Ataques ao PS, críticas à AD, contra a imigração e a igualdade de género

Fortes ataques ao PS e críticas à AD, à imigração e à igualdade de género marcaram a 6ª convenção do CHEGA este fim de semana, na qual se fez ouvir também a reivindicação do partido como segunda força política e o objetivo de ganhar as eleições.

© Folha Nacional

Areivindicação do legado de Sá Carneiro foi outra das linhas-chave da convenção, com André Ventura a citá-lo várias vezes no seu discurso de encerramento.

“‘Não posso, porque não tenho esse direito, calar-me perante a injustiça'”, citou, para enfatizar o papel do CHEGA como alternativa ao Partido Socialista, uma vez que “outros desistiram de ser oposição”, disse, referindo-se ao PSD, mas cujo líder nunca mencionou.

“Para politicamente correto já temos o PSD, não precisamos de mais”, afirmou a dado passo Ventura, a propósito do que chama “a subsidiodependência”.

“Desde o dia 01 do nosso governo a fiscalização à subsidiodependência vai ser uma realidade em Portugal”, garantiu o líder do CHEGA reiterando um tema que lhe é caro, o do fim do rendimento social de inserção (RSI).

Dirigindo-se “às centenas de milhares de subsidiodependentes”, André Ventura prometeu que estes só o terão se dele precisarem, “senão trabalhem como toda a gente tem que trabalhar”.

André Ventura, que foi reeleito presidente com 98,8% dos votos, garantiu que este é “o tempo do CHEGA” e que está “preparado para ser primeiro-ministro de Portugal”.

“Sintome tão pronto hoje, como sei que Sá Carneiro se sentia para ser primeiro-ministro em 1979”, salientou.

Já no início da convenção, o líder do CHEGA galvanizara a plateia ao afirmar que o partido tem de deixar de ser um partido de protesto, para passar a ser “um partido de governo e de apresentação de soluções”.

A sessão de encerramento, com uma coreografia que incluiu a agitação de bandeiras a cada passo do discurso de André Ventura, foi também assinalada pelo lançamento de confetes, pirotecnia e fumo, tudo embalado pelo som ensurdecedor da música dos anos oitenta dos Fire Inc., “Nowhere fast”.

Na convenção, foram também anunciadas as primeiras medidas eleitorais, como a nivelação das pensões mínimas pelo salário mínimo em seis anos, a equiparação dos subsídios das forças de segurança aos da Polícia Judiciária e o fim das ajudas para promover a igualdade e a ideologia de género.

Outras, como a reversão da extinção do SEF e da lei da nacionalidade “para que ninguém possa entrar sem saber falar a língua e conhecer a cultura portuguesa”, a recuperação em quatro anos do tempo integral de serviço dos professores e o lançamento de uma taxa sobre os lucros da banca “para pagar os créditos de habitação” já tinham sido referidas pelo partido anteriormente.

Quanto à promessa repetida antes da convenção de serem ali serem divulgados os candidatos captados a outros partidos, o anúncio ficou por cinco nomes, feito por André Ventura no discurso final: o ex-secretário de Estado da Defesa do PSD Henrique de Freitas, Miguel Matos Chaves, do CDS, Diogo Prates e Simões de Melo, da IL, e o advogado que esteve no processo da Casa Pia António Pinto Pereira.

Neste contexto, elegeu como principal alvo o PS e Pedro Nuno Santos, que acusou de querer trazer de volta o “Portugal de 1974” e, com o PCP e o BE, ser um “trio de horrores”.

O mote do ataque ao PS e ao socialismo foi secundado por sucessivos delegados que subiram ao palco, com o deputado Bruno Nunes a dizer que se o PS ganhasse as eleições, os que nele votaram “deviam ser colocados dentro de um frasco e enviados para a NASA para serem estudados”.

Um outro, Manuel Matias, pai da deputada Rita Matias e mandatária nacional da campanha, propôs um minuto de silêncio — cumprido pelos delegados — pelas “vítimas da corrupção e do socialismo que matou milhares de pessoas porque não há hospitais, não há saúde, não há ambulâncias”.

Comum também a muitos os ataques à AD, cujo “espírito reformista de Sá Carneiro” consideraram estar no CHEGA e não na “suposta nova AD”, sobre a qual o adjunto da Direção Diogo Pacheco de Amorim disse ser “‘fake’ [falsa], feita na Tailândia”, nascida “para lutar contra a direita”.

Também o vice-presidente Tanger Corrêa recolheu fortes aplausos da sala ao dizer que o CHEGA é a “representação daquilo que é a Aliança Democrática verdadeira e única, não é esta imbecilidade e esta estupidez que criaram agora”.

Os temas que, todavia, arrancaram sempre forte entusiasmo na plateia foi o da igualdade e identidade de género, cujas políticas governamentais o CHEGA promete abolir, e o combate à imigração.

Aos apelos à família tradicional juntaram-se os ataques aos imigrantes que, segundo o próprio Ventura, “vêm obrigar as nossas mulheres a usar burcas” e “mudar a bandeira e história” de Portugal.

Além das promessas dirigidas às forças policiais, outras anunciadas na convenção foram a equiparação faseada das pensões mínimas ao salário mínimo nacional até 2030, o corte das verbas orçamentais relativas à igualdade e identidade de género, o fim do IMI (imposto sobre os imóveis), e do IUC (imposto de circulação), bem como a aplicação do IVA zero aos produtos essenciais e a “todos os produtos portugueses” e do IVA a 6% para a restauração.

No seu primeiro discurso, André Ventura havia ainda de anunciar a intenção — sempre se viesse a ser governo — de acabar com a contribuição do Estado para a constituição de um Museu sobre a guerra colonial em Angola.

Os dirigentes do CHEGA não chegaram a explicitar como seriam encontradas verbas para as medidas propostas, as quais, do ponto de vista orçamental, equivaleriam a mais de 11 mil milhões de euros a mais, de acordo com o secretário de Estado para a Juventude e Desporto João Paulo Correia, presente na sessão de encerramento.

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