Associação de Leiria registou 160 novas vítimas de violência doméstica este ano

A Mulher Século XXI, sediada em Leiria, registou este ano 160 novas vítimas de violência doméstica, revelou a associação em comunicado, realçando que daquele número 16 são homens.

© D.R.

“Este ano, no Centro de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica do Distrito de Leiria, surgiram 160 novos casos, 16 dos quais foram homens”, divulgou, num comunicado, a associação que, na próxima semana, promove um seminário sobre a temática.

À agência Lusa, a presidente da Mulher Século XXI – Associação de Desenvolvimento e Apoio às Mulheres salientou ser “muito difícil os homens deixarem de parte a vergonha para se apresentarem e dizerem que necessitam de apoio no âmbito da violência doméstica”.

“Dezasseis homens é começar a notar que já estão a ficar um bocadinho mais despertos para esta realidade e para pôr de parte a vergonha e o medo até de depois serem apontados publicamente”, declarou Susana Pereira.

Segundo a dirigente, a maioria dos 160 novos casos registados entre 01 de janeiro e 31 de outubro reporta-se a vítimas de Leiria, havendo ainda muitas pessoas que chegam à associação dos concelhos circundantes, como Batalha, Marinha Grande e Porto de Mós.

“No grupo das mulheres, as principais faixas etárias estão entre os 35-45 e depois 46-55 [anos], sobretudo portuguesas”, adiantou, para assinalar que há 39 imigrantes, 29 dos quais de nacionalidade brasileira.

No caso das vítimas imigrantes, as idades preponderantes situam-se entre os 26 e 35 anos e dos 36 aos 55 anos.

Em 2023, no Centro de Atendimento a Vítimas de Violência Doméstica do Distrito de Leiria, foram recebidas 1.467 pessoas, sendo 183 novos casos.

Susana Pereira afirmou que após a pandemia de covid-19 se falou muito da violência doméstica, o que “fez com que as pessoas aparecessem mais, deixassem de ter tanto medo e sentissem que não eram só elas que estavam a passar pelo problema”.

“Neste momento, parece que estamos a falar pouco da situação e [sobre] os casos não posso dizer que sejam piores, que sejam muito mais, mas uma coisa é que não são menos”, sublinhou.

Para a presidente da Mulher Século XXI, é necessário falar-se “muito sobre esta temática” e “informar as pessoas de que há associações como a Mulher Século XXI e outras em todo o país, da Rede Nacional de Apoio às Vítimas da Violência Doméstica, que estão aqui para as apoiar e que não têm de ter medo”.

“Achamos que, com informação mais frequente, conseguíamos que quase toda a gente soubesse da existência desta rede nacional que é extremamente importante e que tem também casas específicas para homens, para pessoas idosas, para pessoas com deficiência”, adiantou Susana Pereira.

No comunicado, a Mulher Século XXI referiu que na resposta de acolhimento de emergência “foram acolhidas este ano 45 vítimas sendo que 27 são mulheres (faixa etária predominante 36-45) e 18 dependentes (faixa etária predominante de 3-6 anos)”.

Já na resposta de apoio psicológico para crianças e jovens vítimas de violência doméstica que abrange os 10 concelhos da Comunidade Intermunicipal da Região de Leiria, “este serviço recebeu 60 casos novos até outubro, sendo que 43 crianças e jovens são do sexo feminino”.

“Em 47 dos casos a pessoa alegadamente agressora foi um dos progenitores e em 55 dos casos a pessoa alegadamente agressora era do sexo masculino”, esclareceu.

No Gabinete de Apoio à Vítima de Violência de Género do Departamento de Investigação e Ação Penal de Leiria, inaugurado em janeiro, “dos 133 casos atendidos 110 foram vítimas do sexo feminino e 23 masculino”.

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