Bastonário diz que com mais farmacêuticos SNS conseguia maior poupança

O bastonário dos farmacêuticos considerou hoje que a falta destes profissionais nos hospitais públicos impede uma maior poupança, seja por via da preparação de medicamentos, como os biossimilares, ou da reconciliação terapêutica após a alta.

© LUSA/ANTÓNIO COTRIM

Helder Mota Filipe falava à Lusa a propósito do Top Farmácia Hospitalar 2024, uma iniciativa da Ordem dos Farmacêuticos (OF) que, pela primeira vez, avaliou e comparou a qualidade na prestação dos serviços nas farmácias hospitalares.

Segundo o Top Farmácia Hospitalar 2024, que é hoje apresentado e que contempla distinções para várias farmácias dos hospitais públicos, em diversas áreas, no ano passado estavam 17.470 doentes em tratamento com medicamentos biossimilares (desenvolvidos depois de expirar a patente de um fármaco biológico) e 8.260 com medicamentos biológicos de referência.

Globalmente, por cada doente em tratamento com biológico de referência existem 2,1 doentes em tratamento com biossimilares.

“Dá que pensar tendo em consideração que o estudo apenas compara a utilização de biológicos em produtos que já têm biossimilares e, portanto, este é um aspeto importante”, disse o bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, Helder Mota Filipe, lembrando que “os biossimilares são significativamente mais baratos do que os originadores”.

A este respeito, o especialista deu o exemplo da ULS e Santa Maria, onde para um único fármaco, a intervenção do farmacêutico na utilização de biossimilares conseguiu uma poupança de 60 milhões de euros em seis meses.

“Se nós extrapolarmos isto para todos os hospitais que provavelmente têm que escolher entre preparar o mais caro, mas que é mais fácil de preparar, ou ter uma maior intervenção dos farmacêuticos no mais barato, veja a poupança que se obtinha apenas numa única situação”, explicou.

Helder Mota Filipe sublinhou que a falta de farmacêuticos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) aparece como um ponto transversal a todos os dados recolhidos para o Top Farmácia Hospitalar: “O número de acompanhamentos farmacêuticos nas visitas médicas ou de consultas farmacêuticas feitas pelos hospitais, ou mesmo o número de reconciliações [terapêuticas] na alta são relativamente baixos”.

“Não é porque não haja necessidade ou porque os doentes não necessitam (…), mas com o número de farmacêuticos que temos no SNS é muito difícil responder a todas as necessidades”, acrescentou.

Segundo os dados recolhidos pela OF, com apoio técnico da consultora IQVIA, em 2023 existiam 712 farmacêuticos nos hospitais participantes (34 das 44 Unidade Locais de Saúde).

A informação recolhida indica ainda que menos de metade (41%) das farmácias hospitalares têm protocolos de reconciliação terapêutica durante o processo de internamento dos doentes e que, a nível nacional, esta reconciliação – em que se avalia a medicação que o doente estava a fazer para ver se precisa de a manter na totalidade face a uma nova situação clínica – apenas foram realizadas em 4,1% das altas de internamento.

“É uma área importantíssima”, afirmou Helder Mota Filipe, lamentando que não haja esta capacidade e insistindo que esta área tem um peso significativo na segurança dos doentes: “muitas vezes são doentes com terapêuticas muito complexas”.

O Top Farmácia Hospitalar analisou o desempenho na prestação de serviços em três dimensões: Consumo e Preparação de Medicamentos, Atividades Clínicas e Segurança do Doente.

Para esta primeira edição foram convidadas todas as ULS de Portugal Continental e os hospitais das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira. O estudo contou com uma representação de 77% (34) das unidades hospitalares do SNS, um valor que a “ultrapassou expectativas”, segundo o bastonário.

“É um exercício importante para poder partilhar com todos os hospitais, nos diferentes parâmetros que estão a ser medidos, quais os que estão a ter melhores resultados para que se saiba onde estão as melhores práticas e outros as possam adotar também”, afirmou.

Últimas do País

O Ministério Público (MP) de Coimbra revelou hoje que deduziu acusação contra dois arguidos, uma pessoa singular e uma pessoa coletiva, por alegada apropriação de diversas quantias pertencentes à Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Tábua (AHBVT).
A menor e outras três jovens saíram de uma instituição de apoio social, sem autorização, e encontraram-se com os suspeitos num jardim da cidade. Os detidos vão ser presentes a primeiro interrogatório judicial.
O presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC) exortou hoje os jovens a deixarem de seguir 'influencers' que os prejudiquem, no dia em que o instituto lançou um novo canal digital sobre saúde mental.
Meses depois das tempestades que devastaram o país, a resposta do Estado continua longe de chegar ao terreno: a maioria das cerca de 18 mil candidaturas para reconstrução de casas na região Centro ainda nem sequer foi analisada e apenas 200 receberam pagamento.
Camas já custam mais de 1700 euros por mês e vagas praticamente desapareceram. Esperas chegam a mais de seis meses.
Um grupo de cidadãos entrega esta quarta-feira na Assembleia da República uma petição, que conseguiu cerca de 17.000 assinaturas 'online', para defender o "fim da ideologia de género".
Dados do estudo europeu 'Wastewater analysis and drugs – A European multi-city study' mostram subida acentuada de cocaína, anfetaminas e ecstasy, num cenário que contraria o resto do país e preocupa as autoridades.
O rapaz de 14 anos acusado de matar a mãe, a vereadora da Câmara de Vagos Susana Gravato, vai começar a ser julgado à porta fechada no dia 25 no Tribunal de Família e Menores de Aveiro, informou hoje fonte judicial.
O secretário-geral da Câmara Municipal de Lisboa, Alberto Laplaine Guimarães, é um dos quatro detidos hoje no âmbito da operação 'Lúmen', que investiga a prática de alegados crimes económicos, incluindo corrupção, em contratos públicos para iluminações de Natal.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) alertou esta terça-feira que os distritos com maior carência de médicos nos últimos anos foram especialmente afetados pelo aumento da mortalidade infantil e materna em 2024, estimando novos agravamentos em 2025 e 2026.