Abbas defende eleições “sem demoras” na Palestina se Israel permitir

O presidente da Autoridade Nacional Palestiniana (ANP), Mahmoud Abbas, declarou, em entrevista à agência Lusa, que a Palestina está pronta para realizar eleições “imediatamente e sem demoras”, se Israel permitir a votação em Jerusalém Oriental e noutros territórios ocupados.

© Facebook de Antony Blinken

“Estamos muito interessados em realizar as eleições gerais o mais rapidamente possível, pelo que emitimos um decreto presidencial fixando a data, mas as autoridades de ocupação israelitas rejeitaram todas as exigências da comunidade internacional para as realizar em Jerusalém Oriental, tal como aconteceu em todas as eleições anteriores”, afirmou Mahmoud Abbas, na entrevista à Lusa, concedida por escrito.

As últimas eleições gerais na Palestina estiveram agendadas para 2021, mas foram então adiadas por tempo indeterminado pelo líder da ANP, argumentando com a recusa das autoridades israelitas em permitir a sua realização em Jerusalém Oriental, motivando protestos do grupo radical Hamas, que controla a Faixa de Gaza desde 2007 e adversário da Fatah de Abbas, que, por sua vez, governa a Cisjordânia.

“Informámos todas as partes internacionais da necessidade de pressionar as autoridades de ocupação para nos permitirem realizar as eleições em Jerusalém Oriental, como no resto dos territórios palestinianos e, se se nos for permitido fazê-lo, estamos prontos a realizá-las imediatamente e sem demoras”, destacou o presidente da ANP desde 2005, quando sucedeu ao dirigente histórico Yasser Arafat.

O líder de 89 anos da ANP e da Fatah observou que “o sistema político da Autoridade Palestiniana permite que todos participem e apresentem a sua visão política ao povo palestiniano através das eleições” e comprometeu-se a que as urnas determinem o vencedor “com base no desejo do seu povo”.

Por outro lado, a propósito de uma futura administração da Faixa de Gaza, sustentou que o enclave atualmente em guerra ”é parte integrante do território do Estado da Palestina e cai dentro das suas obrigações e responsabilidades diretas, em conformidade com o direito internacional”.

O líder da ANP destacou que, desde o primeiro dia da ofensiva militar em grande escala de Israel na Faixa de Gaza, em 07 de outubro do ano passado, que esse direito é reivindicado pelo seu executivo e foi confirmado entretanto pelo Conselho de Segurança da ONU, não só em relação ao enclave como também ao resto dos territórios palestinianos ocupados na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, exigindo a retirada israelita completa.

Abbas recordou a propósito que “o Governo Palestiniano paga mensalmente os salários dos médicos, professores, funcionários e as contas de eletricidade e água de toda a Faixa de Gaza, além de prestar assistência social a mais de 300.000 casos sociais”.

A Faixa de Gaza tem sido devastada por bombardeamentos intensivos de Israel há mais de um ano, que já provocaram mais de 44 mil mortos, na maioria civis, segundo as autoridades locais do Hamas, numa operação de retaliação ao ataque sem precedentes do grupo armado xiita em solo israelita, onde cerca de 1.200 pessoas foram mortas e outras 250 levadas como reféns.

Os esforços negociais de cessar-fogo entre Israel e o Hamas têm sido infrutíferos e a gestão do território num cenário pós-guerra permanece desconhecida, com o presidente da ANP a alertar que “todas as resoluções de legitimidade internacional confirmam que a visão de uma solução de dois Estados baseada no direito internacional é a base correta para alcançar a paz e a estabilidade na região”.

Nesse sentido, Mahmoud Abbas sustentou que a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), “o único representante legítimo do povo palestiniano”, procedeu à assinatura dos acordos com Israel em 1993”, que deram origem à ANP, mas que os sucessivos governos israelitas “seguiram políticas que minam a solução de dois Estados” como base de um entendimento.

Além disso, acusa Israel de “renunciar à implementação das obrigações nos acordos sob os auspícios da comunidade internacional, especialmente as Nações Unidas, os Estados Unidos da América, a Federação Russa e outros países do mundo”, pelo que “não há necessidade de novas plataformas ou acordos”, mas a implementação do que já foi decidido.

“Sempre afirmámos a nossa adesão à opção da paz e à realização de esforços políticos, diplomáticos e jurídicos como forma de obter os nossos direitos legítimos, entre os quais o principal é o nosso direito à liberdade e à independência”, declarou.

A guerra na Faixa de Gaza conduziu a uma espiral de violência no Médio Oriente, que se estendeu à Cisjordânia e ao vizinho Líbano e atraiu o envolvimento de outros atores internacionais, como o Irão, e o presidente da ANP avisa que a resolução da questão da Palestina “é a única garantia de a região não voltar a explodir novamente.

Últimas do Mundo

A Europa investiu cerca de 45 mil milhões de euros em novos projetos eólicos em 2025, aproximadamente 21 gigawatts (GW), mas o ritmo de implementação permanece "aquém do necessário" face aos objetivos, incluindo em Portugal, segundo um estudo.
O historiador de arte e até aqui presidente do Palácio de Versalhes, Christophe Leribault, vai ser o próximo responsável máximo pelo Museu do Louvre, em Paris, anunciou hoje o Governo francês.
Uma perfuração supostamente causada pelo impacto de uma bala foi descoberta na fuselagem de um avião da American Airlines que fez a ligação entre Medellín, na Colômbia, e Miami, Estados Unidos.
As autoridades belgas abriram uma investigação após a descoberta de pornografia infantil na cela do pedófilo belga Marc Dutroux, em prisão perpétua pela violação de seis raparigas e homicídio de quatro delas, confirmou o Ministério Público local.
O antigo ministro trabalhista britânico Peter Mandelson foi detido hoje em Londres sob suspeita de má conduta em cargo público, anunciou a Polícia Metropolitana.
O calor extremo aumentou cerca de 10 vezes na maioria das regiões da Europa central e do sul entre 2010 e 2024, em comparação com o período 1961/1990, indica um estudo divulgado hoje.
Um homem de nacionalidade sueca, procurado pela Interpol e que detinha passaporte diplomático como conselheiro especial do Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, foi detido pela Polícia Judiciária são-tomense, na ilha do Príncipe, disse hoje à Lusa fonte judiciária.
Os dois executores do testamento de Jeffrey Epstein propuseram um acordo de 25 milhões de dólares (21,2 milhões de euros) às vítimas do criminoso sexual norte-americano que interpuseram uma ação coletiva contra ambos, segundo uma minuta hoje publicada.
As forças policiais de 16 países africanos detiveram 651 pessoas e desmantelaram redes de cibercrime que extorquiram um total de 38 milhões de euros a centenas de vítimas, anunciou hoje a Interpol.
A polícia do Reino Unido deteve hoje Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Carlos III, por suspeita de má conduta em cargo público, noticiaram meios de comunicação social britânicos.