Bolsonaro impedido de viajar para a posse de Trump nos EUA

O juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro Alexandre de Moraes negou hoje um pedido do ex-Presidente Jair Bolsonaro para recuperar o seu passaporte e viajar para os Estados Unidos, onde pretendia assistir à posse de Donald Trump.

O passaporte de Bolsonaro está retido pelas autoridades brasileiras desde o início do ano passado, quando ele e diversas outras pessoas foram alvo de uma operação da Polícia Federal, que investiga um alegado plano de golpe de Estado que terá sido tramado pelo ex-Presidente e alguns aliados para impedir a posse do atual chefe de Estado brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi a quarta vez que a Justiça brasileira negou devolver o passaporte de Bolsonaro, que lidera a corrente de direita radical no Brasil e tem relações próximas com pessoas ligadas a Trump, que tomará posse como Presidente dos Estados Unidos da América, na segunda-feira.

“O cenário que fundamentou a imposição de proibição de se ausentar do país, com entrega de passaportes, continua a indicar a possibilidade de tentativa de evasão do indiciado Jair Messias Bolsonaro, para se furtar à aplicação da lei penal”, apontou Moraes na decisão.

O despacho também salientou que “não há dúvidas” de que, desde a decisão unânime do STF de reter o passaporte do ex-Presidente, “não houve qualquer alteração fática que justifique a revogação da medida cautelar”.

Moraes baseou-se ainda num parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que considerou que Bolsonaro “não exerce qualquer função que lhe confira a condição de representante oficial do Brasil pela presença em cerimónia oficial nos Estados Unidos”, e recomendou ao juiz do STF que negasse o pedido da defesa do ex-Presidente.

Bolsonaro é investigado pela polícia local em diversos processos criminais relacionados com a falsificação de certificados de vacinas, venda de joias que terá recebido como Presidente do Brasil e de incentivar o ataque às sedes dos Três Poderes, em 08 de janeiro de 2023, quando milhares de seus apoiantes invadiram Brasília com a intenção de provocar o caos e tirar Lula da Silva do poder.

Entre as acusações mais graves está a suspeita de que o ex-Presidente terá tramado, juntamente com assessores e um grupo de militares, um golpe de Estado que incluía, de acordo com a Polícia Federal, o assassínio de autoridades, entre elas, Lula da Silva, o vice-Presidente Geraldo Alckmin e o próprio juiz Alexandre de Moraes que, à época, presidia ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A Polícia Federal brasileira entregou um relatório sobre a alegada tentativa de golpe de Estado no final do ano passado e pediu o indiciamento de Bolsonaro.

O relatório está nas mãos da PGR, que nas próximas semanas terá que decidir se apresenta uma denúncia formal contra o ex-Presidente e outros suspeitos ao STF.

Últimas do Mundo

Mesmo com Espanha mergulhada no luto após a tragédia ferroviária que matou 39 pessoas em Adamuz, o Governo manteve esta segunda-feira a redistribuição aérea de imigrantes ilegais a partir das Canárias, transferindo mais de 180 pessoas para Madrid.
O total de mortos na época das chuvas em Moçambique subiu para 111, com três desaparecidos e 98 pessoas feridas, segundo balanço do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) consultado hoje pela Lusa.
O Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, sigla em inglês) alertou hoje para o risco de resistência antimicrobiana com o uso frequente de doxiciclina na profilaxia pós-exposição a doenças sexualmente transmissíveis.
Habitação mista criada para “promover a integração” acabou marcada por denúncias de violações, assédio sexual e violência. Queixas repetidas foram ignoradas e só anos depois houve detenções.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros informou hoje que até ao momento não há conhecimento de vítimas portuguesas a registar no acidente ferroviário no domingo em Córdova, Espanha, que causou pelo menos 39 mortos.
A afluência às urnas na cidade suíça de Lugano para as eleições presidenciais deste ano em Portugal é a ser maior do que nos anteriores atos eleitorais, apesar da crónica abstenção elevada, sobretudo numa eleição que exige voto presencial.
A impossibilidade de votar por correspondência e a escassez de urnas de voto presenciais vão impedir muitos emigrantes portugueses de votarem nos Estados Unidos, à semelhança do que aconteceu em eleições presidenciais anteriores.
O número de mortos no incêndio que destruiu um complexo residencial em Hong Kong no final de novembro subiu para 168, anunciaram hoje as autoridades, confirmando tratar-se do balanço final após a conclusão das operações de identificação.
Espanha recebeu no ano passado 97 milhões de turistas internacionais, mais 3,5% do que em 2024 e um recorde nos registos do país, segundo uma estimativa oficial divulgada hoje pelo Governo.
A rede social X anunciou na quarta-feira que implementou medidas para impedir que a sua ferramenta de inteligência artificial Grok dispa "pessoas reais", em resposta às críticas e à pressão das autoridades de vários países.