20 Junho, 2024

Lusodescendente condenada a 21 anos por tentar derrubar Governo da Venezuela

Um tribunal de Caracas condenou quarta-feira a lusodescendente Carla da Silva a 21 anos de prisão, juntamente com outras 28 pessoas, militares e civis, por conspirarem para derrubar o Governo da Venezuela.

©D.R.

A sentença do tribunal foi conhecida após uma audiência de mais de 15 horas de duração, em que foram acusados dos crimes de traição, conspiração, rebelião, tráfico de armas de guerra, associação para cometer crimes e financiamento de terrorismo.

Vinte dos acusados foram condenados a 30 anos de prisão e outros nove, entre eles Carla da Silva, a 21 anos de prisão, por terem alegadamente participado, em 3 de maio de 2020, na “Operación Gedeón”, também conhecida como “Macutazo”.

Esta falhada incursão marítima de ex-militares no exílio tentou, com o apoio de um antigo membro das forças especiais dos EUA, infiltrar-se no país e treinar venezuelanos para derrocar o Governo do Presidente Nicolás Maduro, numa operação durante a qual faleceram seis dissidentes.

A decisão do tribunal foi confirmada pelo advogado Alonso Medina Roda, da organização não governamental (ONG) Coligação pelos Direitos Humanos, através da rede social X (antigo Twitter).

Em outubro, outra ONG venezuelana, a Foro Penal (FP), pediu às autoridades que libertassem a jovem Carla da Silva, que estava detida preventivamente há mais de três anos.

“Carla da Silva é uma das presas políticas na Venezuela. Foi detida arbitrariamente em 5 de maio de 2020, e encontra-se em ‘El Helicoide’ [prisão em Caracas], lugar do qual tanto se conhece porque vários presos políticos estão aí (…). Em conformidade com a nossa lei, deveria estar em liberdade, porque ninguém pode estar mais de três anos privado da liberdade preventivamente”, explicou o diretor do FP.

Num vídeo divulgado na Internet, Alfredo Romero disse que a luso-venezuelana estava detida ao cuidado do Serviço Bolivariano de Inteligência, os serviços de informação do regime de Caracas.

No mesmo vídeo, a professora de filosofia Miriam Marrero, mãe de Carla da Silva, defendeu que a filha “é uma presa política, uma sequestrada pelo regime”.

“Na minha casa há um lugar vazio na mesa, na cama, e quando acordo pela manhã não posso dar os bons dias à minha filha, nem a bênção, porque foi sequestrada, torturada”, disse Marrero, acrescentando que Carla da Silva denunciou ter sido torturada por três funcionários das Forças de Ações Especiais (FAES).

Segundo a imprensa venezuelana, Carla da Silva foi detida em 5 de maio de 2020, durante uma festa infantil na qual conheceu uma mulher que teria alegadamente participado, dois dias antes, na “Operación Gedeón”.

A luso-venezuelana foi levada por funcionários das FAES para La Quebradita (oeste de Caracas), onde foi interrogada e impedida de regressar a casa.

Só passados 20 dias é que os familiares conseguiram saber que Carla da Silva tinha sido detida e onde se encontrava.

Segundo o portal de notícias Efecto Cocuyo, Carla da Silva foi torturada durante dois dias, amarrada e colocaram-lhe um saco de plástico na cabeça, enquanto era espancada.

O telemóvel da lusodescendente foi inspecionado e a jovem foi submetida ao teste do polígrafo.

Os últimos dados divulgados pela FP dão conta de que na Venezuela existem 274 pessoas presas por motivos políticos, das quais 252 são homens e 22 mulheres, 127 civis e 147 militares.

Ainda segundo a FP, foram registadas 15.831 detenções por motivos políticos na Venezuela, país onde mais de nove mil pessoas “continuam arbitrariamente sujeitas a medidas restritivas da sua liberdade”.

Agência Lusa

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