Ventura considera eleições na Madeira a “melhor solução”

O presidente do CHEGA defendeu hoje que a queda de um Governo deve levar à convocação de eleições, mas admitiu que a situação na Madeira merece uma reflexão por parte do Presidente da República e dos partidos.

© Folha Nacional

“Se cai o chefe do governo, a minha posição de princípio é que deve haver eleições para que o povo possa voltar a manifestar-se”, afirmou.

André Ventura falava aos jornalistas à margem da entrega da lista de deputados pelo círculo eleitoral de Lisboa, que encabeça.

“Eu admito que as pessoas neste momento não queiram, mas eu acho que, teoricamente, a melhor solução é sempre haver eleições”, defendeu, ressalvando que, neste caso, “face ao contexto prático, vai ter de haver uma reflexão”, nomeadamente dos “líderes de partidos e do Presidente da República, sobre a melhor solução”.

Ainda assim, o presidente do CHEGA considerou que “ninguém quer eleições na Madeira”, mas questionou a legitimidade de “um governo que já estava fragilizado, que já tinha perdido a maioria absoluta, que já estava dependente de um partido com um deputado, e agora vê-se envolvido num escândalo de corrupção”.

Ventura considerou ainda que o Presidente da República, apesar de só poder dissolver a Assembleia Legislativa Regional da Madeira a partir de 24 de março, seis meses após as últimas eleições, tem a opção de fazer o “anúncio político da dissolução e a sua formalização jurídica apenas daqui a dois meses, e ficaria numa espécie de governo de gestão até ouvir a população da Madeira”.

E assinalou que “foi o que aconteceu” a nível nacional após a demissão do primeiro-ministro, em novembro.

O presidente do CHEGA saudou a decisão de Miguel Albuquerque de deixar a presidência do Governo Regional da Madeira, reiterando que “não havia nenhumas condições” para que continuasse no cargo.

André Ventura disse que o CHEGA estava a preparar uma moção de censura ao Governo Regional, tal como fez o PS, e que agora essa iniciativa será de ser reavaliada.

“Vai depender muito, por exemplo, do nome que vier a ser apontado, se é uma pessoa também envolvida ou não”, indicou, referindo que se os escolhidos para o novo Governo Regional “estiverem igualmente envolvidos em problemas destes, o CHEGA não hesitará em avançar e persistir com a moção de censura”.

O líder do CHEGA disse esperar uma mudança dos restantes membros do executivo regional, “pelo menos garantindo que não vai haver mais problemas deste tipo no governo da Madeira durante os próximos meses”.

“Acho que isso era muito, muito importante, até pela estabilidade e a credibilidade que o Governo da Madeira merece”, sustentou.

O presidente do Governo da Madeira, Miguel Albuquerque (PSD), anunciou hoje que vai abandonar o cargo, dois dias depois de ter sido constituído arguido num processo em que são investigadas suspeitas de corrupção na região autónoma.

Na ocasião, o líder do CHEGA foi questionado também sobre a Operação Marquês, e a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa de pronunciar o ex-primeiro-ministro José Sócrates por 22 crimes, incluindo corrupção, determinando a ida a julgamento neste processo de 22 arguidos por 118 crimes económico-financeiros.

Ventura disse ser “incompreensível, independentemente qual seja o resultado, que José Sócrates não fosse a julgamento”.

“Nós temos de fazer o ajuste de contas com esse período da nossa história e esse julgamento tem de acontecer”, defendeu, acusando o antigo primeiro-ministro de querer que os crimes prescrevam “e que nunca se saiba a verdade”.

Últimas de Política Nacional

O Livre tentou impedir André Ventura de presidir à comissão parlamentar de inquérito à atuação de Luís Neves, alegando um possível conflito de interesses relacionado com o assalto ao gabinete do líder do CHEGA. O pedido foi dirigido ao presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, que rejeitou os argumentos apresentados e não identificou qualquer impedimento legal.
André Ventura anunciou, esta sexta-feira, a recandidatura à liderança do CHEGA, durante o Conselho Nacional do partido, em Lisboa. Perante uma estrutura que afirma ter atingido os 100 mil militantes, garantiu que o CHEGA será o maior partido do país, atacou os interesses instalados e deixou um aviso: “Quem nos vai travar? Bruxelas? A imprensa? Não! Só nós nos podemos travar!”
André Ventura acusou esta sexta-feira Luís Montenegro de transformar a cobrança de impostos numa prioridade do Governo, enquanto as famílias enfrentam despesas cada vez mais difíceis de suportar. No Parlamento, o presidente do CHEGA denunciou uma receita fiscal recorde, criticou a manutenção do IVA dos combustíveis e das portagens e acusou o primeiro-ministro de se "rir da pobreza dos portugueses".
André Ventura acusou esta quinta-feira PS e PSD de bloquearem a investigação parlamentar aos mandatos de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. No debate de urgência na Assembleia da República, o presidente do CHEGA apontou diretamente a Aguiar-Branco e denunciou aquilo que considera ser uma tentativa de proteger o atual ministro da Administração Interna do escrutínio parlamentar.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves toma posse no dia 14, mas o entendimento parlamentar que limita a duas as CPI em funcionamento pode travar o arranque dos trabalhos. Ventura contesta uma regra que não está "nem na lei nem na Constituição".
PS e PSD chegaram a um entendimento para que os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves sejam suspensos enquanto estiverem em funcionamento outras duas comissões de inquérito. A solução adia, na prática, o arranque pleno da investigação parlamentar pretendida pelo CHEGA à atuação de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária.
André Ventura acusou esta terça-feira o presidente da Assembleia da República de estar a atrasar a Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. O líder do CHEGA diz que o partido já aceitou sucessivas limitações e desafia Aguiar-Branco a explicar por que razão a comissão ainda não avançou.
André Ventura anunciou este sábado, em Coimbra, que vai assumir pessoalmente a presidência da Comissão Parlamentar de Inquérito aos mandatos de Luís Neves na Polícia Judiciária. Líder do CHEGA promete uma investigação “até ao fim”, garante que não haverá bloqueios aos restantes partidos e deixa um aviso: “Não deixarei que Luís Neves, nem outros Luís Neves, sejam bloqueadores da verdade.”
André Ventura criticou a decisão de José Luís Carneiro de propor a abstenção do PS no Orçamento do Estado para 2027 antes de ser conhecido o documento. O Presidente do CHEGA considera que os socialistas passam a ser "parceiros" do Governo e questiona que margem resta para negociar medidas em áreas como Saúde, Administração Interna, combustíveis e alimentação.
A Comissão parlamentar vai analisar a atuação de Luís Neves durante os oito anos em que dirigiu a Polícia Judiciária e apurar eventuais responsabilidades dos membros dos governos que o nomearam e tutelaram. O CHEGA fica com a presidência, enquanto PS e PSD assumem as duas vice-presidências.