Arguido no processo do atentado à basílica de Nice em 2020 admite factos

O arguido no processo do atentado que matou três pessoas na basílica de Nice em 2020, Brahim Aouissaoui, admitiu hoje os factos no julgamento, confessando que agiu para "vingar os muçulmanos" mortos por ocidentais.

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“Sim, admito os factos”, disse o arguido de 25 anos e origem tunisina, que está a ser julgado no Tribunal Especial de Paris por homicídio e seis tentativas de homicídio relacionadas com uma ação terrorista.

Esta é a primeira vez, desde a sua detenção logo após os acontecimentos, que Brahim Aouissaoui admite ter assassinado com uma faca de cozinha três pessoas e que a Igreja Católica em França, enquanto instituição, se junta à ação civil no julgamento.

“Não sou terrorista, sou muçulmano”, disse o arguido, que falava em árabe e cujas palavras foram traduzidas por um intérprete.

O jovem, muito magro, justificou o seu ato explicando que “todos os dias morrem muçulmanos” e que não há “empatia por estas pessoas”.

“O Ocidente mata indiscriminadamente (muçulmanos) inocentes” e a “vingança é um direito e uma verdade”, acrescentou.

Na manhã de 29 de outubro de 2020, armado com uma faca de cozinha, o arguido quase decapitou Nadine Vincent, de 60 anos, esfaqueou 24 vezes Simone Barreto Silva, franco-brasileira de 44 anos que conseguiu fugir do local antes de falecer, e cortou a garganta de Vincent Loquès, um sacristão de 55 anos e pai de duas filhas.

A escolha das suas vítimas, matando-as numa igreja, foi uma questão de “acaso”, afirmou Brahim Aouissaoui, explicando que “não tinha preparado nada” e alegando que os homicídios eram legítimos.

Na véspera do atentado, Brahim Aouissaoui tinha explicado numa mensagem áudio a um compatriota residente na região parisiense que não podia deslocar-se a Paris por falta de dinheiro.

“Tenho um outro programa na minha cabeça. Que Deus o facilite”, afirmou na mensagem.

Quatro dias antes do ataque, um meio próximo da Al-Qaeda apelou aos muçulmanos para degolarem os franceses, nomeadamente nas “suas igrejas”.

Brahim Aouissaoui, que poderá ser condenado a prisão perpétua, deverá ser interrogado durante todo o dia e o seu julgamento deverá terminar no dia 26 de fevereiro.

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