Relatório da CIDH conclui que oposição derrotou Maduro nas eleições

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) divulgou hoje um relatório onde conclui que a oposição venezuelana derrotou Nicolás Maduro nas últimas eleições presidenciais e acusa o Presidente, oficialmente declarado reeleito, de manipulação eleitoral e repressão.

© Facebook de Nicolas Maduro

O relatório ‘Venezuela: Graves Violações dos Direitos Humanos no Contexto Eleitoral’ analisa, em três etapas, a “estratégia repressiva do regime” de Maduro “para impedir a participação política da oposição, para dificultar o desenvolvimento de uma disputa eleitoral livre, justa, competitiva e transparente e para semear o terror entre os cidadãos”.

“Tudo isto com o objetivo de [Maduro] perpetuar-se no poder”, afirma.

Segundo a CIDH, na primeira fase, durante o período pré-eleitoral, o Estado impediu a participação política da oposição, recorrendo ao controlo de várias instituições, como o Ministério Público, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal de Justiça.

“O regime deteve arbitrariamente membros da oposição, ativistas dos direitos humanos e líderes sociais, e intimidou e desqualificou os líderes da oposição”, explica.

A segunda fase, defende, teve lugar durante as eleições presidenciais de 28 de julho, quando o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) “suspendeu a transmissão dos resultados e recusou-se a publicar os registos de votação que apoiavam a suposta vitória” de Maduro.

“Este facto deu origem a graves alegações de fraude eleitoral e a um descontentamento generalizado da população”, sublinha.

Segundo a CIDH, “antecipando a fraude eleitoral”, a oposição recolheu 83,5 por cento das atas de votação em todo o país, alegando a sua autenticidade por terem os respetivos selos, assinaturas e códigos de segurança.

“A totalização destes boletins de voto mostra que Edmundo González Urrutia ganhou as eleições”, afirma.

Após as eleições, no que viria a ser a terceira fase da repressão, “a violência aumentou em resposta aos protestos contra a fraude eleitoral” e “cerca de 300 manifestações espontâneas foram reprimidas pelas forças do regime e por grupos de choque civis”.

“A operação ‘Tun Tun’ causou pelo menos 25 mortes, mais de 2.000 detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, tortura e outras violações graves dos direitos humanos. As forças de segurança efetuaram rusgas sem ordem judicial e detenções em massa, e recorreram à violência sistemática contra os manifestantes”, afirma.

O relatório sublinha que “estas violações dos direitos humanos e as práticas de terrorismo de Estado são uma consequência da cooptação das instituições do Estado pelo poder executivo; da corrupção e do controlo dos poderes públicos que permitiram ao regime agir com total impunidade”.

“As circunstâncias que rodearam as eleições presidenciais constituem uma alteração da ordem constitucional. A opacidade eleitoral e, em geral, as restrições aos direitos políticos registados impedem a CIDH de considerar que a reeleição de Nicolás Maduro goza de legitimidade democrática”, conclui.

No relatório a CIDH “apela ao regime” para que “cesse imediatamente a perseguição política, a repressão e as detenções arbitrárias” e que “liberte urgentemente todas as pessoas detidas arbitrariamente” e “apela ao restabelecimento da ordem constitucional, da separação e da independência dos poderes públicos, à publicação de todos os registos de votação e à autorização de uma auditoria eleitoral independente com observação internacional.

Finalmente, a CIDH “reitera o seu apelo à comunidade internacional para que reconheça a grave crise dos direitos humanos, e que se mantenha vigilante contra novas escaladas de repressão e para que ative todas as vias diplomáticas e institucionais para o regresso da democracia ao país”.

A oposição venezuelana e diversos países da comunidade internacional denunciaram uma fraude eleitoral e exigiram que sejam apresentadas as atas de votação, o que ainda não aconteceu.

Últimas do Mundo

O historiador de arte e até aqui presidente do Palácio de Versalhes, Christophe Leribault, vai ser o próximo responsável máximo pelo Museu do Louvre, em Paris, anunciou hoje o Governo francês.
Uma perfuração supostamente causada pelo impacto de uma bala foi descoberta na fuselagem de um avião da American Airlines que fez a ligação entre Medellín, na Colômbia, e Miami, Estados Unidos.
As autoridades belgas abriram uma investigação após a descoberta de pornografia infantil na cela do pedófilo belga Marc Dutroux, em prisão perpétua pela violação de seis raparigas e homicídio de quatro delas, confirmou o Ministério Público local.
O antigo ministro trabalhista britânico Peter Mandelson foi detido hoje em Londres sob suspeita de má conduta em cargo público, anunciou a Polícia Metropolitana.
O calor extremo aumentou cerca de 10 vezes na maioria das regiões da Europa central e do sul entre 2010 e 2024, em comparação com o período 1961/1990, indica um estudo divulgado hoje.
Um homem de nacionalidade sueca, procurado pela Interpol e que detinha passaporte diplomático como conselheiro especial do Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, foi detido pela Polícia Judiciária são-tomense, na ilha do Príncipe, disse hoje à Lusa fonte judiciária.
Os dois executores do testamento de Jeffrey Epstein propuseram um acordo de 25 milhões de dólares (21,2 milhões de euros) às vítimas do criminoso sexual norte-americano que interpuseram uma ação coletiva contra ambos, segundo uma minuta hoje publicada.
As forças policiais de 16 países africanos detiveram 651 pessoas e desmantelaram redes de cibercrime que extorquiram um total de 38 milhões de euros a centenas de vítimas, anunciou hoje a Interpol.
A polícia do Reino Unido deteve hoje Andrew Mountbatten-Windsor, irmão do rei Carlos III, por suspeita de má conduta em cargo público, noticiaram meios de comunicação social britânicos.
A plataforma de transmissão de vídeos YouTube admitiu que está a sofrer hoje interrupções em vários países, incluindo Portugal e os Estados Unidos.