kirby surgem depois de o The New York Times ter noticiado que as autoridades israelitas tiveram acesso a um documento de 40 páginas que detalhava um plano semelhante ao ataque que o Hamas executou no sul de Israel, deixando, segundo as autoridades de Telavice, 1.200 mortos e acima de 200 pessoas sequestradas na Faixa de Gaza.

“A comunidade dos serviços de informações indicou que não teve acesso a este documento”, disse Kirby hoje em entrevista à NBC News.

Questionado se os Estados Unidos deveriam ter conhecimento destes planos, dada a estreita coordenação que têm com Israel, Kirby destacou que as tarefas de informações são como “um mosaico”.

“Às vezes você sabe que se pode criar coisas juntos e obter-se uma imagem muito boa. Outras vezes, você sabe que faltam peças do ‘puzzle’”, explicou no programa “Meet the Press”, da NBC.

O New York Times revelou na quinta-feira que as autoridades israelitas tiveram acesso a um plano do Hamas que contemplava a utilização de ‘drones’ para destruir câmaras de segurança na fronteira com a Faixa de Gaza ou a entrada massiva de militantes a pé, de moto e com recurso a parapentes, embora não tenha estabelecido uma data para a operação.

Os responsáveis ​​militares israelitas da região não acreditavam que um ataque desta magnitude fosse possível e duvidavam que o plano tivesse sido aceite pelo grupo palestiniano.

O ataque do Hamas foi o episódio mais sangrento da história de Israel e levou o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, a declarar guerra ao grupo e a lançar uma ofensiva na Faixa que já custou a vida a mais de 15 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlada desde 2007 pelo movimento palestiniano.

O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional confirmou que as negociações para alcançar uma nova trégua humanitária em Gaza, bem como para facilitar novas trocas de reféns, estão completamente paralisadas.

“Neste momento não há negociações oficiais”, disse Kirby, antes de culpar o Hamas pela paralisia resultante da falta de consenso quando se tratou de libertar mulheres israelitas, de acordo com uma lista preliminar que tinha inicialmente aceitado antes de recuar.

Kirby observou que “o Hamas também concordou em permitir que a Cruz Vermelha visitasse os reféns enquanto a pausa humanitária estava em vigor”, que terminou na sexta-feira, “mas isso não aconteceu nem está a acontecer”.

“As negociações, infelizmente, pararam, mas o que não parou foi o nosso papel na tentativa de libertar os reféns detidos pelas milícias palestinianas”, assinalou o porta-voz, acrescentando: “Gostaríamos que as negociações fossem retomadas hoje, mas neste momento não sabemos”.

Kirby reconheceu a preocupação dentro das agências das Nações Unidas sobre a deslocação forçada de um milhão e meio de palestinianos, a maioria no sul do enclave: “É por isso que estamos a trabalhar com Israel para que a população de Gaza se sinta segura”.

Neste sentido, o porta-voz norte-americano considerou a publicação por Israel de um mapa por setores da Faixa de Gaza em que progridem os seus próximos bombardeamentos como um desenvolvimento positivo.

A guerra em curso no Médio Oriente começou em 07 de outubro, após um ataque do braço armado do movimento islamita palestiniano Hamas, que incluiu o lançamento de milhares de ‘rockets’ para Israel e a infiltração de cerca de 3.000 combatentes que mataram mais de 1.200 pessoas, na maioria civis, e sequestraram outras 240 em aldeias israelitas próximas da Faixa de Gaza.

Em retaliação, as Forças de Defesa de Israel dirigiram uma ofensiva por ar, terra e mar àquele enclave palestiniano, fazendo mais de 15.000 mortos, deixando cerca de 6.000 pessoas sepultadas sob os escombros e 1,7 milhões de deslocados, que enfrentam uma grave crise humanitária, perante o colapso de hospitais e a ausência de abrigo, água potável, alimentos, medicamentos e eletricidade.

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