Novo Presidente assina ordem executiva para retirar EUA da Organização Mundial de Saúde

O novo Presidente norte-americano assinou uma ordem executiva para retirar os EUA da Organização Mundial de Saúde (OMS), um organismo que Donald Trump tinha criticado duramente pela forma como lidou com a pandemia.

©facebook.com/DonaldTrump

“A OMS defraudou-nos”, acusou na segunda-feira o republicano, ao assinar o decreto, poucas horas depois de ter tomado posse, justificando a retirada com a diferença entre as contribuições financeiras dos Estados Unidos e da China para a organização.

No texto, Trump pede que as agências federais “suspendam a futura transferência de quaisquer fundos, apoios ou recursos do governo dos EUA para a OMS” e orienta-as para “identificar parceiros norte-americanos e internacionais de confiança” capazes de “assumir as atividades anteriormente realizadas pela OMS”.

Os Estados Unidos são o principal doador e parceiro da OMS, uma organização da ONU sediada em Genebra, na Suíça.

De acordo com a OMS, os EUA contribuem para o financiamento da instituição através de uma contribuição indexada ao seu Produto Interno Bruto, mas também através de contribuições voluntárias.

A saída dos Estados Unidos poderá obrigar a OMS uma grande reestruturação e prejudicar os esforços globais de saúde pública, incluindo a vigilância e a resposta a surtos.

A OMS desempenha um papel de coordenação particularmente central durante as emergências de saúde globais.

Durante o primeiro mandato, Donald Trump já tinha tentado retirar o país da organização, que acusou de ser “controlada pela China”.

No entanto, o sucessor, Joe Biden, cancelou a retirada antes de esta entrar em vigor, uma vez que era obrigatório um período de um ano entre o anúncio e a retirada efetiva.

“A decisão de abandonar [a OMS] enfraquece a influência dos Estados Unidos, aumenta o risco de uma pandemia mortal e torna-nos mais vulneráveis”, disse Tom Frieden, antigo dirigente do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, na administração de Barack Obama.

Ao retirarem-se da organização, os Estados Unidos perderão o acesso privilegiado a dados importantes de vigilância epidémica, alertaram vários especialistas, o que poderá prejudicar as capacidades de prevenção de ameaças à saúde provenientes do estrangeiro.

As agências de saúde e as empresas farmacêuticas dos EUA também contam com a OMS “para obter os dados necessários para desenvolver vacinas e terapias”, disse Lawrence Gostin, professor de Direito da Saúde Pública na Universidade de Georgetown.

“Em vez de sermos os primeiros a receber vacinas, ficaremos no final do pelotão. A retirada da OMS inflige uma ferida profunda na segurança norte-americana e na nossa vantagem competitiva em inovação”, disse Gostin.

A retirada é ocorre numa altura em que a elevada circulação do vírus da gripe aviária nos Estados Unidos está a aumentar os receios de uma futura pandemia.

O país registou no início de janeiro a primeira morte humana ligada ao vírus H5N1 .

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