Prevost escolheu ser Leão XIV para lutar contra os problemas sociais da nova revolução digital

Leão XIV justificou hoje a escolha do nome, inspirado em Leão XIII, para defender a dignidade humana e os direitos sociais face à revolução digital e da inteligência artificial nos tempos atuais.

© Facebook de Vatican News

Num discurso perante o Colégio Cardinalício, o antigo cardeal Robert Prevost assumiu o nome de Leão inspirado por causa de “Leão XIII, com a histórica Encíclica Rerum novarum, [que] abordou a questão social no contexto da primeira grande revolução industrial”.

Hoje, “a Igreja oferece a todos a riqueza da sua doutrina social para responder a outra revolução industrial e aos desenvolvimentos da inteligência artificial, que trazem novos desafios para a defesa da dignidade humana, da justiça e do trabalho”.

No encontro com o Colégio Cardinalício, o primeiro depois da eleição, na quinta-feira à tarde, disse que pretende liderar com o apoio de todos.

“Queridos cardeais, vós sois os colaboradores mais próximos do Papa, e isto é de um grande conforto para mim, que aceitei um fardo claramente muito superior às minhas forças, assim como o seria para qualquer outra pessoa”, afirmou.

“A vossa presença recorda-me que o Senhor, tendo-me confiado esta missão, não me deixa sozinho a carregar tal responsabilidade”, acrescentou.

Cada Papa “é um humilde servo de Deus e dos irmãos, nada mais do que isso”, disse Leão XIV, elogiando o antecessor, com o seu “estilo de total dedicação ao serviço e sobriedade essencial na vida”.

“Nos últimos dias, pudemos ver a beleza e sentir a força desta imensa comunidade, que com tanto carinho e devoção saudou e chorou o seu pastor, acompanhando-o com a fé e a oração”, afirmou. “Vimos qual é a verdadeira grandeza da Igreja, que vive na variedade dos seus membros”.

Na mesma intervenção, Leão XIV renovou a “plena adesão a este caminho, que a Igreja universal percorre há décadas na esteira do Concílio Vaticano II”, o encontro mago dos anos 1960 que marcou mudanças estruturais da relação da instituição com o mundo contemporâneo.

E, assumindo-se como herdeiro ideológico de Francisco, criticado por setores mais conservadores pelo discurso de abertura, Leão lembrou alguns pontos da Exortação Apostólica Evangelii gaudium, que assinalou o início do Pontificado anterior.

“Gostaria de sublinhar alguns pontos fundamentais: o regresso ao primado de Cristo no anúncio, a conversão missionária de toda a comunidade cristã; o crescimento na colegialidade e na sinodalidade; a atenção ao sensus fidei [sentido mais profundo da fé], especialmente nas suas formas mais próprias e inclusivas, como a piedade popular; o cuidado amoroso com os marginalizados e os excluídos; o diálogo corajoso e confiante com o mundo contemporâneo nas suas várias componentes e realidades”, salientou o Papa aos cardeais.

O cardeal Robert Francis Prevost, de 69 anos, foi eleito na quinta-feira Papa, após dois dias de conclave, na Cidade do Vaticano, e assumiu o nome de Leão XIV.

Nascido em Chicago, nos Estados Unidos, o novo líder da Igreja Católica tem ascendência espanhola e nacionalidade peruana, e pertence à Ordem de Santo Agostinho, tendo sido bispo de Chiclayo (Peru) e foi prefeito do Dicastério para os Bispos.

Leão XIV sucedeu ao Papa Francisco, que morreu em 21 de abril, aos 88 anos.

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