Netanyahu quer “vitória completa” sobre o Hamas

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse hoje que quer um “triunfo completo” sobre o Hamas, após a morte de 21 soldados israelitas num ataque e a intensificação do cerco a Khan Yunis, no sul da Faixa de Gaza.

© Facebook de Benjamin Netanyahu

“A minha principal expectativa é um triunfo completo, não há substituto para a vitória”, declarou o primeiro-ministro israelita, enquanto as forças israelitas aprofundam a sua ofensiva terrestre na cidade de Khan Yunis.

Num encontro com soldados numa base das Forças de Defesa de Israel, Netanyahu criticou os que acreditam que uma vitória completa para exterminar o Hamas não é possível, enquanto Israel mantém a sua ofensiva terrestre sem alcançar os objetivos militares declarados.

“É possível, é necessário e não temos outra opção: a vitória completa”, afirmou o chefe do Governo israelita, perante a diminuição da confiança da opinião pública na sua gestão da guerra e quando aumentam as críticas da oposição e a pressão das famílias dos reféns em posse do Hamas, que lhe pedem uma trégua que conduza à sua libertação.

Israel intensificou desde segunda-feira a sua ofensiva em zonas de Khan Yunis onde as suas tropas terrestres quase não tiveram presença, segundo a imprensa local, e onde tenta atacar e enfraquecer as milícias palestinianas.

As tropas israelitas lançaram uma operação na zona ocidental da cidade e começaram a dirigir-se para o seu interior, uma etapa que deverá continuar nos próximos dias.

“Desmantelar a estrutura militar do Hamas na zona ocidental de Khan Yunis é o cerne da lógica desta operação”, afirmou o Exército num comunicado, no qual explica que a ação visa os centros de comando e controlo do grupo palestiniano, bem como túneis e infraestruturas.

Esta área é “um ponto importante para a Brigada Khan Yunis do Hamas”, segundo o Exército, e o local onde se presume que se encontrem o líder do grupo islamita na Faixa de Gaza, Yahia Sinwar, e o chefe das suas milícias, Mohamed Deif, ambos naturais de Khan Yunis, e que estão no topo da lista dos homens mais procurados pelas tropas israelitas.

O Exército disse estar a combater “numa área densamente povoada de civis”, o que “exige métodos de ação muito específicos e operações precisas”, e onde existem centros de deslocados e hospitais onde afirma terem sido vistos combatentes do Hamas.

As forças de Telavive alegam que há uma semana foi disparado um projétil do Hospital Nasser de Khan Yunis, onde assegura que há membros das milícias no seu interior e contra os quais foram preparadas “várias estratégias e uma série de métodos”.

Segundo a imprensa local de Gaza, o Exército sitiou o centro médico Naser em Khan Yunis, o principal da cidade e o maior ainda em funcionamento na Faixa de Gaza, onde grande parte dos centros de saúde está fora de serviço ou sem capacidade de atendimento.

Desde segunda-feira têm havido fortes ataques nas áreas próximas daquele hospital, o que, segundo o Crescente Vermelho Palestiniano, também acontece junto do hospital Al-Amal.

De acordo com uma porta-voz da organização, registam-se “tiroteios contínuos e repetidos ataques contra deslocados” nas proximidades do Hospital de Al-Amal, “enquanto ambulâncias tentam abrir vias alternativas para facilitar” o transporte dos feridos.

O cerco de Khan Yunis marca o 109.º dia de guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, num cenário de frio e falta de comida, água potável, recursos básicos ou eletricidade devido à falta de combustível, entre a devastação generalizada.

Por outro lado, segundo fontes de segurança egípcias, o Hamas rejeitou a proposta de trégua de Israel, que, segundo o jornal digital israelita Walla, oferecia uma pausa de dois meses na ofensiva pela libertação dos reféns e em troca de prisioneiros palestinianos.

De acordo com um alto dirigente do Egito, país mediador das negociações, o Hamas recusa-se a libertar mais reféns até que a guerra termine completamente e as forças israelitas sejam completamente retiradas do enclave palestiniano.

Israel apenas ofereceu uma trégua temporária e uma retirada parcial das tropas em determinados pontos, mas sublinhou que quer manter o controlo de segurança sobre a Faixa de Gaza em qualquer cenário pós-guerra.

O mais recente conflito entre Israel e o Hamas foi desencadeado pelo ataque sem precedentes do movimento islamita palestiniano em território israelita, massacrando 1.140 pessoas, na maioria civis, e levando mais de 200 reféns, segundo números oficiais de Telavive.

Em retaliação, Israel, que prometeu eliminar o movimento palestiniano considerado, tal como o Hezbollah, terrorista pela União Europeia e Estados Unidos, lançou uma ofensiva em grande escala na Faixa de Gaza, onde, segundo o governo local, já foram mortas mais de 25.000 pessoas – na maioria mulheres, crianças e adolescentes.

O conflito provocou também cerca de 1,9 milhões de deslocados (cerca de 85% da população), segundo a ONU, mergulhando o enclave palestiniano sobrepovoado e pobre numa grave crise humanitária.

Últimas do Mundo

Milhares de agricultores juntaram-se este sábado, dia 10 de janeiro, em Athlone, no centro da Irlanda e em Ourense, Espanha, para protestar contra o acordo de comércio livre entre a União Europeia e o Mercosul, de acordo com as agências AFP e EFE.
A polícia de Devon e Cornualha informou que a vítima mortal é um homem com cerca de 50 anos que morreu na noite de quinta-feira após a queda de uma árvore sobre a caravana em que se encontrava.
As autoridades australianas declararam hoje o estado de catástrofe devido à dimensão dos incêndios florestais, que destruíram várias casas e devastaram vastas áreas de floresta no sudeste rural do país.
O número de insolvências de empresas na Alemanha atingiu em 2025 o nível mais alto dos últimos 20 anos (17.604), de acordo com uma análise divulgada hoje pelo Instituto Leibniz de Investigação Económica de Halle (IWH).
A igreja católica de Espanha vai assumir a reparação de centenas de vítimas de abusos sexuais cujos casos não podem já ter resposta por via judicial, segundo um acordo assinado hoje entre a Conferência Episcopal e o Governo.
A justiça britânica aplicou penas de prisão a três residentes de Epping, em Essex, que, somadas, superam a condenação do imigrante ilegal responsável por crimes sexuais que desencadearam os protestos.
Os aeroportos europeus de Amesterdão, Bruxelas e Paris tiveram hoje de cancelar centenas de ligações aéreas, incluindo para Portugal, devido à queda de neve e vento, de acordo com as autoridades locais.
A secção do Ministério Público federal alemão responsável pelo combate às ameaças terroristas anunciou hoje que vai investigar a hipótese de terrorismo e sabotagem no apagão em parte de Berlim, ocorrido sábado.
Os agricultores da União Europeia (UE) terão ao seu dispor, no próximo quadro financeiro plurianual 2028-2034, um montante reservado de 293,7 mil milhões de euros, garantiu hoje a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Um ato de sabotagem contra a rede elétrica mergulhou bairros inteiros do sudoeste de Berlim no caos, afetando dezenas de milhares de pessoas, empresas e serviços essenciais. As autoridades alemãs falam agora num ataque deliberado reivindicado por um grupo extremista.