Nova rixa no Martim Moniz acaba com facadas e sangue na rua

Passadas menos de 24 horas da manifestação da esquerda e da extrema-esquerda em defesa dos imigrantes em Portugal, e da vigília do CHEGA pelas nossas forças de segurança, as ruas do coração de Lisboa voltaram a ser palco de uma nova rixa entre cidadãos indostânicos.

© D.R.

“Houve violência”, descreveu o comandante da 1.ª divisão da PSP ao Correio da Manhã.
“Dentes partidos, agressões com arma branca numa perna e na barriga, cortes na cabeça”, causados por uma faca, mas também “objetos metálicos”, acrescentou.
A rixa, ocorrida pelas 14h10 de domingo passado, causou ferimentos com arma branca em pelo menos sete pessoas. Duas pessoas foram esfaqueadas, uma delas atingida nas pernas e outra na zona das costas.
Ao Observador, o líder da comunidade do Bangladesh em Lisboa explicou que os desacatos tiveram como origem “desavenças políticas”, que são “normais no Bangladesh”. “Estes conflitos acontecem em quase todos os distritos, é natural lá. Na Europa e em Portugal, não”, revelou Rana Taslim Uddin.
Segundo Rana Taslim Uddin, o confronto aconteceu “entre duas fações do Partido Nacionalista do Bangladesh [de centro-direita]” e envolveu dois grupos — “um que veio de Vila Nova de Milfontes e outro do Martim Moniz” — que discutem “a liderança da sucursal do partido em Portugal”.
“Tivemos um conflito entre imigrantes que acabou à paulada, com sangue no meio da rua e quem é que chamaram? A polícia. Podiam ter chamado o Pedro Nuno Santos para resolver, a Mariana Mortágua, o Rui Tavares ou até mesmo o Luís Montenegro, mas chamaram a polícia que criticaram”,
começou por acusar André Ventura.
Perante os últimos desacatos, Ventura reforçou que é preciso ter mais polícia na rua e “encostar à parede quem tiver de ser encostado, seja de que cor seja, seja de uma minoria ou não”, considerando que “não foi usada força a mais na operação policial de dezembro na Rua do Benfor-moso” e que “a dissuasão não foi suficiente”.
Para o líder do CHEGA, parte do país político fez uma “figura deplorável” na manifestação contra o racismo, preconceito e xenofobia que terminou no Martim Moniz, e defendeu que os “líderes da esquerda devem um pedido de desculpa à polícia e aos portugueses.”
A verdade é que esta rixa não é a primeira, principalmente naquela zona da capital portuguesa, o que tem motivado alguma preocupação entre as pessoas que vivem e que trabalham perto do local e que não querem que a comunidade seja prejudicada pelo comportamento de algumas pessoas.
“Queixam-se da falta de polícia, de consumo de droga a céu aberto, seringas espalhadas na rua, assaltos… sem que ninguém queira saber deles. Criámos um país que só se preocupa com minorias e estrangeiros e não quer saber dos seus”, apontou Ventura, sugerindo que se chame também o “Batman ou o Super-Homem” da próxima vez que houver “facadas ou pancadaria no Martim Moniz”,
já que a esquerda e a extrema-esquerda “não querem polícia naquele local.”
Na vigília que decorreu ao mesmo tempo que o protesto da esquerda e extrema-esquerda, Ventura ouviu muitas queixas de moradores daquela zona. Nesta senda, o líder do CHEGA considerou que os confrontos deixaram “a nu” o “ridículo a que a esquerda se prestou” na manifestação “Não nos encostem à parede”. E os resultados do Barómetro da Imigração corroboram as queixas: “Os portugueses estão do lado do CHEGA”, reivindicou Ventura.
Os dados mostraram, recorde-se, que cerca de dois terços dos portugueses querem menos imigrantes provenientes do subcontinente indiano e acusaram os imigrantes de contribuírem para mais criminalidade no país. A maioria dos inquiridos (cerca de 68%) considerou que a “política de imigração atualmente em vigor permitiu uma entrada demasiado facilitada” e defenderam ainda que “seria mais benéfico para o país uma política que garantisse uma entrada mais regulada (75,8%)”. Segundo os autores, “grande parte dos inquiridos considerou-a mais como uma ameaça do que como uma oportunidade.”
“As pessoas querem mais controlo na imigração, querem um regime de quotas de imigração e querem, sobretudo, algo que vamos insistir, é que quando alguém comete crimes seja devolvido ao seu país de origem”, declarou Ventura, na altura da divulgação do barómetro.
Aos olhos do CHEGA, tal como tem sido sublinhado nos últimos tempos, é preciso “mais força policial na rua”, o que levou Ventura a rematar:
“Precisamos de encostar à parede quem tiver que ser encostado à parede, seja branco, preto, amarelo, de que cor seja, seja de uma minoria, não seja de uma minoria, temos é que dizer com toda a segurança que queremos dar autoridade à polícia.”
Fonte policial garantiu ao Observador que “rixas como as que temos assistido só mostram a importância de ações de fiscalização” como a realizada em dezembro.
“Já vimos [confrontos] acontecer com alguma frequência nesta zona, daí ter sido programada uma ação de fiscalização. Trabalhamos com os dados e os dados disseram-nos que [o Martim Moniz] seria um local a ter em atenção”, acrescentou a mesma fonte.
A polícia reforçou a presença na zona do Martim Moniz, algo que o comandante disse que já estava previsto, tal como em outras áreas da cidade, como o Mercado de Arroios e o Bairro Alto.
“Há um policiamento de proximidade na Rua do Benformoso e na Mouraria e estaremos aqui todos os dias”, referiu. A operação policial de 19 de dezembro naquela rua resultou na detenção de duas pessoas e já teve como consequência a abertura de um inquérito por parte da Inspeção-Geral da Administração Interna e uma queixa à provedora de Justiça, subscrita por cerca de 700 cidadãos, entre eles deputados do PS, Bloco de Esquerda e Livre.
“O aumento da insegurança é evidente, mas a esquerda e a extrema-esquerda continuam do lado dos criminosos e contra as forças de segurança”,
fez sobressair Ventura.
“Este não é sequer um fenómeno das grandes cidades.
Atualmente, em praticamente todo o país, das maiores cidades às menores povoações, os portugueses sentem o peso da insegurança, a ameaça da
criminalidade, da violência ou do tráfico de droga”, finalizou o líder do CHEGA.

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