Bruxelas alerta que há mais cocaína nas ruas a desencadear “violência mortal”

A comissária europeia dos Assuntos Internos considerou hoje que “há mais cocaína no mercado europeu do que no passado” e que é necessário impedi-la de entrar para evitar que seja combustível para “violência mortal nas ruas”.

© D.R.

 

“No último ano as autoridades alcançaram recordes. No verão passado, oito toneladas de cocaína [apreendidas] em apenas uma operação, a maior de sempre em Roterdão [Países Baixos]. Em agosto do ano passado, em Algeciras [Espanha] nove toneladas e meia de cocaína escondidas entre bananas. Também um recorde. Em Antuérpia, só no último ano, 11 toneladas [apreendidas]. Contudo […], a cocaína parece ser imune à inflação. O fluxo de drogas continua a aumentar. Hoje há mais cocaína no mercado europeu do que no passado”, disse Ylva Johansson, no início de uma cerimónia de lançamento da Aliança Europeia de Portos, em Antuérpia, na Bélgica.

A Aliança, como adiantou a Comissão Europeia, tem o propósito de coordenar a resposta das autoridades policiais e aduaneiros nos portos da União Europeia (UE) para combater o crime organizado e o tráfico de droga.

Ylva Johansson acrescentou, em Antuérpia, que escolheu um “dos principais portos da Europa” para lançar o combate “a uma das maiores ameaças” que os 27 enfrentam hoje: “A ameaça do crime organizado, tão grande como a do terrorismo. As drogas que entram nos nossos portos, sobretudo através dos nossos portos, são o combustível para a violência mortal nas ruas”.

E apresentou os dados: “mais de 600 explosões nos Países Baixos” só em 2023, “três vezes mais do que no ano anterior”, e, por exemplo, na Suécia em 2023 “350 tiroteios, que mataram 53 pessoas”.

“Imaginem que eram tiroteios terroristas, explosões terroristas. A sociedade exigiria ação. E é isso que vamos fazer a partir de hoje […], os criminosos estão a recrutar crianças cada vez mais pequenas para atos violentos. Crianças a matar crianças”, advertiu a comissária europeia.

E dramatizando com o que está a acontecer do outro lado do Atlântico, no Equador, onde “os gangues de criminosos estão a atacar diretamente as instituições criminosas”, Ylva Johansson considerou que “já está a acontecer cá”: “Nos Países Baixos com os homicídios de um advogado e de um jornalista às mãos de traficantes”.

A coordenação, explicou a responsável pela pasta dos Assuntos Internos na Comissão Europeia, vai possibilitar uma transmissão de informações entre as autoridades aduaneiras e policiais mais rápida, permitindo a deteção de grupos que se infiltram nos portos através de “subornos e corrupção”.

“É muito difícil uma pessoa entrar simplesmente num porto para tirar as drogas de um contentor. Para isso, precisam de ajuda no interior. E são espertos na abordagem, cultivam as relações com as pessoas que trabalham nos portos, por exemplo, indo ao mesmo ginásio, oferecendo grandes quantias de dinheiro para terem acesso aos contentores, são centenas de milhares de euros em subornos”, completou.

A parceria público-privada lançada hoje vai “identificar vulnerabilidades”, “trocar e promover as melhores práticas” entre todos os portos europeus que são alvo das redes de tráfico de droga.

“Práticas como a proibição [de trabalhar em portos] aqui implementada na Bélgica para pessoas que tenham antecedentes criminais relacionados com drogas, ou a verificação dos trabalhadores aduaneiros”, exemplificou a comissária.

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