Pena de morte não será aplicada ao “cérebro” do 11 de setembro

Um juiz militar validou um acordo negociado para Khalid Sheikh Mohammed, considerado o "cérebro" dos atentados de 11 de setembro de 2001, que lhe evita a pena de morte, disse hoje um funcionário norte-americano.

©D.R.

“O juiz militar decidiu que os acordos pré-julgamento dos três arguidos são admissíveis e aplicáveis”, disse a fonte governamental à agência francesa AFP sob a condição de não ser identificada.

O acordo foi validado na quarta-feira pelo juiz Matthew McCall, coronel da Força Aérea, segundo a agência norte-americana AP, e previa que os três homens detidos na base militar norte-americana de Guantánamo fossem condenados a prisão perpétua em vez da pena de morte.

Foi revogado no início de agosto pelo Pentágono (sede da Defesa norte-americana), após forte emoção suscitada entre muitos familiares das cerca de 3.000 vítimas dos atentados.

Não ficou imediatamente claro se o Ministério Público irá recorrer da decisão, segundo a AFP.

Se isso não acontecer, a decisão do juiz significa que os três arguidos poderão, dentro de pouco tempo, declarar-se culpados no tribunal militar norte-americano da Baía de Guantánamo, em Cuba, de acordo com a AP.

Os acordos de confissão poupariam Mohammed e dois corréus, Walid bin Attash e Mustafa al-Hawsawi, do risco da pena de morte em troca das confissões de culpa.

Os procuradores negociaram os acordos com os advogados de defesa sob os auspícios do governo, tendo sido aprovados pelo mais alto funcionário da comissão militar na base naval de Guantánamo.

Os três detidos são acusados de terrorismo e do assassínio de cerca de 3.000 pessoas nos ataques nos Estados Unidos, um dos episódios mais traumáticos da história do país.

Em troca de uma pena de prisão perpétua, segundo os meios de comunicação norte-americanos, Mohammed, evita, graças ao acordo, um julgamento em que seria condenado à pena de morte.

Mohammed gabou-se aos investidores de ter concebido e organizado os atentados mais mortíferos da história dos Estados Unidos.

A decisão do acordo, anunciada no final de julho, chocou muitos dos familiares das vítimas e provocou críticas duras entre os republicanos, num país em plena campanha presidencial.

“Com efeito imediato, no exercício da minha autoridade, revogo os três acordos de sentença negociados”, anunciou em agosto o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Lloyd Austin.

“As famílias das vítimas, os membros das nossas forças armadas e o povo norte-americano merecem ver os julgamentos das comissões militares neste caso”, declarou o chefe do Pentágono alguns dias mais tarde numa conferência de imprensa.

Ao anular a decisão do Pentágono, o juiz alegou que Austin podia supervisionar o processo quando estava em curso, mas não tinha autoridade legal para rescindir os acordos de confissão enquanto secretário da Defesa.

Os três homens nunca foram julgados, uma vez que o processo para os levar a julgamento ficou bloqueado pela questão de saber se a tortura de que foram vítimas em prisões secretas da Agência Central de Inteligência (CIA) contaminou as provas contra eles.

A maior parte das pessoas conhece Khalid Sheikh Mohammed através de uma fotografia tirada na noite em que foi detido, em 2003, com o cabelo despenteado e o bigode farfalhudo, vestido com um pijama branco.

O Lawdragon, uma página de notícias jurídicas na Internet que há muito cobre os processos judiciais de Guantánamo, e o jornal The New York Times foram os primeiros a noticiar a decisão do juiz, segundo a AP.

Últimas do Mundo

Uma operação conjunta da Polícia Judiciária (PJ) e da Guarda Civil espanhola desmantelou uma rede que se dedicava ao tráfico de pessoas, fez cinco detidos e resgatou dois homens cativos há décadas, anunciaram hoje as autoridades portuguesas.
Pelo menos cinco pessoas morreram hoje num tiroteio na cidade de Stade, no norte da Alemanha, e um suspeito foi detido, segundo os meios de comunicação locais.
O número de cidadãos portugueses desaparecidos ou incontactáveis ​​na Venezuela devido aos sismos de quarta-feira cifra-se em 89, 52 homens e 37 mulheres, segundo o último balanço do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
O autor do ataque com carro a um mercado de Natal na cidade alemã de Magdeburgo que em dezembro de 2024 fez seis mortos e cerca de 330 feridos, foi hoje condenado a prisão perpétua.
Nove portugueses e lusodescendentes morreram na sequência dos dois sismos registados quarta-feira na Venezuela e que causaram centenas de vítimas, segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
Quarenta e cinco por cento das cidades europeias bateram ou estão prestes a superar os máximos históricos de stress térmico durante a atual onda de calor no continente, indica um estudo publicado hoje pelo World Weather Attribution.
Mais de 100 voos foram cancelados hoje, à medida que duas tempestades tropicais se aproximam do Japão, tendo as autoridades recomendado a evacuação de certas zonas devido ao risco de inundações e deslizamentos de terra.
O Parlamento espanhol aprovou esta quinta-feira, por maioria absoluta de deputados, uma resolução em que pede ao primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, para se demitir ou, pelo menos, submeter-se a uma moção de confiança.
Anúncios com preços de dezenas de milhares de euros e descrições consideradas invulgares na plataforma para comprar e vender roupa pré-adquirida desencadearam uma onda de suspeitas de tráfico de menores nas redes sociais. O caso chegou às autoridades francesas, que decidiram abrir uma investigação.
Pelo menos 164 pessoas morreram e 971 ficaram feridas depois de dois fortes sismos terem atingido a Venezuela, declarou hoje a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez.