Itália aprova lei que pune feminicídio com prisão perpétua

O Governo italiano aprovou uma proposta de lei que, pela primeira vez, introduz a definição legal de feminicídio no direito penal do país e o pune com prisão perpétua.

©Facebook de Giorgia Meloni

A medida, anunciada na véspera do Dia Internacional da Mulher, visa combater uma série de homicídios e violência contra as mulheres em Itália, através do reforço das medidas contra os crimes baseados no género, como a perseguição e a pornografia de vingança.

A proposta, acordada na sexta-feira, tem ainda de passar pelo parlamento e de ser aprovada por ambas as câmaras para se tornar lei.

“Trata-se de uma proposta de lei extremamente importante, que introduz o crime de feminicídio no nosso sistema jurídico como um crime autónomo, punindo-o com prisão perpétua”, afirmou a primeira-ministra conservadora Giorgia Meloni, que apoiou fortemente a iniciativa.

“Introduz circunstâncias agravantes e aumenta as penas para crimes que incluem maus tratos pessoais, perseguição, violência sexual e pornografia de vingança”, disse, num comunicado.

Embora a oposição de centro-esquerda se tenha congratulado com a medida, sublinhou que a nova lei apenas aborda o aspeto criminal do problema, deixando sem resposta as clivagens económicas e culturais.

Recentemente, o feminicídio emergiu como um problema sistémico profundamente enraizado na cultura patriarcal italiana, com alguns incidentes violentos a renovarem o debate sobre os crimes baseados no género.

Particularmente marcante foi o assassínio de Giulia Cecchettin, uma estudante universitária de 22 anos brutalmente esfaqueada até à morte pelo seu ex-namorado Filippo Turetta, em novembro de 2023. Em dezembro passado, Turetta foi condenado a prisão perpétua.

Estudos recentes demonstram que, enquanto os homicídios têm vindo a diminuir no país, a taxa de feminicídios tende a manter-se estável ou a diminuir apenas ligeiramente, mantendo-se estritamente ligada à família ou à “esfera emocional” das vítimas.

Os dados oficiais do Ministério do Interior italiano registaram 113 feminicídios em 2024, 99 dos quais cometidos por familiares, parceiros ou ex-parceiros.

Últimas do Mundo

Três quartos do território francês vão estar em alerta máximo devido à onda de calor na quinta-feira a partir das 12h00 (11h00 em Lisboa), anunciou hoje o serviço meteorológico francês.
Investigadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, descobriram três subtipos diferentes da pneumonia grave, o que pode ajudar a desenvolver tratamentos personalizados para os doentes, segundo um estudo divulgado na terça-feira.
Pelo menos 94 milhões de pessoas na Europa deverão sentir hoje temperaturas acima dos 35° Celsius, segundo os dados levantados pela agência de notícias AFP, com a maioria dos afetados em França e Espanha.
Quase 70 mil pessoas estão hoje sem eletricidade no departamento francês de Finistère (oeste) devido a uma avaria num transformador, provocada pelas altas temperaturas, num dia em que são esperados novos recordes de temperatura.
O número de crianças e adolescentes cuja educação foi interrompida por conflitos ou choques climáticos atingiu os 258 milhões e continua a aumentar, disse a ONU num relatório hoje publicado.
Uma central nuclear em França foi desligada na noite de segunda-feira devido a “restrições ambientais” relacionadas com a onda de calor, anunciou um porta-voz da unidade.
A polícia de Hong Kong levou hoje a tribunal um brasileiro que chegou ao aeroporto do território com quase três quilogramas de cocaína, no valor de mais de 210 mil euros.
As autoridades francesas anunciaram hoje que o país centro-europeu enfrenta uma semana de temperaturas recorde, numa onda de calor com máximas diurnas acima de 40 graus.
A polícia encontrou 2,7 toneladas de cocaína numa propriedade nos arredores de Sydney, na maior apreensão de droga alguma vez registada na Austrália, revelaram hoje as autoridades.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, anunciou hoje que vai demitir a liderança do Partido Trabalhista, iniciando o processo para a sua sucessão à frente do Governo dois anos após ser eleito com maioria absoluta.