Médicos em Luta prometem “verão quente” para assegurar escalas das urgências

O movimento Médicos em Luta está a recolher assinaturas para uma carta a enviar ao Ministério da Saúde a alertar para os problemas do setor e admite um “verão quente”, com falta de profissionais para preencher as urgências.

© D.R.

“Neste momento estão-se a recolher assinaturas para um abaixo-assinado numa carta à ministra” a recusar fazer horas extraordinárias adicionais, disse Susana Costa, porta-voz do movimento Médicos em Luta.

Perante a falta de profissionais para preencher as escalas dos serviços de urgência, a médica avisou que, “ainda que não haja a movimentação que houve ano passado”, quando milhares de médicos aderiram, o país vai “ter um problema muito sério no preenchimento das escalas dos serviços de urgência”.

Em declarações à Lusa, a dirigente do movimento inorgânico que promoveu a recusa às horas extraordinárias no ano passado avisou que “será um verão quente” para completar as escalas durante o período de férias.

O movimento Médicos em Luta nasceu nas redes sociais em 2023 e chegou a juntar sete mil clínicos num protesto que paralisou várias urgências, em particular no período do Natal.

Depois desse protesto nacional, “muitos médicos mantiveram a recusa às urgências, até porque não estavam já obrigados a isso”, em muitos casos por questões de idade, explicou.

Em causa está o facto de o sistema de urgências só sobreviver com horas extraordinárias dos médicos, por falta de profissionais.

O movimento tem “uma reunião agendada para o mês de junho” com a tutela e é “fundamental que na mesa das negociações esteja a discussão das carreiras médicas e da grelha salarial”.

Na última reunião da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, com os sindicatos, a governante, “à partida recusou imediatamente a falar sobre grelhas salariais”, algo que o movimento considera “inaceitável”.

Na carta, os médicos dizem estar indisponíveis para fazer mais do que as horas extraordinárias obrigatórias por ano a partir de 01 de julho, se não existir acordo com os sindicatos.

“É importante para nós que essa discussão seja retomada” e que se discuta a “situação grave e catastrófica do Serviço Nacional de Saúde”, afirmou, destacando, em particular, “as situações oncológicas, a saúde materno infantil, a resposta nos serviços de urgência e a um médico de família para cada para cada utente”.

Sobre o plano de emergência apresentado na quarta-feira pelo governo, o movimento considera que há “algumas propostas que são importantes”.

“Eu acho que há propostas que são válidas, agora se vão funcionar, veremos”, afirmou Susana Costa, admitindo que “houve um esforço muito grande num curto espaço de tempo de resolver aquilo que realmente está muito mal há muito tempo e que é prioritário resolver”.

“Agora vamos ver se se estas medidas têm um impacto positivo na resposta do Serviço Nacional de Saúde”, concluiu.

Últimas do País

A população portuguesa está entre as mais céticas na União Europeia quanto à capacidade de as autoridades nacionais lidarem com desastres naturais. Um relatório revela que 66% dos portugueses consideram que as autoridades nacionais não estão bem preparadas para lidar com esses eventos, a quarta taxa mais elevada na União Europeia.
A PSP anunciou hoje a apreensão de mais de 60 veículos e meios de mobilidade associados a situações de furto, roubo e abuso de confiança, no quadro de uma operação europeia conjunta.
A Polícia Judiciária (PJ) anunciou hoje a detenção em Sintra de um casal estrangeiro procurado no Reino Unido por crimes de burla e branqueamento de dinheiro durante a pandemia da Covid-19.
Está a aumentar o número de crianças que precisam de ser acolhidas em instituições devido a situações de violência familiar. Os casos envolvem menores que necessitam de proteção fora do ambiente em que viviam.
A Binance foi alvo de um ataque informático com impacto estimado em 5,6 mil milhões de euros. A empresa conseguiu congelar cerca de 2,7 mil milhões em ativos e garante que os clientes não terão de suportar eventuais prejuízos.
A Fruti-Taipina está acusada de recorrer a trabalhadores estrangeiros em situação irregular para reduzir os custos laborais. Em causa estão 15 crimes de auxílio à imigração ilegal e outros 15 relacionados com a utilização de trabalhadores estrangeiros sem situação regularizada.
O movimento Missão Escola Pública (MEP) rejeitou hoje “a diminuição das exigências de qualificação” para ensinar no 1.º ciclo, reagindo a uma proposta apresentada há dois dias pelo Ministério da Educação aos sindicatos de professores.
Um homem de 62 anos atacou outro com uma faca, atingindo-o no peito e tentando desferir novos golpes. A intervenção de pessoas que estavam no local impediu a continuação da agressão. O suspeito foi detido pela PSP e ficou em prisão preventiva.
O casal acusado de ter roubado, sequestrado e matado um homem de 80 anos em Aljustrel começa a ser julgado na terça-feira, segundo fontes judiciais.
Uma chamada de atenção pelo barulho na rua terminou numa agressão violenta em Miragaia, no Porto. Um morador foi atacado a murro, pontapé e com uma arma branca, ficando em perigo de vida. A Polícia Judiciária deteve três jovens, com idades entre os 17 e os 18 anos.