Zelensky apela para se desconfiar da intenção de Putin sobre fazer paz com Kiev

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apelou hoje para se desconfiar da verdadeira intenção do homólogo russo, Vladimir Putin, de pôr fim à guerra na Ucrânia, após conversar com o Presidente norte-americano, Donald Trump, sobre realizar negociações de paz.

© Facebook de Volodymyr Zelensky

Numa mensagem publicada na rede social X (antigo Twitter), relatando uma conversa telefónica com o primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, Zelensky disse ter “avisado os dirigentes internacionais para não confiarem nas declarações de Putin de que está pronto para pôr fim à guerra” que trava há quase três anos no país vizinho.

Também na rede social X, Tusk indicou hoje ter mantido conversas telefónicas com líderes europeus, entre os quais o Presidente ucraniano e o chanceler alemão, Olaf Scholz, para defender que a Ucrânia, a União Europeia (UE) e os Estados Unidos deverão estar “totalmente unidos ao empenharem-se em negociações de paz” com a Rússia.

Scholz alertou hoje para o risco de as negociações conduzirem a uma vitória russa e a uma “desintegração” da Ucrânia, numa altura em que na Europa se teme a ideia de um acordo selado entre Washington e Moscovo a expensas de Kiev.

O chanceler alemão defendeu que nenhuma decisão sobre a Ucrânia pode ser tomada sem a participação dos ucranianos e dos europeus, depois de Trump ter acordado com Putin o início de conversações para pôr fim à guerra, sublinhando que “uma paz imposta” é inaceitável.

“Nada sobre a Ucrânia sem os ucranianos e nada sobre a Europa sem os europeus. Uma paz tem de ser duradoura, tem de garantir a soberania da Ucrânia e é por isso que nunca apoiaremos uma paz imposta”, declarou Scholz em Berlim, antes do início da Conferência de Segurança de Munique, que vai decorrer entre sexta-feira e domingo.

“Também não aceitaremos uma solução que implique uma dissociação da segurança dos Estados Unidos da Europa. Só o Presidente Putin beneficiaria com isso”, observou.

O líder alemão considerou “correto” que Trump tenha falado diretamente com Putin, algo que ele próprio fez em várias ocasiões desde o início da guerra na Ucrânia, e também concordou que o conflito “deve terminar o mais rapidamente possível”.

“Sabemos que ninguém quer a paz mais do que a Ucrânia, mas ao mesmo tempo é absolutamente claro que uma vitória da Rússia ou a desintegração da Ucrânia não são a paz, muito pelo contrário”, sublinhou, referindo-se depois aos riscos para a estabilidade na Europa e instando a UE a defender os seus próprios interesses nas negociações com determinação.

A Ucrânia precisa de um Exército capaz de repelir uma nova invasão russa, uma vez terminada a guerra, e os Estados Unidos e a Europa são necessários para o efeito, sustentou Scholz.

“Estas podem ser palavras pouco habituais para um chanceler e podem ser preocupantes para alguns, mas trata-se de uma questão de guerra ou de paz na Europa”, afirmou o político social-democrata, a favor de que se mantenha a aliança com os Estados Unidos e a que a Europa invista mais em segurança.

“Para que a Europa continue a ser um aliado ao mesmo nível [que os Estados Unidos], temos de fazer mais”, afirmou, salientando que o montante do investimento na defesa deve depender das capacidades militares que a NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) avaliar como necessárias.

Por todas estas razões, a nível europeu é necessário fazer avançar o debate sobre a forma de aumentar o investimento em segurança e defesa, insistiu.

À escala nacional, Scholz explicou que, para manter o objetivo de afetar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) na Defesa, será necessário investir mais 30 mil milhões de euros a partir de 2028, algo que não pode ser conseguido poupando um pouco aqui e ali.

Por isso, e já em modo de campanha para as eleições legislativas na Alemanha, que se realizam dentro de dez dias, Scholz reiterou a sua proposta de revisão do mecanismo constitucional conhecido como travão da dívida, que os conservadores, favoritos nas sondagens, rejeitam.

Pediu também que o Bundestag (câmara baixa do parlamento federal) aprove a declaração da guerra na Ucrânia como uma situação de emergência, tal como definido na Constituição alemã, para que se possa contrair dívida adicional para financiar o apoio militar a Kiev e o investimento na própria segurança, sem ter de fazer poupanças noutras áreas.

“Não agir agora colocará em risco a segurança do país e do continente”, advertiu.

Últimas do Mundo

Dezasseis membros de uma rede de prostituição chinesa foram detidos e 26 mulheres exploradas sexualmente foram libertadas em Espanha, declararam hoje as autoridades locais.
O Parlamento Europeu aprovou ontem a sua posição sobre a polémica proposta conhecida como 'Chat Control'. Contudo, o texto acabou por sofrer alterações graças a propostas apresentadas pelo grupo Patriots for Europe, onde se integram os eurodeputados do CHEGA.
As autoridades da autonomia espanhola da Andaluzia indicaram hoje que há 19 pessoas desaparecidas no incêndio em Los Gallardos, Almeria, que causou pelo menos 12 mortos e oito feridos.
O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela em 24 de junho aumentou para 104 e há 57 desaparecidos, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
O mês de junho foi o mais quente de que há registo na Europa Ocidental e o segundo mais quente no mundo, tendo em conta as temperaturas registadas em terra e no mar, indicou hoje o Serviço Copernicus.
Uma em cada cinco pessoas pode vir a ter cancro ao longo da vida, estima a Organização Mundial da Saúde (OMS) num relatório sobre a doença que atingiu mais de 20 milhões de pessoas em 2024.
Um médico alemão de cuidados paliativos foi hoje condenado a prisão perpétua pelo homicídio de 15 pacientes com grandes doses de sedativos, sendo suspeito de inúmeros outros assassinatos, anunciou um tribunal de Berlim.
Adolescente imigrante atraiu a vítima, de 13 anos, para um parque e esfaqueou-a mortalmente. Tribunal rejeitou a tese de legítima defesa e condenou o jovem à pena máxima prevista para menores.
O número de cidadãos portugueses e lusodescendentes que morreram no duplo sismo que atingiu a Venezuela há uma semana subiu para 96 e registam-se 60 portugueses desaparecidos, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
A Polícia Judiciária (PJ) deteve três suspeitos e identificou oito vítimas numa operação internacional de combate ao tráfico humano e exploração sexual, que fez mais de mil detidos em 59 países.