Bancos querem financiar crédito à habitação mas “Estado falhou em criar políticas”

Os bancos têm liquidez e capital suficientes para financiar mais projetos de construção e crédito à habitação, mas faltam políticas públicas que fomentem a oferta de casas, segundo os presidentes de Caixa Geral de Depósitos, BCP e BPI.

© D.R.

Na conferência ‘Observatório do Imobiliário’, em Lisboa, o presidente executivo do BCP, Miguel Maya, disse que o banco “tem capital e liquidez invejáveis” e que está sempre à procura de projetos em que possa conceder crédito, desde logo na habitação, na qual considera que o Estado falhou em criar políticas públicas capazes de antecipar o problema da falta de habitação e assim o mitigar.

Maya considerou que as medidas destinadas aos jovens para facilitar compra de casa (isenções de IMT e imposto de selo e garantia pública no crédito à habitação) são positivas e disse que 2024 foi provavelmente o melhor ano na produção de crédito à habitação para jovens pelo BCP desde 2021.

Contudo, acrescentou que é preciso fazer mais no acesso à habitação, mas que “não há soluções fáceis”.

Também o presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Paulo Macedo, destacou os valores elevados da concessão de crédito, referindo que em 2024 o banco público emprestou 4,1 mil milhões de euros em crédito à habitação e que já em janeiro deste ano emprestou mais 325 milhões de euros (mais 30% do que em janeiro de 2024). Disse ainda que o valor médio do crédito à habitação na CGD é de 60 mil euros, mas que a média do crédito à habitação apenas nos novos contratos já sobe para 150 mil euros.

Sobre o acesso à habitação, o presidente da CGD disse que “continua a haver falta de casas”, que “é preciso mais casas no mercado”, destacando que isso se vê pelo facto de grande parte dos imóveis comprados serem usados, e defendeu que para isso também é necessário “intervir nos preços dos terrenos” e na “libertação de terrenos”.

Considerou ainda que já se fez alguma coisa na conversão de áreas comerciais e de escritórios em habitação, mas “tem de se fazer mais”.

Pelo BPI, João Pedro Oliveira e Costa considerou também que os “bancos têm capacidade de fogo suficiente para apoiar quer seja projetos de construção quer seja crédito à habitação”, mas que há falta de casas e considerou que grande parte disso se deve à burocracia em empreendimentos para habitação.

O presidente do BPI disse que a excessiva burocracia leva a que tarde anos entre a ideia, o licenciamento, as autorizações e o projeto concretizado, pelo que defendeu uma orientação política central no sentido da desburocratização.

Sobre as condições que os bancos têm de cumprir no crédito à habitação, os banqueiros consideraram que é importante a taxa de esforço. Já Miguel Maya, do BCP, disse ter “enormes dúvidas” sobre a exigência de uma maturidade média do crédito à habitação de 30 anos e que “deve haver uma afinação” nessa regra dos supervisores bancários.

Em 2024, os bancos emprestaram 17,6 mil milhões de euros em novos créditos à habitação (valor que inclui renegociações), mais 34% do que em 2023, o valor mais alto desde o início da série (dezembro de 2014), segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal esta semana.

Para esta subida contribuiu sobretudo o crédito concedido a pessoas com menos de 35 anos, que representou 47% do montante de novos contratos para habitação própria permanente entre agosto e dezembro do ano passado.

Últimas de Economia

O setor do alojamento turístico registou, em 2025, 32,5 milhões de hóspedes e 82,1 milhões de dormidas, representando subidas respetivas de 3,0% e 2,2%, mas abrandando face ao ano anterior, segundo o INE.
O excedente do comércio externo de bens da zona euro recuou, em 2025, para os 164,6 mil milhões de euros e o da UE para os 133,5 mil milhões de euros, divulga hoje o Eurostat.
Perderam a casa, o armazém ou a exploração agrícola com a tempestade, mas antes de receberem ajuda do Estado têm de provar que não devem um euro ao Fisco. O Governo decidiu condicionar os apoios às vítimas da tempestade Kristin à situação fiscal regularizada.
As empresas vão passar a ter até dia 25 de cada mês (ou o dia útil seguinte, caso este coincida com um fim de semana ou feriado) para pagarem as contribuições à Segurança Social.
O número de passageiros movimentados nos aeroportos nacionais deverá ter aumentado 4,7% em 2025, para 73,75 milhões, segundo dados preliminares do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgados.
Um total de 33 mil clientes da E-Redes, em Portugal continental, continua sem abastecimento de energia elétrica devido aos danos provocados pelo mau tempo na rede de distribuição desde 28 de janeiro, informou hoje a empresa.
O Banco Central Europeu (BCE) acredita que a Autoridade de Combate à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (AMLA) irá "melhorar a cooperação entre os supervisores e reduzir a fragmentação" na Europa.
Portugal registou, entre 2021 e 2024, oito casos de suspeita de fraude relacionados com o Mecanismo de Recuperação e Resiliência, que financia o PRR, indicou hoje o Tribunal de Contas Europeu, falando em instrumentos “pouco eficazes” contra irregularidades.
A reposição de antenas da rede de comunicação de emergência SIRESP destruídas pela passagem da depressão Kristin vai ter um custo de "cerca de seis milhões de euros", informou hoje o ministro da Presidência.
A Deco Proteste alertou hoje que as propostas financeiras criadas por vários bancos, para o apoio aos efeitos do mau tempo assentam, na sua maioria, na contratação de novos empréstimos, que podem “agravar o endividamento das famílias”.