Cerca de 300 processos continuam na Justiça contra Banco de Portugal e Fundo de Resolução

Cerca de 300 processos continuam atualmente nos tribunais quer contra o Banco de Portugal quer contra o Fundo de Resolução contestando decisões tomadas no processo da resolução do BES, disse à Lusa fonte oficial do supervisor e regulador bancário.

© Facebook dos Lesados do BES

 

Dez anos após a resolução do Banco Espírito Santo (BES), a Lusa questionou o Banco de Portugal (BdP) sobre a contestação que ainda está pendente na Justiça, pois houve muitas decisões legais que motivaram processos, sobretudo colocados por investidores do BES e do GES (Grupo Espírito Santo).

Em resposta, o BdP disse que “continuam pendentes quase três centenas de processos, quer contra o Banco de Portugal quer contra o Fundo de Resolução”.

Segundo o BdP, estão em causa essencialmente ações que visam a anulação de deliberações do Banco de Portugal, em particular a anulação das deliberações da medida de resolução e a anulação da deliberação de ‘retransmissão’ de dívida do Novo Banco para o BES.

Há também ações de responsabilidade civil ou de pretensão indemnizatória e ações que se relacionam com o procedimento de venda do Novo Banco.

Apesar do elevado contencioso, frisa o BdP que, até hoje, as sentenças conhecidas lhe “têm sido favoráveis”, pelo que ainda não foi condenado a pagar qualquer montante.

O BdP destaca a sentença de março de 2023, em que o Supremo Tribunal Administrativo considerou que não foi ilegal a resolução do BES e declarou constitucional o regime jurídico da resolução.

O BES desapareceu no domingo 03 de agosto de 2014, uma notícia que nesse dia caiu com estrondo, apesar da sucessão de escândalos que vinham sendo conhecidos no BES e em outras empresas do GES.

Perto das 23:00 desse domingo, o então governador do BdP, Carlos Costa, anunciou ao país uma solução “urgente” para o BES.

O BES tornava-se o ‘banco mau’, em que ficaram os ativos considerados ‘tóxicos’ e depósitos de administradores e membros da família. Ao mesmo tempo, foi criado o banco de transição Novo Banco para onde passaram os ativos ‘bons’ (muitos revelar-se-iam problemáticos) e os depósitos dos clientes.

A rápida e estrondosa queda deixou na mira auditores, poder político, mas sobretudo reguladores, em especial o Banco de Portugal e o seu governador, Carlos Costa.

Nos meses seguintes, seria acusado de supervisão ineficaz, de não ter afastado Ricardo Salgado (o presidente do BES) atempadamente, de ter feito pequenos acionistas e clientes do retalho acreditar no banco, apesar de já saber dos problemas. Surgem então muitas críticas de diversos quadrantes parlamentares, manifestações de lesados e centenas de processos em tribunal.

Segundo cálculos feitos pela Lusa, até agora, a resolução do BES custou cerca de 8.000 milhões de euros aos cofres públicos, resultado sobretudo da capitalização inicial do Novo Banco e das recapitalizações feitas pelo Fundo de Resolução no Novo Banco.

Mas as contas não estão fechadas. Por um lado, o Fundo de Resolução terá de pagar aos credores do BES e terá de assumir eventuais indemnizações decididas pelos tribunais. Por outro lado, numa venda do Novo Banco o Fundo de Resolução e o Estado diretamente ficarão com parte das receitas, valor que se deduzirá aos custos públicos com a resolução do BES.

Dez anos depois da queda do BES, o principal processo-crime contra Ricardo Salgado (o julgamento do caso BES/GES), em que é acusado de 65 crimes, deverá arrancar em 15 de outubro. No âmbito do processo-crime, cerca de 2.000 clientes lesados conseguiram em tribunal o estatuto de vítima e também querem ser indemnizados.

Últimas do País

Cerca de um terço dos medicamentos autorizados em Portugal não chegaram ao mercado, incluindo fármacos críticos, limitando o acesso dos doentes, revela o Índex da Equidade de Acesso ao Medicamento divulgado esta quarta-feira, 25 de fevereiro.
Três homens ficaram feridos hoje de madrugada na Rua do Benformoso, em Lisboa, após serem atingidos por uma arma de fogo disparada de uma veículo ligeiro, disse à Lusa fonte da PSP.
Os portugueses são os que mais esforço fazem para pagar medicamentos entre os países de referência da política do medicamento, revela um estudo que estima em 1.577 as mortes anuais evitáveis com maior equidade no acesso aos fármacos.
A Polícia Judiciária (PJ) deteve no aeroporto de Lisboa, por suspeita de tráfico de droga, uma mulher que transportava cerca de sete quilos de cocaína na bagagem.
O sindicato dos oficiais da PSP defende a substituição de polícias por civis em áreas administrativas, estimando uma poupança de 153 milhões de euros em 10 anos com a libertação de 2.500 polícias para funções exclusivamente operacionais.
O Tribunal de Aveiro absolveu hoje um casal por alegadas burlas de investimento com promessas de juros elevados que terão prejudicado 17 pessoas em quase 900 mil euros.
Um homem de 45 anos condenado por tráfico de droga e procurado pelas autoridades do Brasil foi detido pela Polícia Judiciária (PJ) em Vila Franca de Xira, anunciou hoje a PJ.
O levantamento preliminar feito pelos serviços do Município da Marinha Grande aponta para mais de 118 milhões de euros os danos na sequência do mau tempo, anunciou hoje aquela autarquia do distrito de Leiria.
O Município de Alenquer, no distrito de Lisboa, contabilizou um prejuízo de 14 milhões de euros com os estragos provocados pelo mau tempo registado nas últimas semanas, disse esta terça-feira o seu presidente.
A Guarda Nacional Republicana (GNR) está a investigar um furto de gado numa propriedade situada na freguesia de Selmes, no concelho de Vidigueira, distrito de Beja, disse esta terça-feira, dia 24 de fevereiro, à agência Lusa fonte daquela força de segurança.