Greve dos administrativos com adesão acima dos 80% no hospital São João

O segundo dia da greve convocada pela Federação Nacional de Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, hoje dedicada aos assistentes técnicos, está a registar no Hospital de São João, Porto, uma adesão "acima dos 80%".

© D.R.

Orlando Gonçalves, dirigente da federação na região Norte, disse à Lusa que “a adesão está entre os 80 e os 90%”, mas o impacto para o doente “é mínimo”.

O dirigente sindical, que falava à porta do Hospital de São João, disse desconhecer, cerca das 09:00, os números da adesão a nível nacional, mas, no que se refere a este hospital, referiu que “na parte das consultas externas teriam que estar no total 25 assistentes técnicos ao serviço e estão apenas três”.

“É uma forte adesão. Quanto ao impacto que a greve está a ter para o doente, é mínimo, porque as consultas estão a realizar-se, com algum atraso, porque a validação das mesmas tem de ser feita em máquinas”, explicou.

O que não está a ser realizado devido a esta greve dos administrativos são, por exemplo, a passagem de justificações para o trabalho, as remarcações de consultas e de exames, e também não estão a ser recebidos “os reservatórios com urina e outro tipo de matérias para análise”, explicou.

“Portanto, há aqui algum impacto para o doente, mas é mínimo e ainda bem”, afirmou Orlando Gonçalves, referindo que “o objetivo da greve é, de facto, que o Governo perceba que esta classe profissional, esta carreira, está extremamente desvalorizada”.

Segundo o sindicalista, “era uma carreira que em 2009 tinha quatro categorias e, neste momento, tem uma categoria apenas e, depois, a coordenação, mas isso é para um número mínimo de trabalhadores, porque só há um chefe por serviço, regra geral”.

“É uma carreira que está apenas 100 euros acima do salário mínimo, quando em 2009, por exemplo, estava com 220, houve um estagnar desta carreira e uma perda de poder de compra e não há uma perspetiva de crescimento. Não é por acaso que há muitos concursos de administração pública que ficam desertos e têm que ser repetidos”, considerou.

Em seu entender, “não se consegue viver com dignidade sendo trabalhador da administração pública, porque os salários são baixos e as condições de trabalho, muitas vezes, também não ajudam”.

“Aquilo que nós queremos é que o Governo inicie uma revisão das carreiras gerais, que nos chame e aí apresentaremos as propostas, e eles também terão as deles, tal e qual como está a fazer com as carreiras especiais”, salientou.

O Governo “está a rever praticamente todas as carreiras especiais que representam 360 mil trabalhadores da administração pública, o que significa que há outros tantos, ou ainda mais, que são das carreiras gerais”, disse.

“As carreiras gerais representam para cima de 50% dos trabalhadores da administração pública e para esses não há nada a não ser aquele acordo assinado em novembro pela FESAP (Federação de Sindicatos da Administração Pública), que é um acordo de mínimos e não faz com que se recupere o poder de compra que se perdeu ao longo destes anos, principalmente desde 2005, do primeiro congelamento da administração pública”, acrescentou.

No primeiro de três dias da greve convocada pela Federação Nacional de Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS), afeta à CGTP, a adesão ficou “acima dos 50%”.

Cada dia de greve é dirigido a uma das carreiras gerais da função pública. Na quarta-feira foi dedicado aos técnicos superiores, hoje aos assistentes técnicos e na sexta-feira dedicada aos assistentes operacionais.

Últimas do País

A PSP preparou um plano de contingência para os aeroportos de Lisboa e Faro para lidar com o aumento de passageiros durante a Páscoa, reforçando estas estruturas com mais polícias e postos de atendimento, revelou hoje aquela polícia.
Algumas das vítimas de abuso sexual na Igreja Católica já foram informadas por telefone da rejeição do seu pedido de compensação financeira, confirmou hoje fonte da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP).
O Projeto de Lei n.º 465/XVII/1.ª do CHEGA, de alteração ao regime jurídico da atividade de TVDE, foi esta sexta-feira rejeitado com votos contra do PS, Bloco e Iniciativa Liberal e a abstenção do PSD, CDS-PP e PCP.
A greve nacional de hoje dos enfermeiros registou níveis elevados de adesão em vários hospitais do país, levando ao encerramento de blocos operatórios e de partos, segundo um primeiro balanço do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP).
O CHEGA viu aprovado na Assembleia da República um projeto de lei que pretende impedir cirurgias de mudança de sexo em menores de idade.
Os produtores de leite afirmam estar a enfrentar um agravamento das condições económicas marcado pela descida do preço pago à produção, pelo aumento dos custos e pela rejeição de apoios ao investimento, revelou hoje um comunicado divulgado pela APROLEP.
O Tribunal Central Criminal de Lisboa agendou para 03 de junho deste ano o início do julgamento do processo Tempestade Perfeita, relacionado com suspeitas de corrupção em obras em edifícios do setor da Defesa.
O suspeito de crimes de pornografia de menores e abuso sexual de crianças detido pela Polícia Judiciária, na quarta-feira, em Castelo Branco, ficou em prisão preventiva, disse fonte judicial à agência Lusa.
Era para ser uma obra estruturante, mas já começou a falhar antes de sair do papel: o Governo deixou escapar mais de 100 milhões de euros da “bazuca” europeia no Hospital de Todos os Santos: um projeto com mais de 40 anos, custos a disparar e um preço final que continua por esclarecer.
A primavera começa hoje com chuva por vezes forte e acompanhada de trovoadas no arquipélago da Madeira e em Portugal continental, ainda devido à influência da depressão Therese, disse à Lusa a meteorologista Ângela Lourenço.