Partido de direita radical de Gvir abandona coligação por acordo em Gaza

Os seis deputados do partido israelita de direita radical Poder Judaico, do ministro Itamar Ben Gvir, vão abandonar no domingo a coligação governamental, em protesto contra o acordo de cessar-fogo em Gaza, perdendo o executivo a maioria parlamentar.

© Facebook de Ben Gvir

Num comunicado, o Poder Judaico anunciou que sairá da coligação “à luz da aprovação do arriscado acordo com a organização islamita Hamas”, tal como Ben Gvir já ameaçara na quinta-feira que faria.

Entre os demissionários, encontram-se o líder do partido e ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben Gvir, o ministro do Desenvolvimento do Neguev e da Galileia, Yitzhak Wasserlauf, e Amichai Eliyahu, responsável pela pasta do Património. Juntamente com estes, abandonarão o Knesset (parlamento israelita) os deputados Zvika Fogel, Limor Son Har-Melech e Yitzhak Kroizer.

A saída dos seis parlamentares do Poder Judaico deixará a coligação de Governo do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, com 59 representantes, abaixo dos 61 necessários para ter a maioria parlamentar, embora a oposição não tenha apoios suficientes para assumir o poder executivo.

Na quinta-feira, Ben Gvir assegurou que regressaria ao Governo se a guerra contra o Hamas na Faixa de Gaza fosse retomada, o que significaria o fim do cessar-fogo no final da sua primeira fase, de 42 dias.

Durante a primeira fase, de um total de 94 reféns capturados no ataque de 07 de outubro de 2023 e ainda mantidos em cativeiro no enclave, o Hamas libertará 33, em troca da libertação de 1.890 prisioneiros palestinianos das cadeias israelitas.

Os restantes 61 reféns, vivos e mortos, só serão devolvidos a Israel numa fase posterior, cujos termos serão ainda negociados entre as partes, com a ajuda dos mediadores do Egito, Qatar e Estados Unidos.

O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, que, juntamente com Ben Gvir, se opôs durante toda a guerra a qualquer cessar-fogo e votou contra este acordo, também ameaçou abandonar o Governo se Israel não se comprometer a prosseguir a guerra em Gaza, quando terminar a primeira fase da trégua.

No entanto, Netanyahu manteve pelo menos cinco reuniões com Smotrich nos últimos dias, numa tentativa de impedir que ele saia, oferecendo-se para aumentar a presença de Israel na Cisjordânia ocupada, segundo a comunicação social israelita.

Se perder o apoio do partido de Smotrich, o Sionismo Religioso, o Governo de Netanyahu corre o risco de cair. Mas o líder da oposição, Yair Lapid, ofereceu ao primeiro-ministro o seu apoio como “rede de segurança”, caso isso aconteça, para que o acordo possa ser cumprido.

Por outro lado, em declarações à estação televisiva israelita 12, Ben Gvir assegurou que Netanyahu lhe prometeu despedir o chefe do Estado-Maior do Exército, Herzi Halevi, e atribuir-lhe o mérito se ele não abandonasse a coligação.

“Nada foi oferecido a Ben Gvir. É uma completa mentira”, reagiu o gabinete do primeiro-ministro hoje à noite, num breve comunicado.

Últimas do Mundo

A secção do Ministério Público federal alemão responsável pelo combate às ameaças terroristas anunciou hoje que vai investigar a hipótese de terrorismo e sabotagem no apagão em parte de Berlim, ocorrido sábado.
Os agricultores da União Europeia (UE) terão ao seu dispor, no próximo quadro financeiro plurianual 2028-2034, um montante reservado de 293,7 mil milhões de euros, garantiu hoje a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Um ato de sabotagem contra a rede elétrica mergulhou bairros inteiros do sudoeste de Berlim no caos, afetando dezenas de milhares de pessoas, empresas e serviços essenciais. As autoridades alemãs falam agora num ataque deliberado reivindicado por um grupo extremista.
Mais de 150 residentes tiveram hoje de ser retirados de um complexo de habitação pública em Hong Kong, devido ao segundo incêndio a atingir um bairro social em dois dias.
O Governo português confirmou e lamentou hoje a morte da cidade portuguesa que foi desaparecida após o incêndio ocorrido numa Estância de Esqui em Crans-Mointana, na Suíça, na noite do fim de ano.
Milhares de residências no sudoeste de Berlim afetadas por um corte de quase 24 horas no fornecimento de energia elétrica recuperaram-no esta madrugada, enquanto as autoridades investigam uma possível sabotagem.
A Polícia do Cantão de Valais anunciou hoje que foi aberta uma investigação criminal contra o casal francês que administrava o bar "Le Constellation" em Crans Montana, na Suíça, onde ocorreu um trágico incêndio na véspera de Ano Novo.
As pensões da Segurança Social portuguesa de 678 emigrantes no Luxemburgo e na Suíça foram suspensas por estes não terem provado atempadamente que estão vivos, mas estes valores serão pagos assim que realizadas as provas de vida, segundo dados oficiais.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou hoje que o homólogo da Venezuela, Nicolás Maduro, foi capturado e retirado à força do país, depois de os Estados Unidos terem realizado um “ataque em grande escala” no país.
Uma mulher de nacionalidade portuguesa está entre os feridos do incêndio num bar da estância de ski de Crans Montana, na Suíça, existindo ainda uma outra desaparecida, avançou à Lusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).