Coordenador pede “reforço financeiro significativo” para combate à droga

O presidente do Instituto dos Comportamentos Aditivos e Dependências (ICAD) alertou hoje para a necessidade de "reforço financeiro significativo", lembrando que o orçamento deste ano é inferior ao do instituto da droga antes de 2012.

© D.R.

drog”O orçamento [do ICAD] neste momento é menos do que o IDT [Instituto da Droga e Toxicodependência] tinha antes de 2012″, disse João Goulão, que falava na comissão parlamentar de Saúde, onde hoje apresentou o relatório anual sobre a situação do país em matéria de drogas, toxicodependências e álcool referente ao ano de 2023.

Questionado pelos deputados, o responsável lembrou que hoje há apensas três comunidades terapêuticas públicas, quando antigamente “tínhamos sempre mais de 60” entre públicas, privadas e do setor social e disse que estas últimas, face aos valores que lhes são oferecidos, ou fecham ou rejeitam manter a convenção com o setor público.

“Neste momento, a remuneração que lhes podemos oferecer não é suficiente para manter a convenção e várias têm vindo a encerrar, ou rescindem e movimentam-se apenas como privadas, oferecendo serviços a clientes de outros países”, afirmou.

O coordenador nacional para os problemas da droga e do álcool disse ainda que Portugal se está a tornar num prestador de serviços nesta área, com comunidades terapêuticas a funcionarem apenas na vertente privada para utilizadores de outros países europeus.

“Não quero reduzir a nossa atividade apenas aos meios financeiros (…), mas o suporte financeiro é fundamental. Podemos fazer mais e melhor, temos um ótimo plano estratégico, mas precisamos de concretizar e, para isso, precisamos de um reforço muito significativo”, acrescentou.

João Goulão apontou ainda a necessidade de facilitar o recrutamento, através de um mecanismo mais ágil e possibilitando a abertura de concursos externos: “Com recrutamentos internos estamos a ir à mesma manta e, ou destapamos os pés, ou a cabeça”.

Falou do impacto da pandemia nos consumos e nas dependências, sublinhando: “é também neste contexto que assistimos a um aumento do uso problemático [de drogas e álcool], dos impactos na saúde individual e coletiva, mas também a uma menor disponibilidade do sistema de saúde para responder”.

“Temos menor capacidade para lidar com isto, para recrutar profissionais (…) e menor capacidade para suportar, da forma saudável que é também apanágio do nosso modelo, uma relação entre setores público, social e privado, que são perfeitamente complementares”, acrescentou.

João Goulão citou uma frase do antigo Presidente da República Jorge Sampaio, que um dia lhe disse “estou-me nas tintas que usem drogas, não quero é que sofram por isso”, para defender que essa é a forma como o problema das dependências deve ser olhado.

A acompanhar João Goulão na comissão de saúde esteve o vogal do ICAD, Manuel Cardoso, que lamentou o excesso de exigências nas regras de instalação e funcionamento das comunidades terapêuticas.

“Está a ser equivalente ao documento que regula hospitais, como se [as comunidades terapêuticas] tivessem blocos operatórios. Isto não é passível de ser executado pelas comunidades terapêuticas com o que têm de orçamento”, lamentou, sublinhando igualmente a necessidade de mais recrutamento para aumentar as equipas e poder dar resposta.

Neste momento, “há perto de 2.000 pessoas à porta a pedir ajuda”, insistiu.

O presidente do ICAD aproveitou ainda para chamar atenção para o “elefante na sala” que representa o estatuto legal da canábis, afirmando: “Foi importante o uso terapêutico da canábis consagrado na lei. Mas depois temos a utilização em contexto não terapêutico e continua a persistir uma pergunta de milhão de dólares: qual a forma mais eficaz de reduzir o impacto negativo do uso na sociedade”.

Sobre esta matéria, disse que as respostas que surgem de experiência noutros países ainda são contraditórias e que “ainda não temos evidência científica sólida que permita tomar opções completamente informadas”.

O relatório hoje apresentado indica que a idade de início do consumo de álcool entre os jovens portugueses se agravou em 2023, assim como as situações de embriaguez severa, dos consumos de risco elevado e da dependência. Aponta ainda para um aumento das mortes por overdose (mais 16%, num total de 80).

Últimas do País

Mais de 50 concelhos do interior, de oito distritos de Portugal, enfrentam hoje perigo máximo de incêndio, no dia em que se espera descida da temperatura
Presidente do CHEGA considera que o ministro da Administração Interna não reúne condições para continuar no cargo, critica as explicações prestadas na primeira conferência de imprensa realizada após serem conhecidos os casos polémicos que o envolvem e apela à intervenção do Presidente da República.
A Unidade Local de Saúde (ULS) do Algarve tem por cobrar 1.234.358 euros relativos a serviços prestados a pessoas estrangeiras não residentes em Portugal, em 2023 e 2024, revela uma auditoria da Inspeção-Geral de Atividades em Saúde (IGAS).
Um homem, de 23 anos, foi detido pela PSP e ficou em prisão preventiva por suspeitas de ter agredido a ex-companheira, de 39, depois de ter forçado a entrada na sua casa, em Beja, foi hoje divulgado.
O Tribunal de Ponte de Lima decretou prisão preventiva para um jovem de 27 anos, suspeito de atear cinco focos de incêndio em Ponte de Lima, "num curto espaço de tempo", revelou hoje a GNR.
O Governo está a preparar uma nova Estratégia Nacional para as Comunidades Ciganas, com medidas nas áreas da educação, habitação, emprego, saúde, associativismo e mediação intercultural, mas continua sem revelar quanto custará o plano aos contribuintes.
O acolhimento de cada refugiado em Portugal pode representar uma despesa pública próxima dos 12 mil euros por ano, considerando os custos com alojamento, alimentação, acompanhamento social e acesso aos cuidados de saúde.
Português de 41 anos fugiu após o homicídio, ocorrido em agosto do ano passado, mas acabou localizado no sul de França. Foi extraditado para Portugal e ficou em prisão preventiva.
A Câmara de Manteigas está a efetuar interrupções programadas no abastecimento de água na zona norte da sede do concelho na sequência da redução do caudal das nascentes que abastecem um dos reservatórios que servem aquela vila.
Operação em Loulé e Albufeira terminou com três detenções, dezenas de buscas e a apreensão de droga, dinheiro, notas falsas e material usado no tráfico. Outros três suspeitos foram constituídos arguidos.